quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O primeiro encontro e uma amizade inusitada

Final de semana em um clima serrano, friozinho, pela madrugada, quando ouvi ao amanhecer batidas do outro lado da casa, no meio do mato. Certamente alguém cortando alguma coisa, batendo com um martelo ou coisa parecida... O som alto parecia que alguém estava cortando uma árvore. Tentei dormir de novo e de repente o som continuou mais alguns minutos, tempo suficiente para que eu acordasse. O que seria aquilo? Pensei. E resolvi levantar da cama, já que não conseguia mais dormir mesmo.

Quando estava lavando o rosto ouvi umas fortes e insistentes batidas logo atrás de mim. Pelo espelho percebi que um passarinho tentava entrar pela portinhola de vidro, que se encontrava fechada... Ele voava e vinha de encontro ao vidro, batendo com força total! Era impressionante! Fazia um barulho grande com seu verdadeiro ataque aéreo... Não percebia a existência do vidro e tentava entrar de qualquer maneira, acho. Talvez fosse sua mania, acostumado a beber água que por vezes vazava da pia...

Fiquei impressionando com a insistência do amiguinho e logo abri a portinha para que ele pudesse passar - se quisesse. Mas que nada. Ele se assustou e foi embora. No dia seguinte, cedinho, o mesmo som... E eu acordei já pensando: será que é o meu amigo passarinho de novo? Fui verificar e era ele mesmo! Então procedi da mesma maneira, só que mesmo deixando a passagem aberta ele não mais voltou.

Nas saídas de nossa casa na serra acostumei deixar a passagem do “meu amigo” aberta, para que ele pudesse matar a sede quando quisesse retornar. Por que eu impediria aquele pequeno ser de usar um pouco de água?

E mais algumas idas e vindas, só que eu esperava pelo retorno daquele amigo e nada. Tinha sumido...

Algumas semanas depois, muito bem: chegamos novamente para mais uma pequena temporada. Logo depois de acomodar tudo na casa e depois do almoço, desta vez, estava fazendo a barba quando vi, para minha surpresa e alegria, o passarinho de novo! Bateu no vidro e voou. Como se quisesse me dizer: estou aqui ainda, amigo! Fiquei alegre com essa volta e me apressei em colocar algo para ele comer, ao lado da portinha. Uma tentativa de dizer olá, seja bem-vindo.

E vamos esperar para ver o que acontece. Ele deve estar certamente por aí, na natureza do Maciço de Baturité, pelas árvores de Pacoti, feliz da vida, curtindo sua jornada. Amanhã, quem sabe, virá novamente me acordar. Pode parecer muito estranho, mas por outra pequena janela da casa entrou rapidamente um passarinho, fez um vôo de reconhecimento interno e saiu pela janela da frente. Não sei se é o mesmo, mas prefiro acreditar que sim. Que era o meu amigo passarinho, aproveitando as portas abertas da casa para nos dar as boas vindas.

E assim repasso para vocês esta simples história de uma amizade inesperada!


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