segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A seca que atinge o Ceará completa dois anos e atinge quase todo o estado

O assunto é preocupante e deveria estar nas prioridades de todos os gestores e políticos em geral. Mas com a proximidade da Copa do Mundo parece que a situação aflitiva que se encontram milhares de famílias cearenses, com dificuldades pela falta d’água e problemas de toda ordem, vai ficar fora das prioridades. É assim há décadas.
A indústria da seca persiste no Ceará e estados nordestinos, infelizmente. Não há ações definitivas que possibilitem aos nordestinos o convívio com a irregularidade climática que aflige a região. Há sempre as soluções paliativas, que não resolvem o problema. Até quando ninguém sabe, lamentavelmente. As medidas paliativas adotadas para ajudar as populações não são suficientes. E soluções inovadoras propostas há dezenas de anos por técnicos que estudam o assunto com profundidade não são empregadas.

Assim passam os anos e as esperanças dos nordestinos, em particular dos cearenses, se renovam e se destroem novamente, com a ocorrência dos períodos de seca. A palavra PRIORIDADE e as ações dela decorrentes resultam nas chaves para resolver a situação, mas parece que não é entendida... Sim, existem outros problemas no país, não resta dúvida. Mas esta situação está próxima dos cearenses e nordestinos! E não se vê medidas efetivas para sua solução.

A indústria da seca

Há inúmeros casos comprovados de irregularidades diversas, ao longo dos anos, com a chamada “indústria da seca”. Pessoas que se aproveitam para obter lucros indevidos, superfaturar produtos (cisternas, dentre outros), fraudar a distribuição de água pelos carros-pipa... Em nível nacional surgem dia a dia escândalos de crimes praticados contra o erário público todos os dias. E a mídia os aproveita bem para aumentar sua audiência.

Quem nasceu há pouco tempo não lembra, por exemplo, dos anos 1978-1983, quando houve cinco anos de seca intensa que geraram uma geração chamada de “nanica”. O assunto foi tratado pela mídia exaustivamente. Naquela época, tal qual ocorre hoje em dia, vieram políticos de toda a parte para “verificar” a situação e tomar medidas para amenizar o problema. E assim, mais uma vez foram gastas quantias enormes de dinheiro público para algumas ações que se mostraram infrutíferas. E eles (gestores, políticos) não aprenderam nada com as sucessivas lições. Lamentavelmente.

A situação se repete

Estamos em 2013 e o Ceará completa dois anos de seca. Vinte municípios são abastecidos com carros-pipa para evitar colapso. Açudes do estado registram menor índice de reserva de água... Assim a seca que atinge o interior do Ceará faz com que os açudes fiquem com a capacidade quase esgotada, armazenam menos de 40% do total. Em muitas cidades, o chamado carro-pipa é solução para evitar o colapso. Mais de 20 municípios correm o risco de fechar o ano sem nenhuma fonte de água para beber. O abastecimento de emergência vem em caminhões-pipa que chegam de outros estados. Na última reserva d’água de Parambu, sertão dos Inhamuns, no Ceará, a seca prolongada deixou o açude com apenas 2% da capacidade.

Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Agrário, mais de 100 mil cabeças de gado morreram em todo o estado em decorrência da estiagem nos últimos 12 meses. “Os pastos não tem, é só mato seco, dessa forma aí que vocês estão vendo, mas é ter fé em Deus e vê se daqui para dezembro melhora, tem uma chuva; se não for, misericórdia”, lamenta um agricultor. A pouca reserva de água é de baixa qualidade, não recomendada para o consumo.

Desta forma o quadro é, seguramente, desesperador, na verdade. Mas fazer o quê diante da máquina que deseja tão somente promover a Copa do Mundo? A violência no país inteiro, a falta de segurança, as necessidades dos setores de saúde, as deficiências das escolas e outros problemas também entram no rol do “empurra com a barriga”. Infelizmente.

Este não é o Brasil que eu gostaria de ver.

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