terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Eu tive muita liberdade na minha juventude e nenhum problema com governos militares


Fui jovem e tive liberdade durante todos os governos militares; nunca tive nada contra, pelo contrário! Podia andar tranquilamente nas ruas do bairro onde morava, em Messejana, passear pela cidade inteira, Fortaleza, sem ter medo de assalto. Ora, sequer nós pensávamos nisso. Lógico que, pela idade, não tinha muitos conhecimentos sobre o país. Naquela época desejei muito servir ao Exército. Não o fiz por causa da Música, que exercia profissionalmente naquela época. Mas depois pude contribuir modestamente com o Brasil ao ter trabalhado na nobre Atividade de Inteligência, serviço reconhecido como relevante para a Pátria!
E tudo isso nos governos militares!

UMA JUVENTUDE FELIZ
 
Andar pela Rua Pedro Pereira para comprar equipamentos para o Conjunto Musical Big Brasa, que tínhamos. Tudo de bom. Sem sobressaltos nem medo de ser assaltado. Fazíamos serenatas em Messejana até altas horas da madrugada, sem medo de nada porque era tudo muito seguro. Quando fiz exames no DETRAN e tirei minha Carteira de Motorista, dirigi por quase todo este Ceará com o pessoal do Conjunto para animar bailes, no interior do Estado. Na Capital, Fortaleza, nem se fala. Os deslocamentos eram constantes. Não existiam os fotossensores, radares, nada que lembrasse a verdadeira indústria de multas que existe atualmente, quando não podemos mais dirigir apenas olhando para frente e para a estrada, como é o correto.  
E tudo isso nos governos militares!

ÉRAMOS LIVRES, COM UMA VIDA SERENA!

Lembro ainda que nossa turma e posteriormente eu e minha família chegamos a fazer vários acampamentos na Praia da Abreulândia, na Prainha, onde passávamos às vezes mais de um dia. Certa vez passei um carnaval inteiro acampado, com a família! Loucura? Não! Segurança, sensação de segurança. Hoje se uma família foi acampar nos referidos locais pode se despedir do mundo porque será fatalmente roubada, assassinada ou qualquer coisa ruim do gênero...  

Estudava música no Conservatório Alberto Nepomuceno, onde me formei. Atuava como músico em vários eventos. Viajava por tudo que é cidade sem problemas.
E tudo isso nos governos militares!

REGISTROS NA POLÍCIA FEDERAL

Lembro que tinha que fazer o registro de contratos do Conjunto Big Brasa também na Polícia Federal. Não sabia o motivo. Mas e daí? Quem não deve, não teme!", conforme o ditado. Mas logo que saiu esta norma levei o primeiro contrato para ser registrado na Polícia Federal. Fui recebido normalmente por um funcionário (nunca soube qual era o cargo dele). Perguntou o meu nome, anotou, quis saber se eu tinha algum apelido – e eu disse que sim, “Beiró” como era conhecido no meio artístico, na televisão e no conjunto. Naturalmente a Polícia Federal, como o país estava em luta contra um grupo que tentava instalar o comunismo no Brasil, fazia seus controles. Eu atravessava uma época conturbada, mas sem entender direito o que se passava, visto que meu profissionalismo era voltado para a música. Mas vale dizer que nunca assaltei bancos, participei de guerrilhas, de atos terroristas, sequestros etc. como muitos o fizeram. E até hoje, depois que aprendi um pouco, sou plenamente a favor da via pacífica para tudo.
E tudo isso nos governos militares!

A SEGURANÇA PÚBLICA E O RESPEITO À VIDA

Polícia era respeitada e temida pelos marginais, em bem menor número do que na atualidade. Quase não tinha conhecimento de crimes, de assassinatos. Quando morria uma pessoa em meu bairro todo mundo ficava chocado. Mas não me lembro de “ter medo da polícia” em nenhum momento. Fui parado em diversas “blitz” pelos “tetéus”, aqueles Fuscas utilizados pela polícia. Em Messejana, Fortaleza e vários outros locais. Tudo sem problemas! Mostrava a documentação e seguia o caminho normalmente.
E tudo isso nos governos militares!

PODÍAMOS ADQUIRIR ARMA PARA NOS DEFENDER

Todo cidadão tinha o direito de adquirir uma arma para seu uso, munição etc. Eu sempre gostei de armas e adquiri algumas delas em minha juventude; tudo dentro da lei. Pedia autorização da Secretaria de Segurança Pública e comprava a arma na loja. Pronto. A responsabilidade pelo uso estava escrita nas leis. Nunca tive nenhum incidente com arma de fogo, nenhum conflito, nada! Ao viajar pelo interior do Estado levava a arma (tinha um Porte Estadual de Arma para isso). Sempre a mantive em segurança de meus filhos, pois adotei à risca todos os procedimentos adequados para a guarda de armas.  
E tudo isso nos governos militares!

E HOJE O QUE ACONTECE? O Estatuto do Desarmamento realmente desarmou os cidadãos quase todos. Ficaram de fora apenas os policiais, com sua profissão nobre de defender a sociedade, mas com armamentos defasados e insuficientes e de outro lado os bandidos, que podem ter tudo o que puderem comprar. Até artefatos para derrubar um helicóptero da polícia como já o fizeram.

E A SITUAÇÃO ATUAL, CONFIRA:

 
Não temos mais um governo militar... Temos uma democracia! E o que mudou?

1)       Mas em “compensação” temos a infelicidade de estar no auge de um caos na Segurança Pública. Em todos os cantos do país. As drogas invadiram todos os pontos e o tráfico ganha a batalha contra as forças de segurança, infelizmente. O Estado é fraco para combater o crime organizado. Porque ele (estado) é desorganizado. O poder do Estado é fraco demais.
2)      Vivemos em Fortalezas, guarnecidos por muros altos, cercas elétricas, câmeras de segurança, alarmes, portões constantemente fechados. Uma existência muito parecida com prisões domiciliares;  
3)       Escândalos se sucedem em todos os níveis, órgãos e esferas do poder; verdadeiras máfias se infiltram nos órgãos para furtar, desviar, praticar ilícitos de toda ordem;
    4) Impunidade é uma palavra que está estampada em inúmeros casos e ocorre em todo o país. E essa impunidade que vem de cima para baixo contribui para a perda dos valores morais e espirituais de uma Nação;
      5) Desvios de recursos em prefeituras diversas, empreiteiras, fraudes até mesmo em vários benefícios sociais para o povo, como o Seguro-Desemprego; o descaramento é total, na certeza de que se possuem dinheiro ou poder estarão logo livres (isso se foram descobertos), porque em muitos casos atuam livremente...
6)      Temos nesta democracia representantes políticos no Congresso Nacional que recebem muito para produzir pouco. E ainda há aqueles que se dão ao luxo de pegar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer implante de cabelo em outro estado! No meu entender uma coisa inconcebível. Mas aconteceu e nada foi feito. E muitas irregularidades aparecem nos noticiários no dia a dia aumentando de forma surpreendente a impunidade. A população fica indignada com isso!

Sim, não temos mais um governo militar. E possivelmente, a persistir a desordem em uma democracia, não teremos mais o Brasil! Precisamos, sim, corrigir nossa Democracia!

(*) João Ribeiro é atualmente diretor, analista de conteúdo e editorialista do Portal Messejana. Escreve também para seu blog – o Blog do João Ribeiro, no qual aborda assuntos de interesse geral da comunidade e de outros campos de expressão do poder nacional; também é Analista de Informações do Ministério do Trabalho, aposentado, cargo hoje denominado Oficial de Inteligência na atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) da Presidência da República. 



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