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A importância da família em nossas vidas

PROJETO “FAMÍLIA RIBEIRO DA SILVA” -  A importância da família em nossas vidas Em primeiro lugar destaco uma constatação extremamente óbvia:...

domingo, 21 de novembro de 2021

Férias de infância em Balsas, Maranhão

A cidade de Balsas, no sul Maranhão, foi o ponto de origem de minha família. Apesar de meu saudoso pai ter nascido na cidade e minha querida mãe na cidade vizinha, Riachão, eu nasci em São José dos Campos, em São Paulo, onde eles moraram catorze anos. Depois de minha chegada em Fortaleza foram algumas vezes quando criança e outras tantas na juventude e idade adulta que me desloquei para Balsas, com o objetivo de passar as férias, brincar muito e depois tomar muito banho naquele rio maravilhoso, o Rio Balsas, com suas águas límpidas e cristalinas, em especial nos meses do meio do ano. Quando muito novo apenas nos banhos de rio acompanhados e mais tarde me atrevendo até a pular da ponte antiga uma vez. Uma sensação momentânea que para que não conhece é indescritível.

Viagem de avião

Uma das viagens foi de avião, pela companhia aérea Cruzeiro do Sul, acompanhado de minha prima Lourdes Santos (Lourdinha) que morava em Fortaleza e me levou para a casa da Tia Lourdes Pereira, casada com o Dr. Gonzaga. Voo pinga-pinga, de Fortaleza a Balsas eu acredito, pelo que conheço hoje em dia, que a rota aérea seria mais ou menos por cima do que hoje é a CE-020. Nota: resta dizer que desta viagem, realizada em 1961 para o ano de 2021 o aeroporto de Balsas não mais funcionou para voos comerciais, operando apenas com aeronaves particulares e que somente agora segundo notícias o aeroporto será redimensionado para voos e preparado para receber aeronaves maiores. 

Os encantos do Rio Balsas

O Rio Balsas, até hoje a atração maior da cidade, com a sua ponte de madeira e os portos, onde homens e mulheres tomavam banho em locais distintos. Depois dessa temporada tudo se transformou e a cultura da igualdade teve início.

Um mês inteiro de novidades!  

E os parentes mais próximos, as pessoas que com eles conviviam e os ajudavam como a Nilza, que gentilmente cuidava de minha roupa e a engomava com aqueles ferros quentes na brasa. Lembro muito do Baltazar, que trabalhava para a Farmácia e de outro funcionário chamado Zé. Ainda dos primos, além da Lourdinha, de seus queridos irmãos e meus primos José Bernardino e Gonzaguinha (in memoriam). Como o meu pai tinha me dado uma mesada para eu poder gastar alguma coisa em Balsas eu entreguei logo aquela grana para a Tia Lourdes, pedindo que ela tomasse conta para mim. E depois ficava pedindo um pouco para comprar pilhas e luzinhas para fazer pequenas instalações de acender as lâmpadas ao lado da cama, montadas com buriti, que é um tipo de palmeira existente na região amazônica usada para fazer flutuar as antigas balsas, com seus talos amarrados como também de fácil manuseio para o artesanato. Havia quem fizesse carros de brinquedo, aviões, tudo de buriti! E dessas palmas se extraiam os “pregos” que nada mais eram do que pedaços dos talos que seguravam as partes em todas as montagens.

Moravam na mesma casa, além logicamente da família da Tia Lourdes, também o Nazir, que era um auxiliar, muito bem tratado, mas que quando saía na rua na época sofria demais o que chama “bulling” por parte da meninada, quando ele ficava muito zangado, mas parece que não entendia muito bem as coisas. Certamente tinha alguma deficiência. Comigo o Nazir sempre foi legal e mostrava seu sorriso tentando murmurar alguma coisa, quando nos encontrávamos pela casa. E ainda: a história do mudo do Salomão, que existia na cidade. Uma pessoa que tinha um fôlego enorme e que conseguia atravessar o rio, por baixo d’água, levantar um braço, mergulhar novamente e retornar para a mesma margem do rio! Soube que ele foi quem mergulhou uma vez para amarrar um cabo de aço em um caminhão que tinha caído no rio, acontecimento que muitos presenciaram.

Umas férias e tanto

Neste mês eu conheci de tudo: garapa de rapadura, beber água no pote e na moringa, luz elétrica que só funcionava até as 22 horas e depois tínhamos que acender as lamparinas. Vi também geladeira a querosene! E faltou essa: ser presenteado pela Tia Lourdes com um “saco de refrigerantes”. Sim, as garrafas de guaraná vinham dentro de um saco, com muita raspa de madeira para não quebrar. Enfim era uma surpresa atrás de outra. E uma das sensações era a de ir até ao pequeno aeroporto esperar os aviões que traziam os filmes para o cinema local. O pessoal ficava embaixo da asa do avião, para se proteger do sol, e ali esperavam os funcionários descarregar as bagagens que tinham pelo meio os rolos de filmes e cartazes que víamos em primeira mão! A realidade em Balsas era mais vida, pois em São José dos Campos, onde nasci, era uma cidade de clima muito frio e não tínhamos os contatos pessoais como os que eu encontrei em Fortaleza e em Balsas!

Uma mordida de cobra?

Pelo meio desse mês eu voltava da casa de minha avó materna, Nemézia Santiago Pereira, bem na esquina perto da loja do Sr. Joaquim Coelho, na Praça da Prefeitura hoje em dia. A vovó tinha uma quitanda, local onde eu admirava as mercadorias que ela vendia, ou seja, praticamente tudo!   Depois de tomar minha garapa de rapadura, que ela preparava com todo gosto, e de ter chupado algumas laranjas, retornava para o centro da cidade para a casa de Tia Lourdes. De repente bati o pé em uma pedra, me pareceu, mas pessoas em volta me mostraram uma cobra bem perto que se afastava rapidamente. Machuquei o pé e alguns diziam que tinha sido uma picada da cobra. Apressadamente corri para a casa onde o Tio Gonzaga, farmacêutico experiente, examinou o machucado, limpou e desinfetou tudo assegurando que não tinha sido nada de cobra, apenas o susto.

Um presente inesperado

Como o meu dinheiro rendeu: olhem como fiquei surpreso e muito feliz quando no final das férias estava me despedindo do pessoal e chegou a Tia Lourdes, me deu um abraço e perguntou: - Sabe aquele dinheiro que seu pai deu para você? E eu assenti com um gesto. E ela pegou um envelope e colocando em minha mão disse: - Pois guarde que ele está aqui e continua sendo seu!

Vieram diversas outras temporadas, em diferentes idades, que relatarei em outra oportunidade. Com todas as dificuldades do acesso pelas estradas até que em determinado ano fizeram o asfaltamento de Floriano, no Piauí, até Balsas, um trecho de 410 quilômetros, muito difícil de ser percorrido antigamente. Todas que até hoje me trazem recordações muito felizes. Dentre elas quando aprendi a dançar nas tertúlias, depois a época das brincadeiras de pera, uva e maçã com as meninas, as paqueras. E mais tarde com o nosso Conjunto Big Brasa, que foi o primeiro conjunto musical a se apresentar em Balsas, com guitarras, trazendo a novidade da Jovem Guarda. Inesquecíveis os passeios para a fazenda do Bernardino, com todos os parentes e amigos, as caçadas e pescarias, quando fazíamos acampamento em plena selva, muito acima da cidade de Balsas, subindo o rio em lanchas a motor.

