quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A teoria dos círculos concêntricos

Em nossas vidas passamos por muitas coisas às vezes sem perceber. Pela falta de tempo ou simplesmente por não atentar à nossa volta. O aprendizado se faz, de qualquer maneira, nas condições de cada ser humano, influenciado pelo ambiente em que vive, pela família, amigos e a sociedade globalizada que hoje existe. Mas alguns acontecimentos ficam, marcam, principalmente quando são incorporados pela nossa mente e passam a nos auxiliar o tempo inteiro, nas mais diversas áreas de atividades. Observe o alvo ao lado e sua parte central!

Estas palavras destinam-se a homenagear uma pessoa digna e um exemplo de vida e, por outro lado, proporcionar aos meus amigos, alunos e professores da CGK-DOJO, pela qual tenho o maior apreço, um conhecimento simples, mas importantíssimo para toda a vida se bem compreendido e seguido à risca.

Vamos a seguir tentar retransmitir a outras pessoas e tentar fazer uma adaptação para o Karatê, estilo Shotokan, uma parte das várias lições recebidas de meu Guru, ex-chefe, amigo e pessoa extraordinária, do Exército Brasileiro, Cel. Mário Ramos Soares. Apenas para dar uma idéia do conceito que temos a respeito dele, meu falecido pai Alberto Ribeiro, após ter conhecido o Cel. Mário e saber por meu intermédio de muitas histórias dignas de registro, de ter tomado conhecimento de muitas ações de cidadania de sua parte, e por seu, caráter, dignidade, sabedoria, justiça e bondade, dizia: “O Coronel Mário é uma espécie em extinção no mundo e no Brasil principalmente”. E eu complementava: “Bastava em cada Estado da Federação ter um Cel. Mário liderando e o País estaria salvo”.

Uma lição de vida a cada dia e um exemplo a ser seguido

Ao final de cada dia de serviço o Cel. Mário me chamava e ministrava, informalmente, uma aula. Qualquer que fosse o assunto eram conhecimentos diversos que ele me transmitia. E cobrava depois, sem brincadeira. E assim eu consegui assimilar muitas coisas boas em sua convivência. E por último tive a honra de substituí-lo, por sua própria indicação, em uma Chefia de grande importância por muitos anos, na Atividade de Inteligência, para o governo federal.

Os Círculos Concêntricos

Mas bem, um dia o Cel. Mário me perguntou se eu conhecia a teoria dos círculos concêntricos e eu lhe respondi que não. Passou então a demonstrar o que segue e que futuramente eu viria a transmitir para muitas pessoas, em particular aquelas mais jovens que necessitam de experiência.

Como funciona a teoria dos Círculos Concêntricos

É bastante simples: partindo-se do princípio da figura ao lado temos a representação, nos diversos círculos, daqueles conhecimentos que uma pessoa deve possuir. Mas não basta ler e achar que já aprendeu... Temos que escrever e registrar no papel todos os passos e depois memorizá-los, tomando exata consciência do que é para ser feito e construindo uma mentalidade positiva em relação ao aprendizado. Procure assimilar os passos seguintes e fazer uma relação de todos os conhecimentos que deseja manter permanentemente em sua mente, de acordo com as necessidades de cada um. Exercite, não deixe de escrever bastante e pensar em suas prioridades. Vamos lá então: 

TEM QUE SABER!

No círculo central, (nº 1) está tudo aquilo que a pessoa TEM QUE SABER!

São as prioridades, de acordo com cada função ou atividade que o indivíduo desenvolve. São as atividades e conhecimentos INDISPENSÁVEIS, sem os quais a pessoa torna-se incompetente para o bom e correto desempenho da função ou da missão.

Tomando-se, por exemplo, o Karatê, quais seriam os conhecimentos ou técnicas que o karateca TEM QUE SABER?

Como resposta simples: um karateca deve conhecer todas as defesas, as posições de base, as principais formas de ataque, como movimentar-se em um combate, como empregar de forma conjunta o corpo, a mente e o espírito no sentido de vencer os obstáculos. O conhecimento e o respeito sobre todas as atitudes no DOJO. Tudo isso o praticante TEM QUE SABER. Isto significa que ele é obrigado a saber e nada justifica que não saiba, principalmente quando se trata de alunos graduados.

A cor de uma faixa, simplesmente, não demonstra o que o praticante verdadeiramente É ou aquilo que SABE. São os seus atos, suas práticas e suas maneiras e seu espírito que denotam e exprimem tais sensações ou impressões. O interesse em aprender está no pequeno CÍRCULO CENTRAL onde está escrito: TEM QUE SABER!  

O CÍRCULO DEVE SABER!

No círculo seguinte (nº 2), os conhecimentos que a pessoa DEVE SABER.  Seriam conhecimentos adicionais, muito importantes, que serviriam de subsídios ou “bagagem” teórica ou prática para a atividade exercida. Também como respostas ilustrativas e didáticas, de minha parte, consideramos que o praticante de karatêDEVE SABER: dados históricos sobre a arte marcial, como a história do karatê (pelo menos sua origem); como e onde o karatê nasceu, no caso do Shotokan, como se procedeu a mudança, feita por quem etc.DEVE SABER também como se comportar como pessoa diante de seus semelhantes e principalmente como se portar no DOJO com seus mestres e colegas;

Ainda constaria do círculo DEVE SABER: conhecer os principais termos (nomenclatura) utilizados nas práticas; DEVE SABER e ter plena consciência da ética e do respeito durante e fora das aulas, de modo particular para com seus professores e com os mais velhos, os quais são certamente uma fonte de experiência para suas vidas.  DEVE SABER que nos treinos e nos combates cada um tem o seu limite; DEVE SABER quais são os equipamentos de segurança e proteção obrigatórios para as práticas; DEVE SABER que a humildade é ponto alto no desenvolvimento do espírito, pois nem mesmo os grandes mestres do Karatê se consideravam os maiorais, pelo contrário, mantiveram sempre a humildade no sentido de que “quanto mais sabiam, mais sabiam que não sabiam nada, em relação ao universo de conhecimentos...” E por aí seguiria a lista, com mais detalhes do que o aprendiz DEVE SABER.

PODE SABER!

Neste círculo (nº 3), PODE SABER, logicamente em se tratando do karatê, estariam conhecimentos acessórios como: noções básicas de anatomia, primeiros socorros, história geral do karatê, sua filosofia etc.

É BOM QUE SAIBA!

E por último, teríamos o círculo É BOM QUE SAIBA (nº 4). Neste se enquadram todos os demais conhecimentos julgados úteis em nossa vida, incluindo conhecimentos gerais, sobre arte, cultura, música, informática, saúde, além de outros voltados exclusivamente para a profissão que cada um exerce ou pretende exercer. O importante neste círculo é que a pessoa sempre busque o maior conhecimento possível sobre tudo aquilo que puder aprender. O nosso cérebro é pouco utilizado e se desenvolve mais na medida em que nós o treinamos, ou seja, quando mais se aprende mais ágil fica.

Considerações finais

Com essas palavras fica aqui explicitada a Teoria dos Círculos Concêntricos, esperando que a mesma venha a ser utilizada por aqueles que dela tomarem conhecimento e transmitida a mais pessoas, com o objetivo de compartilhar uma técnica do BEM.


Veja também nas redes sociais:

Nenhum comentário:

Postar um comentário