Postagem em destaque

A importância da família em nossas vidas

PROJETO “FAMÍLIA RIBEIRO DA SILVA” -  A importância da família em nossas vidas Em primeiro lugar destaco uma constatação extremamente óbvia:...

sábado, 16 de maio de 2020

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza - Ceará



Sobre a origem histórica da Igreja de Fátima vale mencionar as Aparições de Nossa Senhora de Fátima, que ocorreram em 1917 quando Lúcia dos Santos e os seus primos Francisco e Jacinta Marto, popularmente chamados de "Os Três Pastorinhos", afirmaram ter presenciado seis aparições de Nossa Senhora no lugar da Cova da Iria, na cidade de Fátima, em Portugal.
 
Em Fortaleza, Ceará, como homenagem a Nossa Senhora foi construída a linda Igreja de Fátima, localizada na Avenida 13 de Maio, um marco representativo e também uma referência a Nossa Senhora de Fátima. Este texto não tem nenhuma pretensão história e simplesmente narrar minhas ligações com a Igreja de Fátima e compartilhar com os amigos e familiares. 
 
Minha chegada a Fortaleza
 
Logo que cheguei de São José dos Campos, São Paulo, onde nasci, moramos inicialmente em uma casa que ficava em uma rua lateral ao Colégio Nossa Senhora das Graças, por indicação de minha saudosa tia Irmã Margarida, que hoje não mais está entre nós fisicamente. Tia Freira, como eu a chamava, era pertencente à Ordem Cordimariana. O Colégio teve a sua origem no Benfica, com a denominação inicial de Ginásio Americano. Em 1950 as Religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria assumiram a direção e em 11 de fevereiro de 1958, transferiram-se para o bairro de Fátima, a fim de atender as necessidades da infância e da juventude de um bairro (Bairro de Fátima) que nascia sob as bênçãos da Virgem de Fátima.

Pela proximidade de nossa residência e pelo fato de a minha “Tia Freira” (Irmã
Margarida) ser professora eu frequentava muito o Colégio Nossa Senhora das Graças, sendo alvo de atenção das alunas e outras irmãs que pediam para que eu pronunciasse a palavra “Fortaleza”, dissesse o nome “vermelho”, tudo para curtirem as diferenças do som da letra “R” no sotaque paulista. Lembro que cada irmã tinha um chamado especial, como um código, que era acionado pela recepção através do toque de um sino. Com esse código, cada irmã podia ser localizada facilmente e se dirigir até a Secretaria. Uma boa, inteligente e simples forma de comunicação, quando nos reportamos ao ano de 1962. Posteriormente nos mudamos para um apartamento quase ao lado da Catedral da Sé, em frente ao Arcebispado. Minha Tia Freira chegou a me levar para um retiro, não lembro exatamente em que ano, durante um período de carnaval. Fui então passar dois dias com as freiras e alunas do Colégio Nossa Senhora das Graças. Lembro que na localização foram instaladas camas de campanha de lona, cedidas pelo Exército, instituição amiga, pelo fato de ela própria, Irmã Margarida, tinha um irmão Cel. do Exército, em Lorena e muitos outros familiares militares. E passei esse tempo, com uma máscara de zorro e com um revólver de brinquedo (foto).
 
E mais adiante nova mudança, desta vez para a Rua Mário Mamede, por trás da Igreja de Fátima. Era uma vila de casas e tinha bons amigos para brincar, como o Carlos Henrique e o Mourão (que atualmente é médico em Fortaleza), mas que nunca mais tive contato. Chegamos a morar também em um apartamento no final de Costa Barros, bem em frente ao Arcebispado e muito próximo da Catedral da Sé. 
 
Pois bem, pela proximidade da Igreja de Fátima, a minha “Tia Freira” logo me colocou para fazer o catecismo. Era o saudoso Padre Gerardo que nos ensinava as orações e nos preparava para a primeira comunhão, que fiz lá mesmo (fotografia, em nossa casa na Mário Mamede).
 
Em um dia 13 de Maio, salvo engano o do ano de 1962, ela fazia parte da equipe que organizava a procissão, saindo da Igreja do Coração de Jesus, no centro de Fortaleza, até a Igreja de Fátima. Eu participei dessa procissão, a pedido da Tia Freira, em uma camionete aberta, não lembro mais o tipo, paramentado simbolicamente de anjo.
 
Na Igreja de Fátima existiam meus colegas vizinhos que ajudavam as missas e que eram coroinhas. Eles me chamaram para eu participar e eu aceitei. Tinha que aprender as respostas em Latim. A disputa por quem ajudava mais missas era grande. Minha batina de coroinha era a menor, de número 1 (toda vermelha, com uma parte branca por cima, mas não sei mais os nomes das vestimentas).
 
Peripécias e artes de criança
 
Apesar de muito concentrado nas atividades, nós por vezes pedíamos para comer as hóstias que ainda não tinham sido consagradas! Imaginem...
 
E em uma das novenas, na Igreja de Fátima, bem em frente ao altar, naquele retângulo enorme, eu ficava em pé, balançando o turíbulo: “O turíbulo é utilizado principalmente nas missas solenes. É um objeto que queima o incenso com a simbologia de que nossas orações subam aos céus, assim como a fumaça do turíbulo, que também sobe aos céus”, explica o Missionário Redentorista,
Fr. Murilo Di Carvalho.

Na preparação do turíbulo, como eu tinha uns doze anos e minha altura não ser adequada para fazer o giro completo pelo ar, a fim de aquecer mais a brasa para que o incenso saísse muita fumaça, eu ficava na porta de trás da sacristia, aproveitando a parte superior e deixando o turíbulo balançar na altura do primeiro degrau da descida, até que conseguisse fazer um “360”, ou seja, girar inteiramente. Esta “operação 360” não era necessária, é claro. Tudo dava certo naquele local. Mas então, na hora “H”, da novena, com o Padre Gerardo celebrando a missa, eu fui tentado a fazer o tal 360 bem atrás do altar. Girei várias vezes até achar que daria certo. E tentei! Fracasso total... O turíbulo rodou, mas na descida bateu um pouco no chão e virou, esparramando toda a brasa. O Padre Gerardo virou, com o barulho, e deve ter pensado na arte que eu tinha feito. Resultado: tive que juntar as brasas rapidamente com as mãos e continuar como nada tivesse acontecido. Acidente de percurso.

 
Primeira Eucaristia e Casamento
 
Foi o local em que fiz minha primeira Comunhão, participei como "anjo" de uma procissão e no futuro viria a me casar. Toquei muitos casamentos como músico profissional e levado por minha tia Maria de Lourdes, quando tinha 11 anos de idade. Nesta belíssima Igreja de Fátima, após alguns anos morando em Messejana, e já tocando guitarra com o nosso Conjunto Musical Big Brasa eu voltei para o meu casamento, no ano de 1973, com o então Monsenhor Gerardo! A solenidade foi filmada pela TV Ceará Canal 2, integralmente e teve partes exibidas durante o programa do Augusto Borges, Show do Mercantil, do qual eu era produtor musical e também músico, com o nosso Conjunto Big Brasa.