Foram bons e inesquecíveis tempos que só retornam através de nossas lembranças!

João Ribeiro das Silva Neto

Em novembro de 2021

 


segunda-feira, 8 de março de 2021

Organização, Foco, Prioridades

  


A ordem do que fazemos no dia a dia é muito importante, focar nas atividades, estabelecer prioridades também são fatores que devemos observar em nossas vidas. Mas o que teriam eles com a Ansiedade? Em meu entendimento, permeando os itens acima mencionados, a ansiedade, nos limites toleráveis, deve e sempre existirá em nós. Em meu caso particular tem funcionado muito bem, contribuindo com a quantia certa de responsabilidade nos afazeres.

Uma das questões que observei ao longo de minha existência e que até agora tem sido motivo de análises periódicas, de reflexões, é sobre como devemos nos dedicar aos assuntos profissionais e nos fixar sempre em uma só atividade ou pelas contingências da própria vida e de uma personalidade adquirida ou então fluir de acordo com a própria sequência de vida que cada um de nós possui. Assim, por exemplo, devemos ou não tentar influenciar os mais jovens no sentido de que aprendam e se dediquem a uma só atividade? Se bem que esta é uma questão que nunca poderemos ter uma resposta exata. Cada vida, cada ser, terá logicamente suas escolhas.

Em minha vida sempre gostei de múltiplas atividades!

Quando estava na infância gostava de jogar, ler, jogar, competir... Mais tarde na juventude comecei a gostar de fotografias e de filmagens, até aprendi a revelar filmes em um estúdio caseiro que montei. Foi mais uma boa fase que até hoje permanece. Um pouco mais adiante me voltei para a eletrônica e para o radioamadorismo. E completou a felicidade, tendo em vista que ainda tinha o mundo da Música, o trabalho em um grupo musical, o Conjunto Big Brasa, e principalmente meu envolvimento com as televisões no Ceará, onde a parte técnica também me fascinava. Estive na TV Ceará Canal 2, da extinta Rede Tupi de Televisão e também na TV Educativa (TVE) do Ceará, onde fui sonoplasta por cinco anos. Tudo isso me entusiasmava muito! E as novidades sempre foram bem-vindas. E não sei por que tudo permaneceu da mesma forma até hoje.

Com as mesmas características enfrentei naturalmente mudanças radicais no que diz respeito ao trabalho. Comecei estudante, depois passei a ser músico profissional por um bom período, mas adiante passei a integrar, após um concurso público federal, a Atividade de Inteligência, até então totalmente desconhecida para mim e que se tornou brilhante por seu enorme potencial de assessoramento aos governos. Naturalmente eu seguia os mesmos princípios: Organização, Foco, Prioridades, mas sem ter a exata ideia disso. Muito esforço no início para aprender, sobre o Brasil, as regiões, muitos conhecimentos em cursos sobre os diversos campos de expressão do Poder Nacional, um pouco de idiomas e um aprendizado que considero muito valioso para minha vida, em termos de técnicas de Planejamento Mental, de organização, de capacidade para aprender e fixar rapidamente novos conhecimentos e de trabalhar com conhecimentos prospectivos, que para a sua produção exigem muito dos Analistas. E são aqueles que possuem maior importância para a Inteligência. E paralelamente também avançava junto na Informática, quando não existia nem a Internet e apenas os sistemas de grande porte! Tive a oportunidade de instalar os primeiros computadores interligados em rede, em Fortaleza. Tudo foi muito gratificante, principalmente por ter o privilégio de ter uma visão mais integral do país inteiro e não só de partes deste imenso continente chamado Brasil.

Da mesma forma com que tanto me empenhei e estudei na Atividade de Inteligência, quando chegou a aposentadoria, nada me pegou desprevenido, pois tinha muitas atividades para realizar e a mente nunca desacelerava... Houve de imediato a instalação de uma Escola de Informática, pioneira em Messejana, a Máxi Informática, que formou cerca de três mil alunos. Depois disso, há quinze anos, inovamos com a criação do Instituto Portal Messejana, que nos possibilitou a realização de projetos sociais novos para mim e possibilitou o engajamento de muitos jovens nas diversas áreas de reportagens, filmagens, projetos de turismo sustentável etc.

E mais recentemente, há cerca de cinco anos, o meu retorno gradual à Música, que tinha ficado em estado latente em meu espírito por muito tempo. E voltei novamente para descobrir as novas tecnologias de gravação, agora digitais e uma parafernália de recursos mais modernos daqueles que eu anteriormente tinha utilizado. Tudo isso com a mesma vontade de quando começava a tocar, como se eu tivesse ainda quinze anos!

Concluo que há muita importância em conceitos referentes à Organização, Foco e o estabelecimento de Prioridades. A ansiedade permaneceu em mim até hoje, no limite exato, mas como um excelente combustível mental para a concentração e dedicação integral ao aprendizado deste nosso mundo, que se modifica dia após dia. E que venham as novidades!

João Ribeiro Silva Neto

sábado, 2 de janeiro de 2021

Série: TV Ceará, Canal 2 - Apresentação

           


Este série sobre a TV Ceará Canal 2 teve um foco especial, o de relembrar momentos da minha participação como músico, guitarrista-solo do Conjunto Big Brasa na TV Ceara Canal 2, da extinta Rede Tupi de Televisão, relembrar e homenagear os amigos que fizemos naquela emissora nos diferentes setores e principalmente descrever muitos detalhes de minhas lembranças pessoais, nos programas da emissora dos quais participamos e falar sobre os inúmeros artistas que conhecemos de renome nacional. Para isso senti necessidade de elaborar uma planta baixa do prédio onde funcionavam seus estúdios e outras instalações, com a finalidade de possibilitar um entendimento maios por parte de todos.

 

Foram quase sete anos marcantes de convívio com uma equipe de televisão muito boa em seus diversos níveis e especializações, em um ambiente alegre, no qual tivemos a oportunidade de conhecer inúmeras pessoas e fazer muitas amizades. E também destacar o papel muito importante que a TV Ceará teve na divulgação de nosso Conjunto Big Brasa em Fortaleza e em todo o interior cearense e alguns estados nordestinos, o que certamente contribuiu muito para o seu sucesso. Vamos então iniciar nossa viagem a esse período, na certeza de que esses registros deverão acrescentar algumas marcas de memória em todos nós. 

Dedicatória

Dedico estas lembranças a todos aqueles que estiveram conosco durante o período em que estive na TV Ceará, Canal 2, com o saudoso Conjunto Big Brasa. Aos técnicos da televisão, câmeras, suítes, operadores de áudio, locutores, motoristas, fotógrafos e demais colegas da produção. As boas lembranças são muitas. Todos nós vivenciamos um excelente período da televisão cearense, do qual vale muito recordar e compartilhar a história.

