terça-feira, 5 de novembro de 2013

O ato de espionar é uma coisa e praticar uma ação de contra-inteligência é outra!


Sem procuração para defender este ou aquele órgão de inteligência assisti muitas matérias na televisão e li vários textos nestas últimas semanas com relação à espionagem. Por exemplo, a dos que os Estados Unidos da America praticam contra os outros países, inclusive países “amigos”, como Brasil, França e Alemanha...

Não há surpresas, neste campo de atividade, pois muito embora todo mundo negue, os governos neguem que praticam espionagem, alguns a empregam costumeiramente. E assim é desde os primórdios do mundo. A regra que deve ser emprega é esta: cada um que procure proteger o seu conhecimento, de maneira a impedir ou a dificultar a busca de dados pelo “inimigo”, ou seja, para que a espionagem dos outros não se concretize.

A Contra-Inteligência

Falando de maneira bem simples, para que haja um perfeito entendimento de todos, assim são criados mecanismos de proteção, para isto também existe a Criptografia, que é uma arte de codificar mensagens (hoje em dia e-mails, telefones e todo tipo de documento) de forma que fique ininteligível para quem quiser bisbilhotá-los.

No caso da espionagem americana sobre o Brasil, grampos telefônicos, leituras de
e-mail e outros documentos, seles não irão nunca admitir, mesmo porque a atividade de espionagem é proibida. Cabe a nós, brasileiros, cuidarmos da proteção de nossos interesses, mesmo sabendo que a busca por nossos conhecimentos importantes, particularmente os sigilosos, será uma constante. 

A imprensa distorce os fatos e fala sem conhecimento de causa

Agora vem a imprensa e divulga que o governo brasileiro “espionou” diplomatas estrangeiros... Acusando funcionários da Agência Brasileira de Inteligência de “espionar” diplomatas do Iraque, Irã e Rússia. Deste modo distorcem os fatos e querem mesmo é aproveitar o assunto para que tudo seja manchete. Ora, tenham paciência!

Se a espionagem praticada por países estrangeiros capta nossos conhecimentos importantes e é descoberta, a imprensa brasileira culpa a ABIN... E quando a ABIN pratica a Contra-Inteligência (prevista em lei) para defender os interesses brasileiros, são chamados de espiões. Quanta ignorância sobre a Atividade de Inteligência!

Uma reportagem divulgada na imprensa afirma que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), “principal braço de espionagem do governo” (termo este distorcido), monitorou pessoas do corpo diplomático da Rússia, Irã e Iraque nas embaixadas em Brasília e em residências oficiais. A reportagem diz que isso tudo “apesar das críticas à espionagem americana feitas pela presidente Dilma Rousseff.”

A ABIN desconfiava que eles estivessem envolvidos com atividades de espionagem no Brasil. Funcionários da embaixada do Irã também foram vigiados. Os agentes seguiram os diplomatas a pé e de carro para registrar suas atividades nas embaixadas e em suas casas. Ainda segundo o relatório, após a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003, o governo brasileiro espionou a embaixada do país no Brasil. Na época, muitos diplomatas buscavam refúgio no Brasil.

Segundo o governo, (e aqui erra novamente a reportagem na imprensa) “as ações de espionagem” tinham o objetivo de proteger segredos de interesse do Estado brasileiro. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, disse à Folha de São Paulo reconhecer que as operações foram executadas e afirmou que todas foram feitas de acordo com a legislação brasileira.

O certo é que a ABIN desempenhou bem seu papel e praticou tão somente a atividade de Contra-Inteligência, para quem quiser saber a realidade dos fatos. Tal atividade é prevista em lei e consta das atribuições específicas do órgão, conforme o leitor verá ao final desta matéria. E, particularmente, acho que a finalidade e missão da ABIN deveria ser mais divulgada para os brasileiros, com vista a que todos nós passemos a gostar da atividade e defendê-la, não somente profissionais que trabalharam nesta Atividade por longos anos (como este que vos escreve) e passaram a conhecê-la, admirá-la e considerá-la imprescindível para o País. Ao mesmo tempo vejo que os brasileiros é que deveriam ser mais politizados e educados a ponto de despertar seu interesse por assuntos que envolvem sua pátria.