 
Nesta oportunidade escolho para homenagear, in memoriam, o Monsenhor Gerardo e minha querida Tia Freira, Irmã Margarida (Maria de Lourdes Brandão).
x


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Música Energia, do álbum Momentos

A música Energia faz parte do álbum Momentos, que transforma um sonho em realidade, pois apresenta minhas composições selecionadas e inéditas. Destina-se a registros dos amigos, parentes e familiares. Os meus agradecimentos para todos aqueles que participaram de minha vida musical.





Direção musical, arranjos e instrumentos
João Ribeiro da Silva Neto "Beiró", (guitarra e teclados, com timbres e sonoridades de acordeon, violão, flauta, cordas e metais)
Gravação, Mixagem e masterização e (efeitos especiais, violão e contrabaixo) Jeovar Maia  
 * Kássia Lopes (assistente de gravação)
 * Jeovar Maia, produtor, mixagem e masterização.
 * Vídeo - João Ribeiro Gravação - Estúdio Big Brasa
Distribuição - Proaudio Studio
Fortaleza, Ceará - 2020

sábado, 25 de abril de 2020

Anjo da Guarda

Eu creio em um espírito guia que nos acompanha em todos os momentos. Sem querer interferir nas crenças religiosas de quem lê este texto, sinto isto através de experiências pelas quais passei e histórias verídicas que recebi e assimilei, as quais me fazem cada vez mais convicto da existência de nosso protetor. É o nosso amigo espiritual, nosso companheiro, que nos acompanha, a quem eu escolhi chamar de anjo de guarda. 

O meu anjo da guarda eu resolvi chamá-lo de João, simplesmente. No meu entendimento, creio que muitos de nossos antepassados estão em locais distintos (*). E nem sempre podem ouvir nossos eventuais pedidos ou orações. Então estabeleci um elo com meu anjo da guarda, de forma que a ele dirijo todas as minhas conversas e peço que na possibilidade de fazer contatos com os interessados, dependendo dos assuntos, ele possa fazer isso por mim. Acredito nisso e pronto. E acho que devemos fazer assim, sabem o motivo?

(*) “Na casa de meu Pai há muitas moradas” - Jesus disse isso ao confortar seus discípulos que estavam perturbados com a ideia de sua partida iminente. Este discurso está registrado em João 14:2.

Imagine que você está passando em uma rua ou em qualquer outro local e uma pessoa chama por seu nome! Imediatamente você olha para identificar o chamado e atendê-lo. Em outra situação: se você circula pelos mesmos locais e ninguém o chama, o que acontecerá? Nada! Você não pode atender porque simplesmente não ouviu e nem viu algum chamado, um aceno sequer... É assim também que acredito ser no mundo espiritual. Li, não lembro onde, que não deveríamos invocar nossos entes queridos diretamente em nossas orações, porque isso poderia interferir em sua paz. Não sei, não quero e nem posso julgar se isso procede. Só que acreditei nessa probabilidade. A mesma fonte dizia que nós deveríamos sempre orar e conversar com o nosso anjo da guarda. Neste momento o que ocorre? Se a nossa consciência está intimamente ligada e todos nossos pensamentos e atos são de conhecimento pleno de uma planilha divina superior, podemos dar a isso o nome que quisermos, mas é claro que as mensagens são captadas por alguma inteligência superior, que as destinará ou não a quem de direito.

Os avisos, os pressentimentos ou sonhos que eventualmente possamos ter ou sentir devem ser muito respeitados. E quando você acorda com a impressão de que algo de mal pode lhe acontecer, não deve se apavorar com isso, mas sim, de acordo com o nosso livre arbítrio, tomar mais cautelas, nos proteger e proteger aos nossos, de forma a ajudar no sentido de que aquele fato (do aviso ou pressentimento) não ocorra. Penso assim.

O meu saudoso pai dizia que em nossas orações poderíamos até pedir algo, em caso mais extremo, mas saber de antemão que o atendimento a nossas preces pode ser concedido ou não, de acordo com o nosso merecimento, talvez, ou conforme a sequência natural de nossa vida aqui na Terra. É um mistério que não somos capazes de penetrar e desvendar.

Deus existe. Mas somos nós que temos que proceder de forma a não incorrer nos descuidos, nos precaver contra possíveis acidentes, que por sinal não avisam quando vão acontecer.



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Eu conheci a Messejana de antigamente!


MESSEJANA, UMA TERRA QUE MUITO BEM NOS ACOLHEU
Partindo de uma conversa com uma amiga, comentei alguns fatos, locais, pessoas e casos desde que cheguei a Messejana, em 1963 e ela sugeriu que eu detalhasse mais. E assim, com o texto anteriormente publicado sobre o tema acrescentei mais algumas passagens e fatos que certamente farão que você embarque em uma viagem a um passado distante, mas ao mesmo tempo inesquecível em nossas vidas. Vamos juntos entrar em uma espécie de Túnel do Tempo! Os itens não estão em ordem cronológica e tem o objetivo apenas de avivar a memória de um tempo realmente muito bom de nossas vidas.  

Seguem-se locais, atividades e pessoas que merecem um destaque especial. Portanto é bom falar de Messejana, uma terra que me recebeu muito bem e que pude curtir tudo aquilo que eu não fazia em São José dos Campos, minha cidade natal, como jogar “bila” (bolinha de gude) em frente de casa ou colocar navios de papel nas enxurradas, perto das calçadas e jogar um futebol com os colegas, além de brincar de cowboy e muito mais, conforme veremos Que tempos inesquecíveis. Apertem os cintos!

UMA VIAGEM DE MESSEJANA PARA FORTALEZA
Quando hoje em dia nós estamos em Messejana e dizemos “Vamos para Fortaleza”, os mais novos estranham e dizem que nós já estamos em Fortaleza. O costume de falar assim decorre da distância entre Messejana e o centro da cidade de Fortaleza, que não mudou até hoje, mas sim as condições da estrada, hoje BR-116, duplicada, que nos tempos mais remotos era uma via simples de mão dupla, muito estreita por sinal.

Quem saía de Messejana em direção à Fortaleza passava pelo Convento dos Capuchinhos, em seguida ficava o bairro Cajazeiras, antes do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), depois um estirão passando pela Cidade dos Funcionários, ponte do Rio Cocó até a Aerolândia (quem não lembra o Clube Recreativo da Aerolândia, o CRA?) e depois o ATAPU, nome que ficou conhecido a entrada para Fortaleza? Pois bem, Atapu era o nome de uma padaria que ficava na esquina da Avenida 13 de Maio, com a Avenida Visconde do Rio Branco e ficou conhecido como referência para muitos. O percurso era demorado. Quando, por exemplo, fui realizar o meu alistamento militar acordei pela madrugada e fui para a pracinha. Dei sinal para um caminhão, carregado de pedra, que vinha de Itaitinga e o motorista me deu carona em cima das pedras. Desci do caminhão no ATAPU e fui andando até o 23º BC ou 10º GO para me alistar. Deu tudo certo, apesar da viagem um pouco sofrida, uma verdadeira aventura. Outra vez em uma greve de ônibus eu estudava no Colégio Cearense. E saímos para Messejana ao final da aula, pela manhã, a pé. Seguimos com muito sacrifício e conseguimos pegar uma carona apenas perto do DNER, que facilitou nossa chegada. Mesmo assim chegamos mais de quatro horas da tarde, exaustos. O ponto mais movimentado dessa viagem de Messejana à Fortaleza ficava nas intermediações da Aerolândia, local onde ocorriam acidentes com mais frequência.