Agradecimentos Especiais

Em primeiro lugar tenho que agradecer a Deus por ter auxiliado nas tarefas musicais executadas ao longo dos quase sete anos em que estivemos na TV Ceará, Canal 2. E aos meus pais, Alberto Ribeiro da Silva, o Mestre Alberto, e à minha mãe, Francisca Amasile Pereira da Silva, Dona Zisile, pelo grande incentivo, apoio constante e incondicional em todos os momentos e que muito apreciavam o nosso desempenho na televisão. Eles sempre estarão presentes em minha vida e eternamente em minhas lembranças. Especial menção para minha saudosa mãe Zisile, que além do gosto pela música, por tudo o que fez por todos nós, da “Família Big Brasa”. Graças a ela, inicialmente, temos hoje recordações dos bons tempos do Big Brasa através de notas publicadas na imprensa em variados períodos e fotografias que ela guardava tudo com um carinho especial! Com muito gosto ela recortava as notas de imprensa, as fotos e as guardava cuidadosamente para montar seus álbuns.

Estas iniciativas proporcionaram a criação do acervo do Conjunto Big Brasa e hoje, aliado aos fortes traços de memória sobre o período da televisão e de inúmeras ocasiões em que o Conjunto se fez presente, continuamos e assim podemos compartilhar com familiares, com o público em geral, amigos, amigas fãs do Big Brasa e todos aqueles que vivenciaram aquela época maravilhosa.

 

Espero sinceramente que estas lembranças sobre os momentos em que estivemos na TV Ceará Canal 2 sejam também valiosas para todos e que possamos nos encontrar mais vezes nos palcos da vida!

 

 

 

João Ribeiro da Silva Neto

Dezembro de 2020

 

(*) Sobre o autor: João Ribeiro da Silva Neto é servidor público federal aposentado, tendo servido na Área de Inteligência do governo federal como Analista de Informações (Oficial de Inteligência). Atualmente é diretor, analista de fatos e editorialista do Instituto Portal Messejana, entidade de utilidade pública. Formado em Música pela Universidade Estadual do Ceará foi também o fundador do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, no ano de 1967. Escreve também para o Blog do João Ribeiro e mantém presença nas diversas redes sociais com a página do Conjunto Musical Big Brasa. No início de 2020 gravou o Álbum Momentos, com canções de sua autoria, inéditas, muitas compostas há quarenta anos. Essas músicas foram distribuídas pelo Proaudio Studio nas principais mídias musicais, dentre eles o Spotify, Deezer etc. Escreveu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense. As publicações foram lançadas respectivamente em 1999 e em 2017, quando o grupo completou cinquenta anos de fundação. Todas as imagens da série sobre A TV Ceará Canal 2 pertencem ao acervo do Conjunto Musical Big Brasa.


Notaesta série tem os créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, (Beiró) e está disponível para publicações autorizadas pelo autor. As fotografias também pertencem ao acervo do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. Abaixo alguns links onde também está publicada.

 

Conjunto Big Brasa – https://www.facebook.com/conjuntobigbrasa 

Blog do João Ribeiro - http://silvanetojr.blogspot.com/

Instituto Portal Messejana - http://www.portalmessejana.com.br/    

 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 – Considerações finais


 Série: TV Ceará, Canal 2 – Considerações finais

Por João Ribeiro da Silva Neto

Foi muito gratificante e prazeroso relembrar a época da TV Ceará Canal 2, da rede Tupi de Televisão, que permaneceu no ar de 1960 a 1980, com ênfase para os programas Show do Mercantil e Studio 2, menções aos amigos, artistas (todos que integram o Pessoal do Ceará), técnicos, suítes, câmeras e todos aqueles que estiveram conosco juntos nessa jornada. Tudo isso foi especialmente marcante em minha vida musical, com o nosso saudoso Conjunto Big Brasa. Foi como se vivesse novamente com todos aqueles, os apresentadores, o pessoal das produções dos programas, técnicos, calouros e artistas cearenses e de outros Estados que participaram desta época inesquecível entre os anos 1970 e 1977. Na sequência serão postadas muitas fotografias referentes aos diversos capítulos, que serão agrupados e transformados em mais um livro.

Conjunto Big Brasa na Wikipédia


“O Big Brasa foi um conjunto musical brasileiro ativo nas décadas de 1960 e 1970 durante a fase da Jovem Guarda. Está presente também na Wikipedia. O grupo formou-se no bairro de Messejana, em Fortaleza (Ceará) e seus integrantes na formação que marcou presença na TV Ceará foram: Lucius Maia, Severino Tavares, João Ribeiro, Adalberto Lima e Edson Girão. “O início da banda deu-se em 1967 e esta permaneceu ativa até 1978. O conjunto musical Big Brasa foi muito popular entre os fortalezenses, principalmente através dos programas Show do Mercantil, semanal, e diário Studio 2, que eram exibidos pela extinta TV Ceará, da Rede Tupi de Televisão. Atuou também em diversos estados nordestinos e em todo o interior do Ceará. O Conjunto Musical Big Brasa acompanhou vários artistas do Pessoal do Ceará, tais como Ednardo e Belchior dentre outros.”

 

(*) João Ribeiro da Silva Neto é servidor público federal aposentado, tendo servido na Área de Inteligência do governo federal como Analista de Informações (Oficial de Inteligência). É atualmente diretor do Instituto Portal Messejana, entidade de utilidade pública, analista de fatos e editorialista. Escreve também para o Blog do João Ribeiro e mantém presença nas diversas redes sociais com a página do Conjunto Musical Big Brasa. No início de 2020 gravou o Álbum Momentos, com canções de sua autoria, inéditas, muitas compostas há quarenta anos. Essas músicas foram distribuídas pelo Proaudio Studio nas principais mídias musicais, dentre eles o Spotify, Deezer etc.      

Notaesta série tem os créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, (Beiró) e está disponível para publicações autorizadas pelo autor. As fotografias também pertencem ao acervo do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. Abaixo alguns links onde também está publicada.


Conjunto Big Brasa – https://www.facebook.com/conjuntobigbrasa  

Blog do João Ribeiro - http://silvanetojr.blogspot.com/

Instituto Portal Messejana - http://www.portalmessejana.com.br/

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 – Capítulo IX - O Programa “Studio 2”

             


Programa “Studio 2”

Programa de muita audiência da TV Ceará Canal 2, no qual o Conjunto Big Brasa se apresentou por mais de três anos. Levado ao ar diariamente, o programa abordava, através de entrevistas, temas diversos, dirigidos principalmente às mulheres. Diversos artistas nacionais, cantores, pessoal de teatro e outras personalidades de destaque que participaram do “Studio 2”. 

Dentre os artistas que lembro, a Dercy Gonçalves, sempre irreverente e alegre, com as brincadeiras de sempre, mas com bem menos palavrões, tendo em vista a censura existente naquele período. O famoso músico Zé Menezes, que deu um verdadeiro show, também foi acompanhado com muita honra pelo Conjunto Big Brasa. No dia em que esteve no programa ele usou a minha guitarra para executar alguns solos e improvisos. Ambos não estão mais fisicamente conosco. Na foto ao lado eu estou no Studio 2 utilizando o inseparável pedal de efeitos "wah-wah" e distorção, que me acompanharia em todos os eventos. 

