terça-feira, 2 de julho de 2013

Presidenta Dilma, será que a senhora entendeu direito as manifestações?


Várias causas levaram o País a despertar e iniciar uma mobilização há muito tempo não vista, contra problemas de toda ordem. Transportes melhores, Saúde, Educação, mais segurança para a população, menos impostos e melhores serviços públicos são algumas das reivindicações. As gotas que enchem um copo d’água foi o título de matéria sobre o assunto.

Sobre as várias causas da insatisfação

Com início reivindicando a diminuição de custos nas passagens de ônibus os movimentos se espalharam pelo país inteiro e o leque de reivindicações aumentou. As manifestações apresentam reivindicações contras os altos impostos arrecadados pelo governo e não retornados ao povo na proporção adequada, contra o fim da corrupção em todos os níveis, contra a impunidade generalizada, contra a violência que se espalha em todas as cidades a níveis assustadores, a favor de melhorias na área da Saúde, que se encontra em estado lamentável, com hospitais, postos de saúde com deficiências enormes, falta de pessoal qualificado, de equipamentos, de remédios, o que gera um problema social grave no setor, com longas filas, mau atendimento e problemas diversos.

É importante frisar e enumerar tantas causas porque se observa que mesmo depois de os manifestantes (Movimento do Passe Livre), contra o aumento de R$ 0,20 centavos nas passagens de ônibus terem conseguido seu objetivo principal os protestos não cessaram. Muito pelo contrário tiveram até mesmo sua intensidade aumentada, com a adesão de mais pessoas, conseqüentemente levantando outras bandeiras reivindicatórias.

A classe política e os partidos

A insatisfação contra a classe política, com a corrupção e com a gestão do país como um todo (inclusive vários Estados e municípios, especificamente). Os gastos com a Copa das Confederações e preparos para uma Copa do Mundo também entraram no rol dos protestos, porque a população entende que as prioridades não são essas.

Nítido posicionamento contrário à participação de partidos políticos nos protestos demonstra também que o povo não está satisfeito com a classe política (e não poderia mesmo estar). Assim o que se viu foram bandeiras de partidos políticos sendo queimadas, rasgadas e ativistas representantes de partidos serem expulsos e afastados dos protestos.

As manifestações em todo o Brasil

Os movimentos realizados são, em sua maioria, pacíficos. Mas uma quantidade enorme de tumultos é registrada ao longo do período, decorrente de infiltração de vândalos, criminosos que se aproveitam da onda de protestos para assaltar, depredar o patrimônio público, furtar lojas e bancos etc. E isso também é inadmissível.

O despreparo das forças de segurança na situação

A partir de Brasília, onde prédios governamentais foram atacados e depredados, passando por outras cidades de grande porte, é fácil constatar a ação retardada dos órgãos de segurança (polícias, guardas municipais etc.) para proteger o patrimônio público e também para controlar os manifestos – nesse caso particularmente as infiltrações e ações de grupos de vândalos, e ladrões oportunistas. A polícia, atordoada, não conseguiu controlar todo e todos e várias ocorrências foram registradas. Rebatendo as agressões e tentando coibir os atos de vandalismo muitas vezes excede na força empregada ou atingem pessoas que apenas desejam se manifestar livremente. Mais um complicador na questão. Isto significa que não há um preparo adequado das forças de segurança, nem um planejamento eficaz para tais situações. E fornece indicadores de que os efetivos policiais, da estrutura e dos planejamentos são deficientes, ensejando um aumento desenfreado da violência em todo o País.

Em Fortaleza tivemos no dia 13 de junho em junho a ação de um movimento intitulado Fortaleza Apavorada, que nasceu de um grupo formado em uma das redes sociais, o Facebook, e em pouco tempo ganhou mais de 20 mil adesões. O grupo se manifestou contra a situação de violência e desamparo que se encontra a cidade no que diz respeito à criminalidade, a falta de segurança etc. É uma forte demonstração que as ações de combate ao crime não estão sendo suficientes e há necessidade de muito mais.

Na verdade, em Fortaleza e suas áreas adjacentes a situação é crítica e não se pode mais sair com tranqüilidade. O número de assaltos é impressionante. E o desarmamento da população, em especial daqueles que são cidadãos, não contribuiu para a diminuição da criminalidade e sim para o aumento dela, tendo em vista que delinqüentes não precisam de licenças ou portes de arma para assaltar ou matar. Entendemos que o desarmamento foi uma medida simplória para um governo que não tem condições de fazer cumprir as próprias leis do país, e genericamente impôs o controle de armas, o que seguramente não virá a resolver o problema da violência. 

O silêncio por muito tempo do governo federal
 
O governo federal, atônito com a situação em todo o país, esperou muito para se recuperar do susto. E após vários dias de manifestações generalizadas aparece com a figura da Presidenta Dilma Roussef, com propostas da realização de um plebiscito que gira basicamente em torno de questões eleitorais. Os pronunciamentos da Presidente geraram um grande número de opiniões contrárias no sentido de que não houve bom assessoramento da Presidenta no que diz respeito às propostas apresentadas.

Ao contrário do que a população reivindica e que mereceria, em nosso entendimento, respostas mais rápidas por parte dos gestores, dos políticos e de todos os envolvidos no problema, o caminho escolhido pelo governo não nos parece acertado e certamente será o mais longo e tortuoso. Em outras palavras parece que a preocupação do governo está somente nas eleições vindouras e não com o agravamento dos problemas já mencionados, nas áreas da Educação, Saúde, Segurança, contra altos impostos e má qualidade de serviços oferecida para a população.

As sucessivas reuniões e criação de comissões para examinar, consultar, elaborar propostas demonstram que o próprio governo estava perdido em meio a seu gerenciamento do país e tenta corrigir isso de forma mais rápida possível, o que é impossível.

O que se espera disso tudo?

Vamos esperar que as inteligências que estão ao lado da Presidente demonstrem bom senso e alertem Dilma Rousseff para a realização de ações mais rápidas, partindo do governo federal e assim servindo de exemplo para os governos estaduais.

Paralelamente o próprio Congresso Nacional tem que agir também de forma rápida. Cortar mordomias, acelerar os trâmites de projetos, enfim, agilizar e tentar reverter a péssima imagem que os parlamentares através de suas ações disseminam por todo o país. Como se admite um parlamentar ganhar altas somas entre salários e benesses enquanto o povo ganha apenas um salário mínimo irrisório e que não garante suas necessidades?


Paralelamente o próprio Congresso Nacional tem que agir também de forma rápida. Cortar mordomias, acelerar os trâmites de projetos, enfim, agilizar e tentar reverter a péssima imagem que os parlamentares através de suas ações disseminam por todo o país.

Mais ações do governo e não perguntas para a população

Assim, entendemos que um plebiscito sobre questões eleitorais e forma política não seria adequado no momento. E sim uma convocação dos parlamentares ao trabalho. E aos gestores, em todos os níveis de governo, na busca de soluções e maior agilidade em suas ações.

Em última análise, as dificuldades encontradas pelo governo são decorrentes de que há bastante tempo as ações estão emperradas, não se trabalha com afinco. E quando se quer consertar tudo de uma vez só é impossível.

Não conseguimos entender o que tem a ver assuntos como financiamento de campanhas eleitorais, voto distrital etc. com os protestos atuais. A persistir a situação é de se esperar um recrudescimento de ações reivindicatórias, desta vez com a inclusão de associações, sindicatos e outras agremiações visando pressionar o governo por melhorias de toda ordem e nos mais variados setores.
   
                                                                                                                         

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