O CLIMA DE MESSEJANA
Parece brincadeira, mas não é. Quando cheguei à cidade de Fortaleza, em 1960, a capital tinha poucos prédios! Descendo da praia do Futuro avistávamos pouquíssimos edifícios, bem no centro da Aldeota. Com essas condições a ventilação se estendia para o sul de forma bem forte e tranquila. Às madrugadas e manhãs em Messejana nós podíamos contemplar até neblina! E quando chovia era para valer mesmo. Na Estrada do Fio se formavam enxurradas e dava para a criançada toda fazer barcos e se divertir muito.

ARES INTERIORANOS
Messejana tinha todas as características de uma cidadezinha de interior. Muito pacata, por sinal. Uma de nossas diversões era brincar de cowboy e jogar botão, mais tarde times de campinho um pouco maiores. No meio da rua o pessoal fazia as traves com tijolos e o jogo se estendia por muito tempo. Detalhe: de vez em quando alguém se abaixava, colocando o cotovelo no chão e apoiando a mão na cabeça, tal qual índios faziam nos filmes, para ouvir o barulho de algum carro se aproximando. E dizia: vem um caminhão aí, pessoal. Uns quatro minutos depois o tal caminhão aparecia ao longe e retirávamos as traves para que ele passasse. Depois disso o jogo continuava no mesmo ritmo.

MUROS BAIXOS E PLENA SEGURANÇA
Os muros das casas eram baixos, não havia cerca elétrica, pichação, nem nada que perturbasse nossas vidas. Muito raramente um roubo de uma roupa estendida no quintal e quando se sabia de uma tragédia, também coisa rara, seria por conta de um afogamento da Lagoa de Messejana. E muita gente ia presenciar a ação de bombeiros para atender a ocorrência. A segurança era tanta que fazíamos já adolescentes serenatas pelas madrugadas, nas casas de nossas amigas ou paqueras, na santa paz. Na realidade assalto era uma palavra quase desconhecida para todos nós.   Até hoje encontro algumas pessoas que dizem ter assistido muito os ensaios do Conjunto Big Brasa do muro!

AS REDONDEZAS DA ESTRADA DO FIO
A famosa Estrada do Fio ficou assim chamada por causa da fiação antiga existente dos tempos do telégrafo! De Messejana, em direção leste, ia sair diretamente no Distrito de Mangabeiras, visto que não havia ainda a Washington Soares, que continua na CE-040 hoje em dia. Quem seguia de Fortaleza para Aquiraz, que foi antigamente uma das capitais cearenses, tinha que passar por dentro de Messejana.  A Estrada do Fio era de piçarra e barro mesmo. Nos invernos ficava mais difícil o trânsito dos poucos veículos e por vezes as máquinas de terraplanagem vinham consertar os estragos, nivelar tudo para o verão cearense. Perto de nossa esquina funcionava a Bodega do Seu Paulo, que também vendia caldo-de-cana e gêneros diversos. Construção bem antiga, balcão de madeira. Lembro que os carregadores de caminhão que por ali paravam e faziam suas refeições, de um detalhe que eu ficava impressionado: eles jogavam uma farinha amarela em cima do balcão, para isolar do fogo e colocavam álcool em cima. Com as chamas baixas assavam pequenos peixes que comiam com banana, farinha etc.

Ainda perto existiam poucas edificações e muito mato, na verdade. Em frente à nossa casa começava um mangueiral, lugar onde começava a nossa caçada de passarinhos. Alguns meninos utilizavam as conhecidas baladeiras para atentar os pássaros. Não havia ainda a consciência de que não deveríamos atirar pedras nos passarinhos... Nossas caçadas às vezes começavam pela manhã, com direito a sair de casa com uma mochila com alguma coisa para comer e água, além do material necessário para a caçada. A região, por incrível que possa parecer, era quase deserta e com muitos terrenos e matagais. E assim nós andávamos quilômetros procurando passarinhos para caçar. Nas chegadas tínhamos que tratar as pernas com mercúrio cromo, cheias de espinhos e arranhões provocados pelo mato. Nunca houve nenhum incidente, por menor que seja.

COBRAS ENTRANDO NAS CASAS?
Muito comum ouvir alguém dizendo: “olha uma cobra ali”, ao que se seguia uma intensa busca para eliminar o perigo. Eram cobras, que de vez em quando entravam em nossas casas! Cansamos de encontrar uma cobra jararaca dentro da casa e sempre alguém dizia: ela deve estar com a mãe, significando que deveria ter outra... Mesmo assim nunca soube de nada grave que tivesse acontecido neste aspecto, tirando o alvoroço e os sustos, é claro.

BRINCADEIRAS DIVERTIDAS
Na primeira semana em Messejana recebi em nossa casa um vizinho, que depois se tornaria um dos melhores amigos de infância. E ele me perguntou, em tom bem sério: - “Você pode me emprestar a estrela de Xerife?” E eu emprestei, para que brincasse de cowboy.  Muitas vezes eu fazia paraquedas com lenços de cabelo da mamãe. Feitos de nylon eram leves e dava para amarrar os fios e fazer paraquedas muito bons. Como pesos eu usava soldados de brinquedo ou simplesmente amarrava umas pilhas de tamanho grande. Assim, os dobrava e jogava para cima para ver o espetáculo. O paraquedas abrindo e a diversão seguindo... Não sei bem se o amigo Ruy Câmara lembra-se disso, tendo em vista que um dos locais de pouso ficava ao lado da casa dele.  

DIVERSÃO GARANTIDA COM A CHEGADA DOS CIRCOS
Acompanhei a passagem de alguns circos em Messejana, com nossa turma comparecendo em peso! As bailarinas nos intervalos circulavam pelas arquibancadas, nos oferecendo suas fotografias em tamanho bem pequeno, para que comprássemos. E todos nós gostávamos muito daquelas lindas artistas trazendo novidade para o nosso bairro. Espetáculos com bons palhaços, trapezistas e até números de mágica e de levitação!