Às vezes a contra-regra produzia um cenário um pouquinho melhor do que as simples cortinas e tapadeiras, que eram divisórias de compensado para encobrir um ou outro defeito do cenário. Colocavam mesas e cadeiras como num bar, com plateia e o ambiente ficava mais alegre e descontraído.  A luta do pessoal do estúdio era sempre no sentido de manter o silêncio daqueles que não estavam em cena, para não atrapalhar o programa, realizado ao vivo.

Durante praticamente toda a semana deixávamos o instrumental no amplo estúdio da TV Ceará onde se realizava o “Studio 2”. Esse material era levado para casa apenas para os ensaios do conjunto. Para nós, músicos e o restante do pessoal que ali trabalhava, o horário se tornava complicado. De Messejana eu saía em nosso jipe 51, com o Adalberto, mais ou menos às 11 horas, de segunda a sexta-feira, para sempre chegar a tempo. Nunca deixamos de cumprir esse horário, certinho.

Nós sempre achamos que o som gerado pelo Studio 2 sempre foi melhor que o do Show do Mercantil. Deve-se isso, com certeza, aos operadores de áudio, aos bons microfones e principalmente pela própria acústica do ambiente, que nos favorecia.  

No estúdio a distribuição se fazia com uma “girafa”, que para quem não sabia é um suporte bem grande, na forma de um guindaste, que podia movimentar o microfone por cima de todo mundo, captando bom o som de cada cena. A girafa ficava por cima de todo o conjunto e captava o que fosse possível.

Havia também os microfones de lapela e os “varacionais”, explico: como a TV não possuía microfones direcionais, aqueles que captam bem o som em uma determinada direção, o pessoal da equipe técnica adaptava um microfone comum, forrado com esponjas, a uma vara ou haste de metal ou madeira. Por causa dessa improvisação, ficaram conhecidos por nós como os microfones “varacionais”.

Os câmeras-men procuravam “detalhes” em todos os lugares que podiam para ser mais criativos. Lembro-me muito bem do William (“Irmão”), do Fred e do Zé Lenir, o mais calmo deles e que às vezes “me emprestava à câmera para eu focalizar algumas imagens, nos momentos em que não estávamos no ar. O Irmão e o Fred se destacavam como bons profissionais. Na verdade eles eram muito bons mesmo. O Fred, bastante dinâmico, se deslocava rapidamente para conseguir os melhores ângulos para as imagens que o suíte (diretor de imagens) solicitava. Por falar em “suíte”, os dois diretores de imagens que mais trabalhavam naquele tempo nos programas em que o Big Brasa participava eram o Dedeco (Aderson Maia) e o Gonzalez, este principalmente no Studio 2.

Bem, eles nos colocavam “no ar” diversas vezes sem estarmos tocando, em qualquer posição em que estivéssemos de preferência quando a gente não notava que seria focalizado. Em uma brincadeira sem pensar, numa dessas vezes que os câmeras ficavam procurando o que mostrar pelo estúdio o Fred ficou me focalizando um tempão e eu, agachado, que estava prestando atenção ao que estava sendo exibido no programa, não notei. Deu sorte porque minha imagem não tinha ido ainda ao ar. Quando notei o Fred tentando me enquadrar, num ato impulsivo e de pura brincadeira, “dei o dedo” para a câmera. Resultado: depois do programa o Gonzalez desceu da Engenharia, como chamávamos, e me deu uma boa chamada, dizendo ele que quase tinha apertado no botão que levaria aquele gesto para todos os cearenses. E assim somente agora vocês ficam sabendo.

O conjunto fazia em média dois ou três números por programa. No decorrer dessa temporada a propaganda que o conjunto conseguiu foi enorme, por aparecer diariamente na TV. As músicas quase sempre eram sucessos do momento, cantadas pelo Edson ou pelo Lucius. Tocávamos temas de improviso e blues, ocasiões em que eu aproveitava para tirar sons de todas as maneiras que sabia na guitarra, fato que contribuiu para minha relativa projeção como guitarrista-solo em Fortaleza.

Conseguimos uma boa legião de fãs espalhadas pelo interior do Estado. Todos os dias recebíamos cartas e mais cartas. Umas eram dirigidas ao Conjunto Big Brasa, de um modo geral e outras eram destinadas aos músicos, em particular. Acho que os campeões de correspondência eram o Edson Girão e o Lucius Maia.

Ainda hoje mantenho quase todas as cartas que recebi. Muitas delas com fotos e até declarações apaixonadas ou amorosas, com muito carinho e afeto da parte daquelas fãs. Sentia um prazer enorme ao receber cada cartinha daquelas. Andei respondendo muitas, pessoalmente. Depois, pela falta de tempo, contratamos uma amiga que respondia tudo por nós. Tive que fazer uma fotografia minha ao lado do caminhão de transmissões externas do Canal 2 e distribuí mil cópias para o fã-clube do conjunto no interior do Estado. Hoje em dia ainda mantenho estas cartas bem guardadas, pois fazem parte de nossa memória.

Ainda sobre fotografias do conjunto, é bom contar que aproveitamos a cena um dia, quando uma pessoa estacionou com um automóvel conversível “Lorena”, em frente ao Canal 2, para resolver algum assunto de seu interesse. Como estávamos aguardando o horário do Estúdio 2 entrar “no ar” chamamos rapidamente o fotógrafo da televisão e fizemos uma pose junto ao tal carro. Foram feitas centenas de fotos e enviadas também para o interior. Isso certamente contribuiu para nossa imagem de conjunto “rico”, mas com o carro dos outros...

Tínhamos que inventar novidades. Eu às vezes até abusava dos pedais (distorção e "wah-wah") e brincava com os operadores de câmeras que se aproximavam demais de minha guitarra no intuito de mostrar minha aliança para as fãs do interior.

De tão acostumados com as câmeras e com o pessoal do estúdio todo, contra-regras, operadores de microfone, os próprios câmeras-men, a gente se divertia muito. Eu não perdia nenhuma oportunidade de improvisar sobre os temas das músicas que tocávamos. Era uma boa forma de exercitar e também de mostrar para o Ceará inteiro nossas habilidades.

Entrevista do Conjunto Big Brasa para fãs

No entanto um dia o produtor do programa resolveu abrir mais um espaço para uma entrevista com o conjunto, a pedido das fãs. O entrevistador foi o Flávio Torres. Dirigiu perguntas principalmente para o Lucius Maia e para mim sobre nossa atuação em Fortaleza, quis saber se respondíamos as cartas do pessoal, enfim um bocado de coisas. Fiquei, como sempre, um pouco nervoso ao ser entrevistado. Senti que o sangue me fugiu e que deveria estar muito pálido. Mas felizmente a TV ainda era em preto e branco... Na foto que temos desta entrevista também aparece a atriz de novelas e apresentadora Karla Peixoto, da TV Ceará.

Nota sobre o Conjunto Big Brasa na Wikipédia

“O Big Brasa foi um conjunto musical brasileiro ativo nas décadas de 1960 e 1970 durante a fase da Jovem Guarda. O grupo formou-se no bairro de Messejana, em Fortaleza (Ceará) e seus integrantes fundadores eram: Lucius Maia, Severino Tavares, João Ribeiro, Adalberto Lima, Edson Girão e Luís Antônio Alencar”.

