quinta-feira, 19 de março de 2015

O significado da fé, da ideologia e do fanatismo

Acredito que a raça humana possui um cérebro que é para ser nem utilizado, porque se não fosse assim já nasceríamos programados para ser bons estudantes, para acreditar nisso ou naquilo, para proceder de forma boa ou não. Assim nós devemos raciocinar. Não simplesmente acreditar em alguma coisa e nem ao menos admitir a possibilidade de estarmos enganados. Nós somos imperfeitos, ou não? O diálogo, o respeito e a boa convivência com nossos semelhantes certamente proporcionará o enriquecimento de todas as partes.

Fé é uma palavra que significa "confiança", "crença", "credibilidade". A fé é um sentimento de total de crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa. Fé é a firme opinião de algo que é verdade. Não existe dúvidas quando se tem a verdadeira fé, pois é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo. Podemos ter fé em uma pessoa, num objeto, numa ideologia, num pensamento filosófico, num conjunto de sistemas e regras, num paradigma, num dogma.

A fé muito arraigada transforma-se em fanatismo, e o fanatismo faz com que a pessoa não tenha a visão e a percepção periférica das coisas, vendo apenas aquilo em que ela acredita, tornando-se assim altamente prejudicial para o seu desenvolvimento humano.

A fé cega é aquela sem conhecimentos, sem experiência e sem vivência, é uma fé emocional. Estamos numa caminhada pela nossa evolução, mas para que esse crescimento aconteça temos que estudar, saber como as coisas funcionam e também procurar viver aquilo que aprendemos.

Só vivendo esse aprendizado é que teremos condições de abrir os olhos para os detalhes que se apresentam em nossa frente. A criatura que possui uma fé cega é aquela que na hora do desespero corre ao encontro de uma solução, que acredita em tudo que lhe dizem sem questionamento, é aquela que apenas repete fórmulas superficiais, formuladas e ditadas por esta ou aquela religião, pois não possui a base do aprendizado para discernir o certo do errado e assim vive desorientada e confusa diante dos problemas e situações mais difíceis.

Por outro lado Ideologia é um conjunto de ideias ou pensamentos de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos. A ideologia pode estar ligada a ações políticas, econômicas e sociais.

Os quatro estágios que a mente pode atuar

No estudo da Lógica existe uma parte que aborda os quatro estágios em que a mente humana pode agir. São eles:

1º IGNORÂNCIA
2º OPINIÃO
3º DÚVIDA
4º CERTEZA

No primeiro estágio, o da IGNORÂNCIA, a mente não sabe, não conhece nada do objeto e assim não tem como formular uma ideia. O próprio nome diz: Ignora o objeto.

Por sua vez no estágio da OPINIÃO a mente tem alguns dados para se basear, mas que não são suficientes para uma verdade. Então é o que se chama de “dar um palpite” sobre determinado assunto. A pessoa às vezes ouve uma coisa, entende outra e repassa mais outra, diferente das duas anteriores. Uma opinião pode estar CERTA, vamos admitir. Mas esta certeza veio sem base alguma de conhecimentos sólidos e verdadeiros.

No terceiro estágio, o da DÚVIDA, a mente humana se encontra em uma situação diferente: exposta a determinado assunto ou objeto sua mente possui conhecimentos que a levam a pensar em duas posições. Como exemplo, após ouvir várias testemunhas em um tribunal, os jurados por vezes tem motivos (indícios, provas, fatos) que podem o levar para uma absolvição ou para uma condenação do réu. Eles podem ficar em DÚVIDA e terão de decidir por seus próprios julgamentos e aferição das verdades apresentadas com o que sua mente realmente considerou. Quem está no estágio da DÚVIDA pode errar ou acertar, mas o fez baseado em dados que recebeu e que lhe proporcionou um estado de avaliação ou julgamento.

E o último estágio é o da CERTEZA. Ocorre quando a pessoa está diante de uma situação, fato ou estória e possui elementos suficientes (provas, evidências) para afirmar de maneira correta. Assim há uma plena convicção de que o objeto é coerente com todos os fatos, o que leva a mente a identificar claramente uma situação.

Ainda assim, no estágio da Certeza, a mente humana pode errar e nos trair, por nossa própria qualidade de seres falhos.

Assim concluímos que devemos ter muito critério ao externarmos nossos pensamentos sobre pessoas ou fatos dos quais não possuímos dados suficientes para aferir ou verificar sua veracidade.

Uma boa regra de conduta seria a de nos indagar, antes de emitir um conceito: “posso assinar embaixo do que escrevi?”

E por último, se temos a capacidade de raciocinar, que nos foi dada pela vida, seria um desperdício enorme apelar apenas para a fé, crenças ou despencar para o fanatismo, por segura insuficiência ou preguiça mental de analisar, cada situação ou fato, para saber se estamos em um estágio mental que possa der considerado saudável.

Lembre-se sempre que: quando duas pessoas dizem “ter certeza” sobre um mesmo assunto uma delas estará errada!

O diálogo, o respeito e a boa convivência com nossos semelhantes certamente proporcionará o enriquecimento de todas as partes.

João Ribeiro é atualmente diretor, analista de conteúdo e editorialista do Portal Messejana. Escreve também para seu blog – o Blog do João Ribeiro, no qual aborda assuntos de interesse geral da comunidade e de outros campos de expressão do poder nacional; também é Analista de Informações do Ministério do Trabalho, aposentado, cargo hoje denominado Oficial de Inteligência na atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) da Presidência da República. 


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