PARQUES DE DIVERSÃO NA PRAÇA DA MATRIZ
Outra atração muito procurada eram os parques de diversão que se instalavam na parte de baixo da Praça da Igreja, no lado da Lagoa de Messejana. Alguns tinham rodas gigantes (não tão gigantes assim), além de brincadeiras como pescaria, tiro ao alvo e também jogos como os de roleta. Eu presenciei uma das vezes o “Dico”, jogador de futebol que gostava de jogar na roleta, verdadeiramente “alisar” o dono do jogo, que interrompeu a roleta antes do horário! O Dico parece que tinha uma técnica especial para jogar ou então conhecia bem as manhas da banca de roleta e acertava bastante. Neste dia ele fez a festa e ficou sendo o nosso ídolo daquele jogo, por ter falido a banca de roleta...  

O POSTO TELEFÔNICO
Praticamente isolada pela falta de telefone, poucas pessoas tinham poder aquisitivo para ter uma linha telefônica em sua residência! Os aparelhos eram aqueles pretos, grandes e tinham uma manivela ao lado que servia para acionar a campainha do posto telefônico. Que tecnologia! E mesmo assim as ligações eram feitas da seguinte maneira: quem tinha telefone em casa levantava o fone do gancho, acionava a manivela e a funcionária do posto telefônico atendia. Então era pedida uma ligação e a atendente dizia que quando completasse nos chamaria. Fornecido o número a ser chamado, era só esperar. Com a ligação completada através de uma mesa telefônica manual e analógica, a atendente chamava o número e dizia que ia passar a ligação. O único telefone perto de nossa casa era o da Dona Nadir, da família Freitas, a qual sempre, gentilmente, nos dava a oportunidade para pedir alguma ligação, assim como mandava alguém para nos chamar quando ligavam para nós. O posto telefônico ficava na Rua Padre Pedro de Alencar, trecho da antiga BR-116, a um quarteirão da Lagoa de Messejana.  As dificuldades de comunicação eram grandes!

O PADRE PEREIRA
O Padre Pereira era o vigário de Messejana nos idos de 1963. Muito espirituoso, inclusive tem algumas passagens conhecidas pelos messejanenses. Uma delas, quando ao reclamar das conversas ao lado da Igreja na hora da missa, no meio de seu sermão bradou: “E Jesus disse aos seus discípulos... Interrompendo: “cala a boca aí fora menino!”, e continuou o sermão normalmente.
Em princípio, como tinha sido coroinha quando morava no bairro 13 de Maio, antes de nossa mudança para Messejana, cheguei a ajudar algumas missas com o Padre Pereira, mas desisti no dia que levei um “carão” dele certamente por ter invertido uma das orações (eram em Latim e a gente conhecia apenas a sequência). Uma hora ele me disse: “Reza direito, menino” e me mandou para a Sacristia. Foi a gota d’água e eu desisti daquela função. 

FUTEBOL NO PATAMAR DA IGREJA
Joguei muito futebol no patamar da Igreja, à noite, com os colegas. Diversão garantida. Quer fosse permitido ou não, o fato é que a nossa turma se reunia acho que nos finais de semana para jogar bola e brincar no patamar da Igreja Matriz, o ponto mais iluminado da área. E assim jogamos inúmeras vezes até que um dia uma pessoa que se dizia agente de polícia entrou no meio de nós e tomou a bola. Fim de jogo e todo mundo correu mesmo. Não lembro se os jogos continuaram no patamar após essa intervenção, mas sei que continuamos a jogar vôlei na pracinha, local onde todos se encontravam muitas vezes.  

BAZAR DA FRANCISQUINHA LUCAS
Localizado perto da Praça da Matriz, ficava na Rua Padre Pedro de Alencar, onde comprei muitas vezes baralhos e outras utilidades. Ali trabalhava uma atendente muito prestativa (a Mazé) e o Pedro Jorge. No bazar tinha de tudo, praticamente. A exposição das mercadorias era enorme e o que se procurasse tinha!

A GARAPEIRA
A garapeira ficava na mesma pracinha da Matriz, mas do outro lado da BR-116, que em Messejana é hoje a Rua Padre Pedro de Alencar. Não lembro o nome do dono, mas a garapeira era localizada próxima do ponto do ônibus de Messejana por algum tempo. O caldo-de-cana e pastel de queijo era o que mais vendia, logicamente.

RODOVIA BR-116
Vale repetir apenas para os mais novos, que a Rua Padre Pedro de Alencar, que passa em frente à Igreja de Messejana, era a rodovia federal “BR-116” naqueles tempos e passava por dentro de Messejana. A duplicação chegou muito tempo depois e durou mais de quatro anos para ser concluída. Trouxe incômodos, é claro, mas foi uma obra muito necessária, tendo em vista que até passou por fora de Messejana diminuindo assim o enorme tráfego no centro do Distrito.

A AVENIDA PERIMETRAL
Quem sabe onde era a chamada Avenida Perimetral? Nada mais nada menos do que a atual Washington Soares. Mas na época era conhecida somente por Avenida Perimetral e quem vinha de Fortaleza para Messejana tinha que passar ao lado das salinas (toda a área onde foi construído o Iguatemi) e depois seguir em frente em uma estreita via muito perigosa à noite, simplesmente por quase não haver fluxo de veículos. Não existia nada mais a não ser terrenos em ambos os lados. Nada de Centro de Convenções, Unifor etc. Em frente dali a alguns quilômetros, tínhamos as Seis Bocas (onde hoje é o Via Sul) e depois Messejana. Bom dizer que existia outra perimetral que ligava Messejana a Mondubim e que hoje se encontra duplicada. Também muito insegura, pelas mesmas circunstâncias. Os carros de polícia, nas eventuais vistorias ou patrulhas em sua maioria eram fuscas, chamados por nós de Tetéus, que são aves que passam a noite acordadas.

LAGOAS DE MESSEJANA E DA PAUPINA
Tomei muito banho na Lagoa de Messejana, tendo acesso pelo Balneário Clube de Messejana, onde em abril de 1967 estreou o nosso Conjunto Musical Big Brasa. Mas também na Lagoa da Paupina! Ambas tinham água limpa e funcionavam como verdadeiras praias para os messejanenses. Além do Balneário Clube de Messejana existia também um pequeno clube, de uma associação (FACIC) na entrada da lagoa da Paupina, que frequentávamos. Alguém lembra a época em que a Lagoa de Messejana transbordou por muitos dias, cobrindo a BR-116 inteiramente? Foi motivo de acompanhamento e observação de muitos messejanenses. 

BALNEÁRIO CLUBE DE MESSEJANA
Foi o Clube onde o nosso Conjunto Big Brasa fez sua estreia, tocando o prefixo And I Love Her, dos Beatles. Eu e meu pai fomos sócios proprietários do Balneário Clube de Messejana. Frequentei o clube muitas vezes e depois passaria a tocar nele, com o nosso Conjunto Big Brasa (inúmeras vezes). O Clube chegou a realizar grandes festas com orquestras do sul do país, renomadas. As tertúlias e as matinais também deixam saudade. Cheguei a tocar até um carnaval no Balneário, com o Conjunto Big Brasa, além das centenas de matinais e tertúlias e outras comemorações.  Vale lembrar o “Coquinho”, um dos garçons gente muito boa que sempre atendia a nossa turma.