“O início da banda deu-se em 1967 e esta permaneceu ativa até 1978. O conjunto musical Big Brasa foi muito popular entre os fortalezenses, principalmente através dos programas Show do Mercantil, semanal, e diário Studio 2, que eram exibidos pela extinta TV Ceará, da Rede Tupi de Televisão. Atuou também em diversos estados nordestinos e em todo o interior do Ceará. O Conjunto Musical Big Brasa acompanhou vários artistas do Pessoal do Ceará, tais como Ednardo e Belchior dentre outros.”

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VIII - O Programa “Show do Mercantil” (Parte 2)


Seleção de calouros para o Show do Mercantil

A participação musical do Big Brasa no Show do Mercantil iniciava às noites das quartas-feiras, quando eu, na qualidade de produtor musical, fazia uma seleção de calouros para se apresentar no programa seguinte. Tudo funcionava assim: no auditório da TV Ceará os candidatos chegavam cedo. Eu iniciava o ensaio por volta das 20:00 horas. Ao piano, no palco, chamava os calouros por ordem de chegada e pela relação de inscritos chamava um a um e perguntava-lhe que música que gostaria de ensaiar. Depois do acompanhamento de cada candidato, fazia algumas anotações para escolher os melhores ao final. Tive que enfrentar alguns problemas como é normal entre calouros, como alguns desafinados ou sem ritmo ou ainda os dois. Eu os instruía, na medida do possível. Em cada ensaio eu ouvia em média trinta candidatos para escolher apenas quatro, estes que ensaiariam na sexta-feira com todo o conjunto. O trabalho era cansativo. Às vezes a escolha ficava difícil e eu tinha que escalar os melhores para o Show do Mercantil.

Na imagem o Conjunto Big Brasa, da esquerda para a direita com Severino Tavares, João Ribeiro, Lucius Maia e Edson Girão,acompanha um calouro mirim no programa. 



A dupla Lena e Leda

A dupla Lena e Leda foi descoberta em Fortaleza, Ceará, durante o programa Show do Mercantil! As meninas iniciaram suas apresentações após terem sido selecionadas pelo então produtor musical do programa João Ribeiro (Beiró), líder e guitarrista-solo do Conjunto Musical Big Brasa. Foram muitas as apresentações e a dupla fez muito sucesso ainda em Fortaleza. As meninas ensaiaram várias vezes e se apresentaram no programa Show do Mercantil de forma brilhante. Eu ficava satisfeito quando as via relacionadas para o ensaio porque seria muito bom. Elas cantavam muito bem, sempre graciosas e muito bem educadas. Fiquei emocionado uma das vezes em que a Leda, que não mais está fisicamente junto a nós, agradeceu ao final do ensaio e pediu para me dar um beijo! Inesquecível momento e a ternura de duas crianças. A Lena, depois, foi para São Paulo e se tornou a conhecida Miss Lene (*), com muita fama.

* Miss Lene é o nome artístico de Frankislene Ribeiro Freitas, uma cantora cearense. A cantora cearense Frankislene, ficou conhecida como Miss Lene. Foi lançada pela CBS em 1978 e fez sucesso com as músicas "Quem É Ele?" e "Deixa Música Tocar". Fonte – Wikipédia. 

Maria Zenaide

Também criança fez parte com inúmeras apresentações no Show do Mercantil. Sempre teve um dom musical e não dava nenhum trabalho nos ensaios. Com sua voz bonita, firme e bem afinada, Maria Zenaide se apresentou também na inauguração do Ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza, com o programa Show do Mercantil sendo apresentado do próprio Ginásio em uma brilhante apresentação. 

Artistas que o Conjunto Big Brasa acompanhou na TV Ceará

Vários foram os artistas de projeção nacional que o Conjunto Big Brasa acompanhou. Foram seis anos e meio, com atrações todos os sábados e em muitos desses programas cantores de fora, quase sempre vindos do sul do País.

A seguir estão listados alguns deles, em ordem alfabética: Adriano (Francisco de Assis), Carlos Imperial, Belchior, Cauby Peixoto, Cláudia Barroso, Demétrius, Dóris Monteiro, Ednardo, Jorge Melo, Luiz Vieira, Sérgio Sá, Mardônio, José Orlando, Márcio Greick, Pablo Sebastian, Rodger, Sandra, Wanderley Cardoso, dentre outros.

O Pessoal do Ceará

Com alguns representantes do chamado Pessoal do Ceará, como o grupo se tornou conhecido nacionalmente, tivemos encontros frequentes, como Ednardo e Belchior, que ensaiaram muitas vezes tanto na TV Ceará, quanto na sede de nosso Conjunto Big Brasa, em Messejana, sempre muito bem recebidos pelos meus saudosos pais Alberto Ribeiro e Dona Zisile, que era também a “mãe da Família Big Brasa”, como todos a consideravam, pelo carinho que tinha conosco.

Belchior com sua simplicidade e gentileza fez todos os ensaios para a inauguração do Paulo Sarasate na sede do Big Brasa, sempre recebido por nós com muito carinho. Tornou-se amigo do Big Brasa e também de meus saudosos pais Alberto e Zisile, vindo posteriormente encontrá-los em uma festa em Balsas, Maranhão, onde após o terminado o show os reconheceu e muito gentilmente foi cumprimentá-los como se fossem os pais dele. Na TV Ceará foram inúmeros os encontros para ensaios. Belchior sempre ficava entusiasmado com os “riffs” que eu procurava acrescentar em suas músicas para melhorar os arranjos e assim nossa relação era excelente. 

Ednardo Sousa - com o Ednardo tivemos um convívio muito grande, tanto em shows, viagens com a equipe da TV Ceará, quanto em preparação para festivais em Fortaleza. O nosso Conjunto Big Brasa, como foi mencionado, foi visualizado e contratado pelo apresentador Augusto Borges em uma final de festival realizada no Náutico Atlético Cearense. Para a música Beira-Mar produzi alguns efeitos na harmonia, com o pedal “wah-wah” e uso de distorção bem suave, que se assemelhava ao som de violinos. Com Ednardo nossa relação era bastante cordial. Foram também muitos dias de ensaio, na sede de nosso Conjunto Big Brasa para os festivais e também para uma série de shows que o acompanhamos, em Teresina, São Luís, Manaus e Fortaleza, no Theatro José de Alencar, em 1976. Nestes shows eu tocava viola, guitarra e flauta. As participações eram muitas nas músicas, tanto que copiei todos os solos e arranjos em partitura para que não os esquecesse. Temos uma fotografia em nosso acervo, com o Conjunto Big Brasa e orquestra acompanhando o Ednardo em Recife, divulgada em reportagem de três páginas na extinta Revista O Cruzeiro.

Rodger (Rodger Franco de Rogério), Téti e Petrúcio Maia, também estão incluídos no que considero também da família Big Brasa, pelo nosso excelente relacionamento. Com eles participamos de diversos ensaios no auditório da TV Ceará, em preparação para os programas daquela emissora.  

