quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O que é saudade? O que significa amizade? E como se pode definir o amor?

Um colega meu dizia às vezes: “por que você só pergunta coisas difíceis?”. E ele estava certo. Existem algumas indagações complicadas, que muitos poetas, escritores, tentaram responderam e o fizeram, cada um a sua maneira. E eu também me atrevo, modestamente, a escrever alguns conceitos sobre o assunto. De forma a reconhecer mudanças, com o amadurecimento das idéias, nunca tinha me imaginado escrevendo sobre este tema. Saiba que os tenho e respeito, com muito amor, minha amizade é sempre verdadeira e sentirei saudade de todos vocês.  

O QUE É SAUDADE
Saudade, por exemplo, é o que eu sinto de meus pais, que já não estão mais conosco. Ela é constante, não vai acabar nunca até que eu me vá também para a longa viagem. Mas a saudade que sinto hoje é mais amena, não deixando de ser intensa. Sinto falta da presença de minha netinha Isabela, quando ela brinca comigo, apontando para o meu cabelo, fazendo as caretinhas de jacaré e outros tantos gestos legais.

O sentimento saudade está presente também com minha cidade natal, São José dos Campos, dos tempos de infância, de ir ao colégio de calças curtas e com muito frio, no Olímpio Catão. Ficava nas paradas de ônibus sozinho, assistia às aulas e voltava para a Vila Ema pela Esplanada. Hoje deve estar tudo muito diferente.  A palavra é complicada e seus múltiplos significados mais ainda, até mesmo porque não há tradução para ela em alguns idiomas. E sobre a amizade?

A saudade aflora também quando me lembro dos tempos em que eu praticamente vivia a música! Dos ensaios, dos muitos bailes tocados, das guitarras que usei e dos acessórios, como os diversos tipos de pedais de efeito, das brincadeiras do grupo. Um período excepcionalmente marcante para mim.

AMIZADE E SEU SIGNIFICADO

Agora vem a amizade. O que dizer sobre ela? Sei bem que é formada por um conjunto de fatores como a simpatia, a combinação de gostos, a parceria e a troca mútua de uma conversa sempre franca. Mas é pouco para falar sobre amizade. Seria a atração física também um fator preponderante? Talvez.

No princípio há o que chamamos de empatia, que significa “a capacidade psicológica para sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. A empatia é diferente da simpatia, porque a simpatia é majoritariamente uma resposta intelectual, enquanto a empatia é uma fusão emotiva.

Enquanto a simpatia indica uma vontade de estar na presença de outra pessoa e de agradá-la, a empatia faz brotar uma vontade de compreender e conhecer outra pessoa. Na amizade a pessoa se integra com a outra ou a outros grupos de forma espontânea e leal. Reconhece o que admite serem defeitos ou virtudes do semelhante, mas o acolhe de forma ímpar. Uma amizade verdadeira, na acepção legítima da palavra, é muito difícil, porque só a poderemos avaliar em momentos de necessidade ou de dificuldades.

E O AMOR?

Quem seria eu para descrever tal palavra? Muito difícil porque até escritores geniais fizeram suas considerações sobre o amor. Mas, analiticamente, posso sintetizar o que acho que seria o Amor. Um conjunto de fatores, como o coleguismo, companheirismo, admiração mútua, respeito, atração física, intelectual ou psicológica, o próprio sexo nos casos de amor entre casais, uma troca incessante de interesses em favor do outro. Em meu entendimento o amor pode se encontrar em diferentes situações. Há o amor por uma causa, por uma ideia. O amor pode estar ligado também a uma religião, seita ou o que valha. Você pode ter amor por seu cônjuge, mas ao mesmo tempo ter amor por outras pessoas, indistintamente, o que em nada atrapalharia seu relacionamento. Há amor até pelos animais, quando você pode ter sua atenção voltada para aquele ser que você gosta muito.

Para não tentar explicar mais uma vez o inexplicável, é o seguinte: o amor existe, em diversas formas. Pode ser aplicado sem medo e usado como um remédio sem nenhuma contra-indicação. No momento em que você diz que ama algo ou alguém, não quer dizer especificamente que aquele espaço de “amor” esteja ocupado. Ele é reservado com mais ou menos características para casa ocasião. Ou seja, o amor é infinito é não pode ser apenas utilizado para expressar um sentimento de união de dois seres. Porque se assim fosse não poderíamos amar a Deus. Ou não?

Assim, da mesma forma que eu amo minha mulher, meus filhos, meus familiares, meus amigos mais próximos, posso amar até mesmo os amigos virtuais, com a modernidade hoje existente. E isso tudo de forma sincera. O desamor pode também ocorrer em todas essas situações. Comigo ocorre o seguinte: como o amor é uma forma de troca, de dádivas, de entrelaçamentos diversos, somente consigo amar a quem também me corresponde através das inúmeras maneiras descritas.    
UM QUESTIONAMENTO FINAL:

E coloco um questionamento, talvez o mais difícil: o amor seria “eterno”? Pode ser que sim e pode ser que não, dependendo das nossas próprias situações de vida. Na natureza, como bem sabemos nada é eterno, tudo está sob constante processo de transformação. O amor “eterno” persistirá apenas espiritualmente, pois nesse estado os processos certamente são um mistério para nós e o amor pode perdurar. O tempo dirá e um dia saberemos as respostas.


(*) João Ribeiro é Analista de Informações do Ministério do Trabalho, aposentado, cargo hoje denominado Oficial de Inteligência na atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN); atuou também na Chefia da Segurança Orgânica, de Informática e da Documentação, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Atualmente é Diretor do Instituto Portal Messejana e escreve também em seu blog, no qual aborda assuntos de interesse geral da comunidade e de outros campos de expressão do poder nacional. É também um apaixonado por música e participou ativamente nos Anos 60/70, do movimento Jovem Guarda, no Ceará, com oConjunto Musical Big Brasa. 


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