RADIOAMADORISMO – o celular de hoje em dia
Quem tinha um aparelho de radioamador em seu carro significava poder contatar muitas pessoas em diferentes situações, em especial nas emergências. Viajei de carro para Brasília, pelo Maranhão, Tocantins, podendo falar com todos os colegas o tempo inteiro, se precisasse. Bastava apenas trocar as antenas. Mas, perto de casa, ainda com estação móvel, existia o “beco”, que hoje é uma rua muito movimentada. O beco, entre a Estrada do Fio e a Rua Manoel Castelo Branco, servia como ponto estratégico muito bom para os contatos locais e com outros países, através do radioamadorismo, por não ter interferências da rede de energia elétrica. Consegui falar com mais de 170 países nesta fase, além de participar da Rede de Emergência do Ceará, auxiliando os órgãos de segurança. Meu prefixo era PT7-JSN e PX7-10.245. Minha estação, potente, chegava com facilidade à praticamente todos os locais. Cheguei a fazer um QSO (contato) com uma cidade japonesa, o que significa que o sinal de rádio foi até a ionosfera, baixou para o oceano, subiu de novo até chegar à outra cidade. O contato foi muito breve porque a propagação caiu, mas recebi a comprovação, com o cartão de QSL do amigo radioamador japonês. Tinha uma antena direcional de 12 metros de largura, que cobria a casa quase que toda. E uma torre de 25 metros para as frequências de 2 metros. Conto estes detalhes para quem usa hoje com os celulares, saber das dificuldades da época e como o radioamador poderia ser útil em várias situações. 

FUTEBOL DE BOTÃO
Jogamos muito, com o Luís Peixoto (irmão das amigas e vizinhas Auristela e Auricélia), Pedro Sérgio e José Wellington, o Sérgio Alves e o Amaury Pontes. Eram partidas animadíssimas, nas quais nós mesmos ao jogar “irradiávamos” o jogo! Os campeonatos eram muito disputados. Ainda hoje tenho um time “Ceará” feito com capas de relógios, nas quais colávamos as fotografias dos jogadores retiradas dos “quadros” dos jornais.

FUTEBOL DE CAMPO
Tive um time! Camisetas brancas, bem simples, pintadas com tinta a óleo preta, com apenas algumas listas transversais. Nosso pessoal jogava no campinho, localizado em um terreno quase em frente à nossa casa. Todos ajudaram a fazer o campinho, com traves e tudo. Alguns times da Paupina apareciam para jogar. Em uma dessas ocasiões o time adversário colocou um jogador bem mais velho do que nós. Deveria ter mais de 18 anos e ficou um jogo desproporcional. Começamos a perder feio. Foi aí que o nosso grande amigo de infância Célio Freitas (in memoriam), entrou em nosso time e conseguimos ganhar o jogo pela participação dele! O Célio e eu, nas férias escolares, jogávamos baralho quase todas as manhãs. Ele tinha uma caderneta e anotava todas as partidas, assinando aquelas que ele ganhava, ou seja, quase todas. Eu voltava para casa frustrado, mas ao mesmo tempo com vontade da revanche no dia seguinte.

O ZÉ DA SENHORA
Quem conheceu o Zé da Senhora? Era um jogador do time Messejana, salvo engano. Quando ganhei meu primeiro violão, não sabia nem afinar as cordas. E fui até à casa do Zé da Senhora por indicação de um amigo. Ele me recebeu em sua casa e com toda boa vontade afinou o violão, passando as dicas de afinação. No outro dia novamente eu estava lá para conferir. E aproveitei para começar a aprender a Marcha dos Marinheiros, que ele tocava muito bem. E assim foram algumas vezes até que eu aprendesse alguns solos com ele. Minha eterna gratidão por essa pessoa amiga!

O BALNEÁRIO CLUBE DE MESSEJANA
Localizado às margens da Lagoa de Messejana, na qual, segundo a lenda, e o escritor José de Alencar, Iracema, a “virgem dos lábios de mel”, tomava banho e saía correndo até a Praia de Iracema, chegando a seu destino ainda com os cabelos molhados, tal a sua rapidez. O Balneário Clube de Messejana tinha uma extensa área verde ao redor do salão, bem arborizada, formando um espaço muito agradável para seus frequentadores. O clube possuía uma arquitetura simples, sendo amplo e bem estruturado, no que se refere ao salão de dança e palco. Deixava a desejar pela precariedade de suas instalações de secretaria, bar e da própria fachada.

A vista do Balneário era muito bonita, tendo como cenário a belíssima Lagoa de Messejana, que às tardes nos proporcionava um pôr-do-sol magnífico, com cintilantes reflexos em suas águas. Nas manhãs dos sábados e domingos, podíamos ver algumas velozes lanchas circulando a lagoa, em passeios que deviam ser muito agradáveis. Naquela época, como ainda hoje, aquilo era privilégio de gente rica. Nossa turma frequentava o Balneário para jogar pingue-pongue, tomar banho de lagoa, jogar bola, paquerar e dançar nas tertúlias. Praticamente toda a pequena comunidade de Messejana se encontrava no Balneário. Todo mundo se conhecia. Vivemos, sem sombra de dúvidas, a fase áurea do Balneário de Messejana. Nessa época tínhamos uma Comunidade, na verdadeira acepção da palavra!

O CONJUNTO MUSICAL BIG BRASA
O nosso Conjunto Musical Big Brasa estreou, com sucesso, no Balneário Clube de Messejana, no dia 28 de abril de 1967, véspera de meu aniversário. Vivemos todos os anos do conjunto, um período inesquecível! O Conjunto Big Brasa completou 50 anos de fundado em abril de 2017. O grupo marcou uma significativa presença na televisão cearense, em bailes e outras apresentações em Fortaleza e pelo Nordeste. Realizamos várias promoções musicais e bailes no Recreio dos Funcionários, no Balneário de Messejana e no Tremendão.  O nosso conjunto Big Brasa chegou a tocar um carnaval inteiro no Balneário Clube de Messejana, ocasião que contratamos instrumentistas de sopro para complementar a orquestra carnavalesca.
O meu pai, Alberto Ribeiro da Silva (in memoriam) também se envolveu muito por Messejana tendo sido diretor do Balneário por algumas temporadas, além de ser o mentor do Conjunto Big Brasa. O Conjunto musical Big Brasa, desde sua fundação, em 1967, promoveu muito Messejana. Foi uma iniciativa pioneira, que deixou uma marca de inventivo para outros jovens. No mês de abril de 2017 completou 50 anos de fundação, um aniversário que foi comemorado em vários encontros musicais, inclusive em outros estados.