Nosso encontro com o “Rei do Baião”

Em uma das tardes de sábado, o Big Brasa estava cumprindo função no Show do Mercantil. Com o auditório praticamente lotado, o programa naquele dia apresentaria muitas atrações.

A produção musical, de minha responsabilidade, tinha preparado alguns novos cantores da terra extraídos da seleção de calouros. Além disso apresentaria o próprio quadro de calouros e alguns números do Big Brasa, músicas de sucesso recentemente ensaiadas. Nessa época, havia um quadro chamado “Fora de Série”, no qual se apresentavam mágicos, malabaristas, contorcionistas, enfim, todas as pessoas que faziam alguma coisa diferente, motivo de atração. Esse quadro permaneceu no ar por muito tempo e tivemos a oportunidade de presenciar várias cenas ou atrações super interessantes. Para aquele dia, a produção do programa, através de diversas “chamadas” - pequenos comerciais do programa exibidos durante a programação durante a semana - tinha anunciado uma grande surpresa para o público.

No início do programa, o Augusto Borges adiantou a atração, que seria o famoso compositor e músico Luiz Gonzaga, nada menos do que o “Rei do Baião”, como ficou conhecido internacionalmente. Durante os intervalos, de pequena duração, a gente saía um pouco do nosso palco, que ficava na lateral do cenário principal, para conversar com o pessoal da produção e outros colegas, na ante-sala do programa, bastante movimentada. Nesse dia, estávamos também querendo ver, de perto, o “Rei do Baião”. Em uma dessas saídas, nos deparamos com o próprio Luiz Gonzaga, na ante-sala com sua sanfona, calmamente aguardando a vez de sua apresentação. E nós todos cumprimentamos o famoso Rei do Baião, com muita satisfação por mais aquele encontro com gente famosa. Naquele momento, o Luiz Gonzaga deixou a impressão, para mim, de ser um artista extremamente simples e simpático, além naturalmente de tudo aquilo que produziu em seu inestimável legado musical.

Presença de Roberto Carlos e de Eduardo Araújo

Na TV Ceará, convidado pelo Show do Mercantil, tivemos a oportunidade de ver o Roberto Carlos, que se apresentou no programa com o seu RC7, um conjunto musical magnífico. Além dele o Eduardo Araújo e sua esposa Silvinha, também com seu acompanhamento particular de uma excelente banda musical.

Shows em Parnaíba com a equipe da TV Ceará

Participamos duas vezes de shows e festas em Parnaíba, Piauí, com a equipe dos programas da TV Ceará, com o Ednardo Sousa mais um show e apenas com o nosso Big Brasa em outras oportunidades. As viagens, em ônibus fretados, eram muito divertidas, pois estavam presentes muitos artistas, apresentadores e funcionários da TV Ceará. O Antonio Mendes (Toinho), presente em uma dessas viagens, era uma figura espetacular, por suas brincadeiras e sua interação com todos da equipe.

A repercussão do Show do Mercantil no interior do Estado

Se em Fortaleza a televisão divulgava o Conjunto Big Brasa suficientemente, no interior a penetração da TV Ceará era intensa, a divulgação era enorme. No início era a única emissora do Estado. E por isso mesmo durante dez anos sua imagem se propagava pelo interior do Estado, através de repetidoras de sinal.

Imaginem: nos anos de 1970, um conjunto que aparecia todos os sábados num programa de audiência total no interior, visto que a EMBRATEL ainda não possibilitava transmissões do Sul do país. Quando o Conjunto Big Brasa chegava a qualquer cidade interiorana, obtinha enorme repercussão. Em muitos municípios fomos recebidos com faixas de boas-vindas na frente dos clubes! A rapaziada local ficava com um ciúme danado por que suas paqueras e namoradas se voltavam para nós, tudo muito natural, por ser novidade...

Foi nesse esquema que praticamente se desenrolou a bem sucedida etapa televisiva do Big Brasa, cujos episódios serão motivo de diversos enfoques nesses registros.

Esta série continua no Capítulo IX com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo o seguinte tópico:

- Programa “Studio 2”

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VII O Programa “Show do Mercantil” (Parte I)

                   


O Programa Show do Mercantil

O Show do Mercantil, levado ao ar aos sábados, pela extinta TV Ceará, Canal 2, da Rede Tupi de Televisão, sempre apresentava muitos quadros interessantes e de bom conteúdo. Durante muito tempo do programa o “layout” do palco do Show do Mercantil tinha como pano de fundo o Conjunto Big Brasa, que apresentava dois ou três números musicais.

Assim, qualquer que fosse a atração, estava lá o Conjunto Big Brasa aparecendo na TV. Isto contribuiu de forma significativa para nossa maior divulgação no interior do Estado. No decorrer dos programas o apresentador, Augusto Borges, frequentemente se dirigia ao Big Brasa, fazendo um comentário ou simplesmente brincando com algum de nossos componentes. Desse modo nossa imagem se propagou rapidamente e nos tornamos muito conhecidos pelo público em geral. Na imagem abaixo, o Conjunto Big Brasa no programa Show do Mercantil, com seu apresentador Augusto Borges. A formação do Big Brasa, da esquerda para a direita: Severino Tavares (baterista), João Ribeiro (guitarra-solo), Adalberto Lima (teclado), Lucius Maia (contrabaixista) e Edson Girão (guitarra-base e vocalista).  



Equipe de produção

O programa foi produzido por muito tempo pelo Tertuliano Siqueira, filho do falecido guitarrista Paulo de Tarso, que hoje trabalha para o grupo do jornal “O Povo”, auxiliado pelo Oliveira Martins. O Terto, como alguns o chamavam, tinha boas ideias. Produzir e dirigir um programa de televisão semanal, em Fortaleza, com duas horas de duração, não era fácil. O cara tem que se virar para arranjar matérias e atrações. Entrevistas diversas, artistas de fora do Estado e curiosidades, como o quadro “Fora de Série” faziam parte do show.

O Conjunto Big Brasa quase sempre apresentava um número na abertura e mantinha algumas músicas para preencher alguma lacuna. Acompanhava a apresentação dos calouros e praticamente todos os cantores que vinham do Sul do País para temporadas em Fortaleza. Adquirimos muita experiência musical por causa disso. Tínhamos mesmo que saber, ou seja, conhecer bem as harmonias, os acompanhamentos de tudo que é música ou então “ter ouvido” para pegar o acompanhamento na hora do ensaio, rapidamente. E depois, memorizar tudo aquilo para não falhar durante o programa, sempre realizado “ao vivo”.

Sempre havia muita movimentação no Show do Mercantil, de modo especial quando o período escolar tinha início e o quadro “Colégio contra Colégio” também. Auditório lotado, muita gente mesmo. Nos bastidores do mesmo jeito.

Auditório do Show do Mercantil

Quem conhecia as dependências da TV Ceará, com seu longo corredor central, sabia como chegar ao auditório do programa por dentro, em vez de ser pela entrada lateral.  E aí ficava sempre meio agitado, com o pessoal querendo ver os artistas, olhar o programa da sala de espera, o que não era permitido pela produção, principalmente pela falta de espaço. Na realidade eu sempre estava ocupado durante quase todo o programa, para que minha participação como produtor musical e guitarrista do Big Brasa tivesse um bom desempenho, assim como todo o nosso Conjunto Big Brasa.