A ABIN – Agência Brasileira de Inteligência

(Extraído do site http://www.abin.gov.br)

A ABIN, órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), tem a seu cargo: planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar a atividade de Inteligência. Em conseqüência, cabe-lhe a atribuição de executar a Política Nacional de Inteligência no mais alto nível do governo, de forma a integrar os trabalhos dos demais órgãos setoriais de Inteligência do país. A ABIN tem como competência assessorar o Chefe de Estado no desempenho de suas elevadas funções, sobretudo em caráter preventivo, assegurando-lhe o conhecimento antecipado de fatos e situações relacionados ao bem-estar da sociedade e ao desenvolvimento e segurança do país.

Órgão de Estado ou de Governo?

A ABIN é um ÓRGÃO DE ESTADO, não é um ÓRGÃO DE GOVERNO. O Estado brasileiro é permanente. Os Governos, transitórios. A ABIN não tem qualquer vínculo político partidário. É um instrumento de Estado, voltado para a defesa da sociedade brasileira, absolutamente apartidário. Seu compromisso ideológico é, de forma única e exclusiva, com a democracia.

Atuação

A Agência Brasileira de Inteligência atua em duas vertentes:

1- INTELIGÊNCIA: Por meio da produção de conhecimentos sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência no processo decisório e na ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado.

2- CONTRA-INTELIGÊNCIA: Pela adoção de medidas que protejam os assuntos sigilosos relevantes para o Estado e a sociedade e que neutralizem ações de Inteligência executadas em benefício de interesses estrangeiros.

Essa divisão busca atender às necessidades rotineiras do processo decisório presidencial. A ABIN atua no acompanhamento de fatos emergentes, previsíveis ou não, com o intuito de antecipar tanto oportunidades quanto possíveis ameaças ao Estado Democrático de Direito.

É preciso que tenhamos cuidado ao emitir opiniões

“A televisão é como as torradeiras, carrega-se no botão e sai sempre a mesma coisa”, frase de Alfred Hitchcock. Gostaria de concluir com essa ideia, que é um conjunto da formulação de vários pensamentos, baseado no exemplo a seguir:

Para que alguém seja um advogado, um engenheiro, um médico, um padre ou pastor ou simplesmente algum profissional qualificado é preciso que a pessoa estude muito, leia bastante sobre o tema, pratique, treine. E este processo leva anos a fio. E para falar sobre temas relacionados à sua área de atividade o indivíduo deve possuir muito preparo, muito conhecimento, muita leitura, pelo menos.

Quando a imprensa se reporta às vezes sobre casos que envolvem a Atividade de Inteligência muitas vezes erra ou distorce os fatos pelo desconhecimento da matéria, de causa. São profissionais (jornalistas ou repórteres) que não foram preparados para tal fim e desconhecem, portanto as nuances desta nobre e necessária Atividade.

Ficamos com a tal questão do Estudo da Lógica e dos Estágios da Mente: quando um repórter emite um conceito sobre a Atividade de Inteligência e distorce algum fato por desconhecimento ele está, na realidade emitindo o que pode ser considerado uma OPINIÃO (um dos estágios da mente), muito diferente daquele denominado de CERTEZA, quando a mente tem o conhecimento da matéria e os fatos a espelham como VERDADE.

João Ribeiro é Analista de Informações do governo federal (MTE/PR), com os cursos de mais alto nível do sistema, cargo hoje denominado Oficial de Inteligência na atual ABIN. Aposentado, hoje desenvolve atividades ligadas à fotografia, filmagens e textos voltados para projetos do Instituto Portal Messejana. 

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