AMIZADES DE INFÂNCIA
Faziam parte de nossa turma de amigos e amigas o Aderson Alencar, Diony Maria Alencar, Fernando Hugo Colares, Cesar Barreto, Severino Tavares, Roberto Tavares, David Lélis (in memoriam), Luiz Antonio Alencar (o querido Peninha), Ruy Câmara, Dionísio Alencar, Zé Antônio, Luciano Vasconcelos, Salomão Sales, Rita Porto, Aurélio Barroso, Lúcia Ribeiro, Vera Lucia Colares, Didico, Everardo e Jamson Vasconcelos, “Titico” Benevides, Simone, Paulo Afonso, Célia e Eudásio, Liduína Barroso, Yolanda, João Guilherme, Lucinha, Verônica, Auristela, Auricélia e Socorro Peixoto, Fátima Oriá, Célia Alencar, Pedro Ricardo Eleutério (meu amigo - in memoriam) Chico Zé Alencar, Martiniano Coutinho, Penha Amorim, João Dummar Filho, Adalberto Lima, Carló (Carlomagno Lima (in memoriam) Cida Alencar, Solinésio Alencar, Célio Freitas (in memoriam), Loló e Raimundo José Vasconcelos, Antonio de Miranda Leitão, Chico Zé – in memoriam (do Valdir Bento), Adriana Célia, Rosângela Almeida, Adriano e Rogério Almeida, Clodomir, Edson Girão, Miguel Reinaldo, Luís Antonio Alencar e o Luís Antonio Oriá (Dr. Oriá), que estudou comigo no Colégio Cearense, Inácio Oriá, Pedro Sérgio Melo e José Wellington Freitas de Melo, Célio Freitas e muitos outros que a memória talvez tenha deixado escapar momentaneamente.    

O FUTEBOL EM MESSEJANA
Eram dois times principais, o Messejana Esporte Clube e o Salgado da Gama. Cada um com seu estádio próprio. Nas tardes de domingo era uma das opções. Eu tive um pequeno time de futebol com amigos, dentre eles o Pedro Sergio Melo e o José Wellington de Freitas Melo. Jogamos muito no Copacabana, no campinho, no Messejana e batemos bola no Campo do Salgado. Conheci muito o Pinha (in memoriam), que jogou no Salgado da Gama, no América Futebol Clube e também foi contratado para jogar um período em São Luís do Maranhão, onde fez muito sucesso. Por vezes eu fazia ginástica no América Futebol Clube, quando o Pinha jogava na agremiação. Às vezes também joguei bola no quintal da casa do Fernando Hugo (que ficava ao lado do Banco do Brasil de hoje). Bons e saudosos tempos. Vale mencionar também as partidas de futebol de salão na URJA, sempre disputadas. Há alguns anos, através do Portal Messejana cheguei a fazer uma entrevista com o Dodô, um dos principais jogadores da época em Messejana, que jogou no Salgado da Gama e no Messejana Esporte Clube.

O RESTAURANTE TREMENDÃO
Ficava às margens da Lagoa de Messejana e era um recanto muito agradável. Passou por muitas administrações e hoje se encontra com o prédio praticamente em ruínas e vandalizado. Frequentei o Tremendão dezenas de vezes e realizei o lançamento de meu primeiro livro sobre o Conjunto Big Brasa, em 1999, em uma festa muito animada da qual participaram excelentes bandas locais, como Os Faraós, O Túnel do Tempo, Remember Beatles, O Conjunto Big Brasa, com muitos componentes e Os Rataplans.

A FEIRA DE MESSEJANA
Frequentei e ainda vou de vez em quando à feira, considerada uma das maiores do Ceará. Lá se encontra de tudo! Havia uma loja, localizada na praça da feira, que era do Sr. Alfredinho. Muito boa e cheia de utilidades. Era uma das melhores. A feira expandiu muito e ainda nos dias atuais é muito grande, com uma variedade de produtos impressionante.

SERENATAS
Naquela época em que havia mais romantismo, com músicas que possuíam melodias e letras rebuscadas, fizemos muitas serenatas para nossas colegas, uma época em que a tranquilidade reinava em Messejana e podíamos nos divertir em paz. Fizemos muitas serenatas para as colegas de infância e juventude. Não posso esquecer e destacar um fato pitoresco que aconteceu com nosso grupo de amigos em uma serenata: na casa da família Pompeu, ao tocarmos aquela música que dizia: “Vento que balança, as palhas do coqueiro”... Muito bem, nesta hora o Luciano Vasconcelos subiu em uma das palhas do coqueiro anão, existente no local e começou a fazer uma sonoplastia, balançando as palhas. Não esperava que elas não suportassem e de repente foi ao chão, quando todos riram incontrolavelmente e a serenata se desfez. Uma vídeocassetada, na realidade!  

A FARMÁCIA DO SEU ROCHA
É importante destacar que eu conheci muito o seu Rocha, que era uma excelente pessoa e um farmacêutico que me ajudou muito em minha infância e juventude. Messejana era longe de tudo e pessoas como ele ajudavam a população local demais. Prestou inestimáveis serviços para a comunidade de Messejana. E hoje em dia sou amigo dos filhos dele, em particular o Kildare Rios, um excelente músico. 

O DR. JOSÉ MAURO
Quem não lembra o Dr. José Mauro (in memoriam), um bom dentista que tinha seu consultório na Rua Joaquim Bezerra, na Praça de Messejana. A maioria de nós se valeu dos bons serviços prestados por ele.  

A CRISMALHAS
Conhecemos muito o Seu Vasconcelos (da CRISMALHAS - quem lembra?). Pai do Luciano (Ciano Vasconcelos), Jamson Vasconcelos e Everardo Vasconcelos, todos bons amigos até hoje. Uma curiosidade: estava eu em Manaus, na Zona Franca, quando ao fazer algumas compras eu avistei uma camisa, em um mostruário, que para mim era a mais bonita de todas. Pedi imediatamente para o vendedor me mostrar. E ao examinar a bonita camisa notei a etiqueta, que dizia “Crismalhas – Messejana – Fortaleza – Ceará”. Era uma das camisas que a fábrica usava para exportação! Belíssima.

MATERNIDADE DE MESSEJANA
A Casa de Saúde Maternidade Jesus Sacramentado, ou simplesmente a Maternidade como chamávamos, era praticamente a única solução de atendimento médico em Messejana, tendo em vista que ainda não existiam o Frotinha, Gonzaguinha, as UPAs etc. Todos a ela recorriam para os diversos fins, fraturas, exames, consultas e tudo relacionado à saúde, mas principalmente atendia às gestantes e aos partos. Prestou inúmeros serviços à comunidade messejanense e bairros adjacentes. Localizada na Rua Pergentino Maia e pertencia ao Dr. Parayba – in memoriam.

AS OFICINAS DE CARROS
Temos que destacar as oficinas do Faúna, que ficava na BR-116, quase em frente ao Seminário Seráfico, local que passamos muitas horas para consertar nossos jipes e outros transportes, no início. Havia também a oficina do Zé Amarelim, como era chamado, que ficava perto do posto de gasolina da Família Serpa, embaixo de umas mangueiras. Ali trabalhava o mecânico “Maracanã”, que naquele tempo, quando era chamado para consertar os nossos carros, dizia antecipadamente, sorrindo: “pode comprar um condensador e um platinado”, sem nem verificar o defeito... E todo mundo ria disso.