Acertos com a produção e os imprevistos

Logo que chega à TV Ceará, aos sábados, passava pela produção e recebia o roteiro do programa. Conferia toda a parte musical, tirava alguma dúvida e depois ia me reunir com o pessoal do conjunto para dar uma revisada nas músicas (muitas vezes desconhecidas, o que nos dificultava um pouco). Mas havia os imprevistos! Algumas vezes, artistas de fora do Estado só chegavam em cima da hora, com o programa já no ar. E o apresentador, Augusto Borges, me chamava durante algum intervalo e dizia para eu ir passar as músicas rapidamente. Como um exemplo que marcou muito foi o Cauby Peixoto, que chegou com o programa iniciado. Eu peguei a guitarra e na sala de espera, que ficava ao lado do palco, rapidamente dele recebi uma sequência de dezoito músicas, que fizeram parte de um “pot-pourri” por ele cantado. Anotei a introdução para a primeira delas e as tonalidades seguintes. As mudanças foram feitas com muita tranquilidade e tudo deu certo, graças à experiência do Cauby em sinalizar, sutilmente, as passagens, mudanças, repetições etc. Esses fatos nos ajudaram muito, musicalmente. Não era somente o fato de saber tocar esta ou aquela canção e sim, de acompanhar o que viesse. Despertava assim também um sentido de atenção musical e até de improvisação para corrigir uma emendar alguma falha, muitas vezes imperceptível pelo público em geral.

Quadros do programa

Durante o período letivo um bom quadro figurava em destaque: o Colégio contra Colégio se encarregava de animar o programa suficientemente, pelas disputas entre os estudantes. Muita animação e disputas entre os estudantes, gincanas etc. Em uma das oportunidades uma das equipes me convidou para participar de uma gincana para tocar vários instrumentos. Então resolvi aproveitar todos os instrumentos de teclado, como acordeon, piano, escaleta, órgão eletrônico; os instrumentos de corda: guitarra, contrabaixo, cavaquinho, bandolim, banjo e violino; de percussão aproveitei tudo que tinha direito: bateria, tarol, surdo e um tantã; e por último piston, que sabia tocar duas músicas. Fiquei um pouco decepcionado porque os jurados dividiram o prêmio entre mim e um rapaz que tinha montado um rádio em uma caixa de papelão. Pode? São coisas que acontecem na vida, não é mesmo? Outro quadro interessante foi o Fora de Série, no mesmo formato que outros programas utilizavam no sul e sudeste do país, trazendo atrações muito interessantes, como mágicos, contorcionistas, pessoas que se propunham a comer quantidades enormes de frutas e coisas estranhas dessa natureza. Cheguei a ver uma levitação, outra vez um candidato que enfiava agulhas pelo corpo inteiro, sem que nada o ferisse. Este, por sinal, fez uma demonstração prévia para a produção, que eu assisti, no qual todos nós ficamos abismados com o show. Exigia como ele próprio nos disse, uma enorme concentração para poder conseguir realizar as perfurações. 

Ensaio geral do Show do Mercantil

Realizado às sextas-feiras, quando o roteiro do programa estava pronto. No que se refere à parte musical o conjunto Big Brasa ensaiava com os calouros todas as músicas, com introduções, até que ficassem no ponto, nem que fosse ao ponto de errar no sábado, como alguns faziam, face ao nervosismo... Depois desse ensaio geral as entradas das músicas eram repassadas de forma muito rápida, só para relembrar, no sábado, antes do início do programa, com o Conjunto Big Brasa no palco do programa, a postos. A título de curiosidade: por medida de segurança, aos sábados, eu chegava bem antes do horário, conferia todo o equipamento e ainda dava uma passada com os calouros ou cantores locais que fossem se apresentar.

Esta série continua no Capítulo VIII ainda com O Programa Show do Mercantil (Parte 2) com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.

Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde!

Para nós, cristãos, o Natal representa um marco significativo daquele que veio ao mundo para nos salvar, Jesus Cristo, e que nos deixou todas as marcas, indicações e ensinamentos para o caminho do Bem. Para todos os povos do mundo a mudança de ano trás reflexões. Entretanto neste ano de 2020 tudo foi diferente, com os males ocasionados pela pandemia. Nenhum de nós tinha visto nada igual.

Encarar esta realidade é preciso, ao mesmo tempo em que resistir e lutar por melhoras. A humanidade tomou mais consciência de que nossa existência é muito frágil. Perdemos muitas vidas para um inimigo invisível e cruel. O mundo entrou em uma fase inesperada e muito difícil, da qual ainda não conseguimos sair. De acordo com o filósofo e líder espiritual indiano, Buda, “as espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças”.

Confesso que atravesso este período natalino com bastante tristeza por tudo que vimos ao tempo que externo meus sentimentos pela perda de vidas e sofrimento que atingiram milhões de pessoas nestes meses de extremas dificuldades por causa da pandemia. Diariamente assistimos uma verdadeira luta em favor da vida, contra um inimigo implacável. Aprendi a respeitar mais os meus limites e passarei a cuidar bem mais deste bem maior precioso que é a nossa Vida.

A cada ano a vida está se tornando mais agitada e temos mais pressa. Importante dizer que é hora de continuarmos na defensiva e de renovarmos as esperanças para que o Ano Novo possa nos trazer melhoras e assim possamos continuar os nossos sonhos e projetos. Assim:

Aproveitem o seu melhor presente que é a vida!

Preserve a sua Vida e ajude ao próximo a fazê-lo.

Não deixe de fazer o bem sem olhar a quem.

Não deixe de ter pessoas a seu lado, embora nosso contato físico esteja limitado.  

Não deixe de fazer um bem hoje para fazer amanhã, porque o dia seguinte é incerto para todos nós.

Não deixe nenhuma mágoa afetar suas mentes que deverá permanecer limpa e serena.

Procure apagar de sua mente, dentro de nossa vida atual, tudo aquilo que merece ser esquecido e guardar os aprendizados para o período que se inicia.

Agradeça pelo bem que foi capaz de fazer e pelo mal que foi capaz de superar! Agradeça por estar presente!

Agradeçamos a Deus principalmente, pelo presente da Vida.

Com a tecnologia que dispomos é possível expressar nossos sentimentos de forma a alcançar boa parte de nossos amigos, família e parentes. Gostaria de me dirigir a cada um de forma particular, mas é praticamente impossível.


João Ribeiro da Silva Neto

Em dezembro de 2020

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VI - Os Festivais Nordestinos da Música Popular

 

 

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VI

 

Os Festivais Nordestinos da Música Popular

A TV Ceará marcou presença em dois Festivais Nordestinos da Música Popular, realizados em Recife, que foram os primeiros a serem transmitidos em rede regional de televisão para o Norte e Nordeste.  

Pouco antes da final de um dos Festivais Nordestinos da Música Popular que o Conjunto Big Brasa participou, acompanhando entre outras, as músicas do cantor e compositor Ednardo Sousa (Pessoal do Ceará), dentre elas a linda canção Beira-Mar. Para tanto nós adquirimos por intermédio do tio João, em São Paulo, dois pedais de efeito para guitarra tipo “wah-wah” de marca nova. A idéia era usar um para a guitarra-solo e outro para o órgão.

