segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O sistema educacional do País e o desrespeito aos professores

Vemos hoje em dia no Brasil um sistema de ensino e um modelo educacional,
ambos muito precários. São inúmeros os fatores que podemos analisar. Dificuldades a perder de conta e desigualdades gritantes entre regiões mais favorecidas e aquelas mais carentes do país. De um lado professores não respeitados, a merecer sempre maior qualificação para o trabalho e salário dignos e de outro lado os estudantes, que serão o futuro do país. A disparidade existente entre os grandes centros e as pequenas cidades, lugarejos, é enorme. Há verbas para corrigir os problemas. Só falta vontade política por parte de nossos representantes, a maioria deles lotados na ilha da fantasia chamada Brasília, no Congresso Nacional. 

A precariedade do ensino no Brasil

Há falta de escolas em tudo que é lugar. E naquelas existentes faltam professores de qualidade, material, estrutura, transporte para alunos, segurança e falta de currículos escolares que realmente possam dar suporte a um aprendizado digno. Na maioria das escolas o aluno sai despreparado para o mercado de trabalho, sem capacitação, e sem ao mínimo conseguir aprender de forma correta o seu próprio idioma. Além disso há escolas muito carentes nos diversos rincões do Brasil, nas quais não chega material de ensino adequado, fardamento para alunos, orientação para seus mestres, transporte escolar, enfim falta de respeito geral. É como se elas não existissem para nós.

A remuneração oferecida aos professores não é nem de perto digna! Os educadores são responsáveis efetivamente pelo futuro do país, que são as crianças e os jovens de hoje. E não recebem um preparo adequado para tanta responsabilidade. Muitos vão às aulas após quilômetros de estrada (ou de mata, dependendo do local), chegam estropiados em estabelecimentos que não são merecedores de serem chamados de escolas... E lutam todos os dias, fomentam um sonho de progredir, de avançar na vida, de sair daquele local e alcançar uma vida melhor. Sabemos que a maioria deles vai se decepcionar e raríssimos encontrarão uma fuga capaz de encontrar um centro grande e, com muita determinação no espírito e força de vontade vencerão na vida! 

Um tratamento digno dos mestres seria necessário

Seria necessário, de forma incondicional, que os educadores tivessem um tratamento digno de suas funções, de forma que vivessem bem financeiramente, pudessem se dedicar a um aperfeiçoamento pessoal e funcional e principalmente pudessem ter uma segurança mínima em sala de aula, o que não ocorre em muitas escolas espalhadas pelo Brasil. Desses fatos podemos concluir que a impunidade, hoje alastrada pelo país, começa dentro das próprias escolas! O aluno briga, bate em professores, provoca tumultos e até afastamentos de profissionais do ensino e nada acontece com eles.

É incontestável que nossos educadores, em grande parte, estão despreparados para bem cumprir o seu dever. Muitos deles estão se evadindo da área da educação e procurando uma sobrevivência em outros ramos, mesmo que sejam da informalidade profissional. Esta evasão não ocorre apenas pelo fator salarial, mas também pela insegurança física dentro das salas de aula, onde são até mesmo agredidos pelos alunos sem ter para quem apelar. A impunidade ingressou até mesmo nas escolas. Aqueles que desistem tornam-se via-de-regra, pequenos vendedores informais ou tentam o empreendedorismo em ramos de atividade que não conhecem, estando assim também fadados a um fracasso.

O resultado da triste situação educacional para os alunos

As matérias oferecidas nas grades curriculares, mesmo se fossem cumpridas à risca, estariam defasadas. O sistema não permite destacar, por exemplo, aqueles estudantes que tem potencial para esta ou aquela disciplina e promovê-lo adequadamente. Assim, em um movimento de “faz de conta que eu ensino” e “faz de conta que eu aprendo” os anos vão passando e milhares de vidas escolares vão se perdendo, ficando as crianças e jovens apenas com suas lembranças e suas ilusões. Algumas, quando entrevistadas, dizem que pretendem ser médicos, engenheiros e outras carreiras importantes... Infelizmente sabemos que dificilmente uma criança educada em uma área carente vencerá na vida. É triste este quadro, mas a constatação é verdadeira. As exceções são incrivelmente mínimas.

Os professores

Se por um lado os estudantes são tratados assim, os professores, já calejados de tanto desrespeito, podem agir de diferentes formas, por exemplo: aqueles que não possuem meios de mudar de vida, de profissão, permanecem no sacrifício, tentando ensinar às vezes o que nem mesmo eles sabem direito. Por outro lado há outros que se acomodam e “vão tocando a vida”, como se diz. A despeito da situação não se motivam mais para conseguir outra profissão. Falta de oportunidades, de conhecimento, pela idade, despreparo para a concorrência etc. E existem os verdadeiros educadores, que possuem vocação para ensinar e mesmo com a lamentável situação do ensino persistem em sua nobre missão.

O que agrava mais o problema

Outras condicionantes sociais agravam o problema. A falta de segurança, a pobreza da população, permite com que a marginalidade ingresse no recrutamento de crianças e jovens para o mundo do comércio de drogas ilícitas, atraídos por um ganho “fácil” e uma oportunidade atraente de poder. São aliciados de forma brutal pelos traficantes. E outros caem na mesma cilada, não por trabalharem para o tráfico, mas sim pelo trágico fato de se tornarem viciados. São vítimas dessa triste situação.

Até quando nossos governantes e a classe política vão deixar este verdadeiro “quadro negro” da Educação continuar?

(*) João Ribeiro é Analista de Informações do Ministério do Trabalho, aposentado, cargo hoje denominado Oficial de Inteligência na atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN); atuou também na Chefia da Segurança Orgânica, de Informática e da Documentação, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Atualmente é Diretor do Instituto Portal Messejana e escreve também em seu blog, no qual aborda assuntos de interesse geral da comunidade e de outros campos de expressão do poder nacional. E, de forma eclética, possui boa experiência em eletrônica, informática e Música, com Licenciatura Plena no Conservatório Alberto Nepomuceno. Mantém no Facebook um grupo destinado a relembrar o Conjunto Musical Big Brasa.


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