A DONA CHIQUINHA
Em vez de ir ao Shopping como fazemos hoje em dia, tínhamos a Dona Chiquinha! Ela fazia nossas camisas e calças. E muito bem, porque o seu trabalho era sempre caprichoso e de grande perfeição. Ainda mora em Messejana. E a ela somos muito gratos.

O SEU CAPOTE
Era um bom torneiro mecânico e muito solicitado por todos para os reparos nos motores e tubulações em nossos poços. Possuía as chaves inglesas bem grandes, capazes de trabalhar com canos largos e isso era fundamental.

O FAMOSO “SEU ZÉ”
Andei muito de ônibus com o “Seu Zé” (Zé Bitu), motorista calmo e gente boa, que nos levava ao Colégio Cearense todos os dias. A turma dizia sempre para ele “tira o pé do freio, Seu Zé!”, porque ele dirigia sempre com a velocidade normal e correta! E deixava a gente ir na frente, encostado no motor, quando não havia mais lugar. O Seu Zé, pelos cuidados que mantinha com os veículos que dirigia, era contemplado sempre com os ônibus novos que eram adicionados à frota.

OUTRAS BRINCADEIRAS
- Montamos triciclos, com o Luciano Vasconcelos (junção de duas bicicletas) e conheci um poço que dava vazão a gasolina por um período – (descobrimos o mistério depois: era por conta de um vazamento da bomba de gasolina do pai do Zé Antonio, da Panificadora Nogueira, cujo depósito teve uma avaria e começou a vazar).
- Fazíamos, por pura brincadeira, umas passeatas cantando e segurando velas, como se fosse alguma seita. O Luciano Vasconcelos certamente lembra como eram. Normalmente iniciadas em frente da antiga casa dele, na Avenida Frei Cirilo, até a pracinha da Igreja;
- Frequentei também algumas vezes o Zé Leão para comer bifes com coca-cola;
- Jogava sinuca com colegas e amigos, inclusive o Sr. Crispim (in memoriam), que era o dono da Farmácia) bem em frente onde é hoje a farmácia principal da família; conheci também o Seu Neto (farmácia na pracinha).
- Fui muitas vezes acampar na Abreulândia (era a maior tranquilidade), passei finais de semana na COFECO, fui festas no clube de lá também;
- O barzinho “SUBMARINO AMARELO”, na estrada do fio onde nossa turma se encontrava muitas vezes antes de sair em nossos jipes para passear!

COLÉGIO JOSÉ BARCELOS – O “TREM”
Estudei três anos no José Barcelos. Alguns dos professores que lembro: Isolda (inglês), João Batista (Ciências), Sérgio Benevides, Paulo Aguiar (Matemática), Zuleika Oriá, Bartolomeu Brandão dentre outros. O Sindô (não sei a grafia se está certa) era o vigia e porteiro. A Dona Célia Benevides foi uma das diretoras na época.

A MÁXI INFORMÁTICA
Uma iniciativa pioneira surgiu mais uma vez quando montamos, mais à frente, a primeira Escola de Informática de Messejana - a MÁXI INFORMÁTICA, que atendeu e formou mais de dois mil alunos. Ainda hoje recebemos ligações telefônicas de ex-alunos procurando seus Certificados, uma segunda via, ou mesmo querendo fazer cursos de informática.

O PORTAL MESSEJANA
Criamos depois o Portal Messejana (que é o sítio na internet do Instituto Portal Messejana, que tem a finalidade de divulgar Fortaleza e o Ceará. Atualmente o Instituto Portal Messejana é uma entidade de utilidade pública, uma Associação sem fins lucrativos, reconhecida pelo governo federal, estadual e municipal (uma OSCIP);

MESSEJANA, UMA TERRA QUE MUITO BEM NOS ACOLHEU
É a frase que iniciei este texto e que acrescento novamente ao final. Um abraço aos amigos e amigas e se Deus quiser ainda faremos mais alguma coisa aqui pelo bom distrito de Messejana. 


João Ribeiro da Silva Neto
Em novembro de 2019

domingo, 1 de setembro de 2019

Tempos de minha infância!

Há muitas recordações de minha infância que se mantêm de forma nítida, outras com traços menos fortes de memória, mas todas elas vívidas em nossa existência com marcas sempre presentes.

De São José dos Campos, São Paulo, minha cidade natal, eu recordo bem de nossa casa, a casa de minha avó e dos meus tios, da entrada grande, com muitas laranjeiras aos lados, do grande quintal, que ligava à casa de meu tio e de minha avó. Entretanto, lembro de poucos momentos em que nós brincávamos com colegas. Tudo era bastante diferente do que conhecemos aqui no Nordeste, a partir do clima, bastante frio. A maioria de nossos vizinhos era de origem estrangeira e, portanto, com outros costumes e cultura. Frequentei por alguns meses uma escola de Judô, de japoneses. Aprendi o básico, as maneiras de cair, alguns golpes de defesa etc. Gostava muito e não lembro o porquê da interrupção das aulas.

Convém falar sobre São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que é o município sede de empresas como a Embraer, a Panasonic, General Motors e diversos institutos como o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, dentre vários outros órgãos importantes para o Brasil. Da cidade lembramos vagamente da Igreja de São Dimas, a qual o meu pai ajudou em uma das reformas com monsenhor Ascânio Brandão e do seguinte detalhe: que naquela igreja ficou um dos sinos com os nomes de meus pais gravados, Alberto e Zisile. Como vistas da cidade recordo do Banhado, um vale muito bonito, local que podia ser apreciado de um dos pontos principais da cidade. Também os passeios que eventualmente o Tio Raimundo me levava, o Riacho Vidoca; lembro também que assisti a um show da cantora Celly Campello; do Bar Pequeno, na entrada da Vila Ema, que não sei se ainda existe. A empresa de ônibus de São José para São Paulo se chamava Pássaro Marrom. Em minha última visita à cidade, eu a encontrei muito diferente, extremamente mais desenvolvida e movimentada, continuando a ser uma das maiores cidades paulistas.

São José dos Campos oferecia muita segurança: aos oito anos eu estudava no Grupo Escolar Olímpio Catão, no centro da cidade e pegava o ônibus sozinho, da Vila Ema até a escola! De calças curtas, fardado, eu ficava na parada esperando o transporte, incomodado às vezes pelo frio em determinadas épocas. Mas os veículos eram novos, limpos e não havia praticamente perigos de segurança como hoje em dia. Ia para o colégio e voltava sem problemas. Em alguns dias, com colegas de quem não lembro os nomes, descia na Esplanada, que hoje é um bairro, mas que naquele tempo eram campos gramados apenas, nós chegamos facilmente a laçar dois cavalos e neles andar um pouco. Para que tenham uma ideia, a subida nos animais era feita do muro da casa de meu tio Raimundo. Tudo escondido, até que um dia o dono dos animais nos viu, tomou a cordinha que amarrava os dóceis cavalos e ainda de brinde (tomou) as almofadas de meu tio, que usávamos em lugar de uma cela, depois de me passar um carão...  