A aquisição desses equipamentos foi um verdadeiro exemplo de uma logística perfeita, um show de competência. Tudo muito rápido, o pedido (encomenda) ao meu tio João Ribeiro, em São Paulo, a aquisição dos equipamentos, a remessa de São Paulo para Fortaleza e enfim a chegada dos pedais em tempo recorde. Fomos receber a encomenda no departamento de bagagens da VARIG, quase às 11 horas da noite. Deu tudo certo, os pedais wah-wah foram incorporados ao nosso instrumental e utilizados de acordo com os nossos arranjos. Vale dizer que as comunicações por volta de 1970 eram bem mais difíceis e demoradas. Nada existia como hoje, a exemplo de que podemos fotografar um equipamento de qualquer lugar do mundo, enviar uma ou várias fotos imediatamente e receber ou não autorização para comprar...

Nota de imprensa sobre o Festival

Sobre esse evento, realizado em dezembro de 1971, trecho de uma nota publicada por um jornal cearense:

- “Está seguindo na próxima sexta-feira para a capital pernambucana a equipe de compositores e intérpretes que apresentarão as composições selecionadas em Fortaleza para concorrer ao II Festival da Música Nordestina. Entre a turma de músicos cearenses destaca-se a participação do Conjunto Big Brasa, que defenderá as músicas Beira-Mar e Rua do Ouro, classificadas em primeiro e quarto lugares respectivamente”.

O Conjunto Big Brasa participou por duas vezes das finais dos Festivais Nordestinos da Música Popular, acompanhando o Ednardo, do Pessoal do Ceará. Os eventos foram televisionados para todo o Norte e Nordeste. A transmissão via EMBRATEL consistia novidade naquela época e motivo de repercussão na imprensa, visto que apenas eventos de grande vulto mereciam tal destaque. 

Participação em Recife

Na fotografia abaixo, que está em nosso acervo, aparecem o Ednardo em primeiro plano e por trás o nosso Conjunto Big Brasa e orquestra de Recife. Foi publicada em reportagem de três páginas 
na extinta-revista O Cruzeiro, sobre o Festival e à participação do Ednardo com a música Beira-Mar. O Big Brasa era composto de Severino Tavares (baterista), Adalberto Lima (tecladista), Edson Girão (guitarrista-base), João Ribeiro (guitarrista-solo) e Lucius Maia (contrabaixista.


A respeito desse Festival lembro alguns acontecimentos interessantes. Um deles ocorreu durante o ensaio geral, no Ginásio Coberto localizado no bairro Embiribeira (idêntico ao Paulo Sarasate, porém mais bem acabado, com alojamentos e restaurante, e com uma área externa maior). Foi assim: o Conjunto Big Brasa ao ensaiar com a orquestra de Recife, acompanhando Beira-Mar, do Ednardo, o maestro ficou muito entusiasmado com a música e o com nosso arranjo. Também entre os músicos da orquestra a opinião unânime era que aquela música tiraria o primeiro lugar. Mas como para ganhar em Recife não tinha jeito mesmo, ficamos apenas com um terceiro lugar e uma menção honrosa. Valeu, entretanto, a reportagem de três páginas na extinta Revista “O Cruzeiro”, sobre o Festival, transcrevendo com destaque e na íntegra a letra de Beira-Mar e publicando a foto do Ednardo, acompanhado pelo Big Brasa e pela orquestra de Recife, foto que mantemos até hoje como “relíquia”, no acervo do Big Brasa.

Um episódio digno de registro

Durante o intervalo da TV, quando nos preparávamos para entrar “no ar” com o Ednardo, o público do Ginásio, que estava completamente lotado, começou a nos vaiar intensamente. E tome vaia, mesmo porque eles vaiavam tudo que fosse do Ceará. Um cara da plateia tocava uma buzina duas vezes e depois vinha a vaia. Tudo isso no tempo de um intervalo da televisão. Estávamos todos muito nervosos, evidentemente. Mas por felicidade e presença de espírito, talvez, peguei o tom exato daquela buzina na guitarra e, com o “wah-wah”, após o cara tocá-la, reproduzi o som no palco com a guitarra a plena altura! O pessoal gostou, o negócio virou brincadeira, alguns aplaudiram e a vaia felizmente cessou. Foi ótimo para todos nós.

Falha por conta do Maestro

Por último faço questão de registrar aqui a verdadeira e inadmissível falha do maestro da orquestra pernambucana, que na hora de começar a apresentação do Ednardo, veio me perguntar o andamento da música para fazer a introdução, o mesmo que eu tinha feito para ele no ensaio da tarde. Então expliquei e cantei as primeiras notas da melodia, gesticulando o andamento correto da música. Pois bem: qual foi nossa surpresa quando esse maestro iniciou Beira-Mar com um andamento completamente acelerado. O nosso baterista (do Big Brasa) estava com a orquestra pernambucana. Foi uma luta nos segundos iniciais para tentar fazer o andamento retroceder o ritmo ao original, uma verdadeira briga entre a orquestra e o Conjunto. De propósito ou não isso certamente contribuiu muito para atrapalhar o Ednardo em sua interpretação. Este deslize do maestro pernambucano, de propósito ou não, prejudicou de forma significativa nosso desempenho naquela noite. Lembro muito que a Neide Maia, que estava com a equipe da TV Ceará, demonstrou sua revolta com tudo aquilo.

Encontro com o guitarrista Pepeu Gomes

Pouca gente sabe disso, a não ser aqueles que estavam comigo em uma tarde de ensaio no Ginásio Coberto, em Embiribeira, esperando para passar o som e ajustar as músicas. Ao chegar, com minha guitarra para afiná-la e fazer os últimos ajustes, encontrei com um guitarrista que estava tocando um pouco e exercitando seus “riffs”. Pois bem, era nada mais do que Pepeu Gomes. E eu soube depois, quando fui me despedir dele e nos apresentamos... Na hora observei um pouco, liguei minha guitarra e comecei também a fazer alguns solos. Deu certo e o duelo entre nós se estabeleceu de forma muito legal. Ao final de alguns minutos paramos e nos cumprimentamos. Eu disse que estava com a representação cearense naquele Festival. Ora, se eu estudava muito as técnicas do Jimi Hendrix e o Santana, que ainda são meus ídolos, foi muito bom tocar um pouco com este exímio guitarrista e gente boa. Aprendi mais um pouco, certamente, como acho que todo músico deve proceder.    

Bons momentos de lazer

Nas folgas, depois dos compromissos com ensaios, saíamos em grupo para conhecer os pontos principais de Recife. Quase tudo financiado pela TV Ceará ou Diários e Emissoras Associados do Ceará, da Rede Tupi. Conhecemos duas adegas muito bonitas e aconchegantes, que apresentavam shows noturnos. A Adega do Bocage e da Mouraria. Estivemos também na praia da Boa Viagem e em algumas boates da cidade.

Esta série continuará no Capítulo VII com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo o seguinte tópico:

- O programa Show do Mercantil

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.