quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A importância de um conhecimento prospectivo na área de Inteligência

Os serviços de Inteligência em todo o mundo servem 

para assessorar seus respectivos governos e abastecê-los de informações úteis para a consecução de seus objetivos, em todas as áreas. São conhecidos como serviços secretos exatamente pela sensibilidade da atividade por eles desenvolvida. Dentre muitas outras nuances que os serviços de inteligência possuem esta é uma das maneiras de evidenciar a importância da Atividade de Inteligência. Mas como a Atividade de Inteligência se manifesta? Como produz seus documentos para assessorar os governos? E que tipo de documentos produz para os governos? São muitas as interrogações que uma pessoa leiga no assunto pode ter.  

Um Relatório de Inteligência ou qualquer outro nome que um documento possa receber, nos diferentes serviços de inteligência e países, pode tratar especificamente de um caso, um fato em andamento e conter descrições sobre o que já ocorreu (sobre o passado) ou mesmo o presente que está em vias de uma evolução. Quando um assessoramento informa que tal fato “já ocorreu” não dá chances para a autoridade mudar nada. Ela simplesmente vai acompanhar os acontecimentos. É como se fosse uma notícia de jornal, apenas.

Os conhecimentos prospectivos

Em nosso entendimento uma importância absolutamente maior deveria ser atribuída àqueles documentos “prospectivos”, que são elaborados de acordo com técnicas específicas, cientificamente, após muito trabalho mental, de coleta e de busca de dados, com o objetivo de conseguir projetar para um futuro (ou prever) um fato que possa ocorrer (ou não, se evitado). Isso é que tem um real significado e pode influir decisivamente na esfera dos gestores maiores de um país.

Exemplo: a seca no nordeste brasileiro, quando informada depois que acontece ou quando está acontecendo, seu acompanhamento vai ajudar nas decisões governamentais certamente, mas não de forma que possa prevenir o governo para se antecipar a situações calamitosas no campo com a falta d’água, tanto para o homem do campo, a agricultura e as criações de animais. 

Por outro lado se documentos prospectivos fossem produzidos (estudos de larga abrangência, amplitude e principalmente voltado para um futuro pré-definido), as situações poderiam ser analisadas antes dos fatos ou situações ocorrerem. Isso possibilitaria uma tomada de providências, de um conjunto de ações bem mais efetivo, certamente.   

Uma das orientações que os próprios governos deveriam receber de forma contundente de seus serviços de inteligência seriam essas: a de incentivar e de solicitar pedidos para a confecção de tais tipos de documentos. Como exemplo, no Brasil, não seria interessante um estudo de como ficariam as despesas com a Copa do Mundo 5 (cinco anos) depois do evento? Que benefícios ou prejuízos o evento poderia trazer para o país? Muito importante seria uma previsão dessa natureza. E outra mais: a persistir o atual estado da área da saúde e da segurança, como estará o Brasil daqui a 10 (dez) anos? Com estes dados, estas previsões, elaboradas por quem sabe e de forma científica, seria bem mais fácil administrar o futuro quando ele chegasse. Ou então agir de forma a mudar esse futuro, quem sabe?

Concluindo, o conhecimento prospectivo é uma forma INTELIGENTE de tratar e de assessorar os governos em toda parte. E se são chamados Serviços de Inteligência, Atividades de Inteligência, porque não utilizá-los?


João Ribeiro da Silva Neto  

(*) É Analista de Informações do governo federal, cargo denominado atualmente como Oficial de Inteligência, com serviços prestados na Área de Inteligência para o Ministério do Trabalho e para a Presidência da República. Hoje, aposentado da Atividade de Inteligência é Diretor do Instituto Portal Messejana. 


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