Comecei a ler cedo, aos quatro anos e pouco. A televisão, que os meus pais possuíam, era uma de 14 polegadas, gabinete metálico e vermelho. Minha mãe me contava que eu prestava bastante atenção aos “slides” das propagandas, que facilitaram muito a associação de palavras e a leitura. Aliás, tenho que agradecer os inúmeros livros que eu li, todos comprados pela mamãe, Zisile ou presenteados. Dentre eles Contos de Andersen, de Grimm, a coleção completa de Monteiro Lobato, outra coleção “Antes que aprendam na rua” além da famosa enciclopédia “Tesouro da Juventude”. Sobre os livros, com toda certeza foram eles que me favoreceram a passar em concursos importantes na minha vida profissional. Eu me habituei e sempre li muito, na infância e por toda a minha vida.

A música: também iniciei os estudos de acordeon com a saudosa Dona Ivone, isso já aos sete anos. Tocava as melodias no teclado (Rosa Maria foi a primeira música) e ela segurava o acordeon e fazia o acompanhamento  nos baixos. Depois ganhei um de oito baixos de minha mãe, a qual só viria a ser substituída por uma de 80 baixos anos depois! Assim, eu levava o primeiro acordeon para a casa de Dona Ivone, estudava a aula com ela e voltava para casa na rua, tocando a música aprendida!

Dos brinquedos, lembro que eu tinha praticamente tudo o que eu criança poderia desejar, como pequenos carros militares, ambulâncias, aviões, soldados, índios, fortes, postos de gasolina e outros. Eu os distribuía em meu quarto para brincar, quase sempre sozinho.  Tinha uma bola, luvas de goleiro, mas não tinha um time nem colegas para jogar. Tivemos sempre animais de estimação, o nome Babu permanece até os dias atuais para os gatos e Rajá para os cães.

Os principais primos que mais recordo são a Rita de Cássia, a Mônica, o João Ribeiro da Silva Sá e a Maria Lúcia. Além do querido Tio João Ribeiro da Silva Filho (meu padrinho) e da Tia Maria, esposa dele. Ambos os tios, Raimundo e João, eram também grandes amigos de meu pai e eu gostava muito deles. Na foto ao lado, em frente de nossa casa, estou com a prima Mônica, a Rita de Cássia, o meu irmão Getúlio e dois outros colegas que não lembro mais os nomes. 

Dentre os diversos primos militares de nossa família alguns deles passavam as folgas de estudo conosco, em nossa casa. Principalmente o Wagner Ribeiro e o João Ribeiro da Silva Júnior (In memoriam) que se formaram na Academia Militar das Agulhas Negras, a AMAN, localizada em Resende (RJ), que é o único estabelecimento de ensino superior que forma os oficiais combatentes de carreira das armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, do Quadro de Material Bélico e Serviço de Intendência do Exército Brasileiro. O Pedro Augusto da Silva Neto, também meu primo, morava em Lorena e nós chegamos a visitá-los algumas vezes. Lembro que ganhei um capacete do Exército de meu tio, Pedro José da Silva Neto, então Coronel. Como gostava muito de acessórios militares, afinidade que guardo até hoje, foi um presente que gostei muito! Fui à AMAN com meu pai e meus tios a algumas solenidades de entregas de espadim ou de espada aos cadetes e oficiais. Lembro muito dos desfiles e dos alojamentos que eles me levavam para conhecer. A organização era impecável, festas bonitas.  

Muita diferença de hábitos eu senti quando fui passar umas férias na cidade de Balsas, Maranhão, onde meu pai nasceu. Empolgava-me com todas as novidades, entre elas a “lamparina” (pois a energia elétrica era provida de uma usina que funcionava até as 22 horas apenas). As brincadeiras com bolinhas de gude, carrinhos e aviões feitos com buriti, andar de bicicleta e ter colegas para brincar. Eu ficava admirado também pela maneira com que eram vendidos os refrigerantes, todos em sacos com raspa de madeira dentro para não quebrar.

Após nossa mudança para Fortaleza, no final de 1960, no início estranhei um pouco. Primeiramente pelos ônibus, que eram aqueles antigos, com frentes de caminhão. E a maioria deles velhos e não tão limpos quanto os de São José. Nas ruas eu via as placas “Beba Tai” e também ficava admirado... Isto porque “Tai” em São José dos Campos era uma marca de água sanitária e eu pensava, como o pessoal pode beber Tai?

Moramos inicialmente em Fortaleza no Bairro de Fátima, em uma rua ao lado do Ginásio Nossa Senhora das Graças. Depois mudamos para um apartamento no final da Costa Barros, que ficava em um prédio em frente ao Arcebispado. Nossas brincadeiras eram por perto da Igreja da Sé, ao redor, a maioria de “xerife” e cowboys. Posteriormente outra mudança para a Rua Mário Mamede, bem perto da Igreja de Fátima, uma temporada muito boa. Estudei em vários colégios, por causa dos deslocamentos, entre eles o Santa Lúcia, o Castelo Branco, o Colégio Cearense (marista), o José Barcelos, esse mais adiante.

Mais tarde, já bem ambientado e gostando muito da mudança para Fortaleza, onde melhorei muito minha saúde por causa do excelente clima, passei a morar em Messejana, com todos os encantos daquela época, muita segurança, trânsito calmo, clima agradabilíssimo, colegas para brincar e até formar um time de futebol, com nossos amigos e vizinhos. Brincar de “cowboy” era muito legal. E depois, um pouco mais adiante, jogar botão com times de “capas de relógio”, nas quais colávamos as fotografias dos jogadores de nossos clubes (o meu sempre foi o Ceará Sporting Club, hoje o nosso “Vozão”). Os campeonatos eram realizados em nossas casas, especificamente nas residências do Pedro Sérgio e Zé Wellington, na do Luís Peixoto e em nossa própria casa. Dos times de botão para o futebol de salão, no Colégio Cearense (onde fui campeão em 1965) e nos campinhos perto de casa, com as camisetas compradas de marcas simples e pintadas com tinta a óleo...  Foi em Fortaleza que efetivamente tive os meus primeiros contatos efetivo com a comunidade, através da interação com colegas de infância e mais futuramente também com muitas pessoas, quando na juventude participei do Conjunto Musical Big Brasa.

Minha infância foi muito feliz e dela tirei alguma iluminação, sem dúvida, além dos registros significativos que possuo até hoje. Partindo do princípio de que a felicidade não é constante, mas sim ela nos chega de ciclos em ciclos, assim como tudo mais em nossa existência, fica a minha eterna gratidão aos meus pais, em primeiro lugar, pela formação e exemplos que me transmitiram e que foram e estão sendo por demais úteis na minha vida. Agradeço também a todos que delas participaram, de uma forma ou de outra, na certeza de que tudo valeu muito, inclusive recordar novamente e compartilhar com os amigos e amigas.

domingo, 25 de agosto de 2019

Sobre a Iluminação e a Vida


Está disposto a ler este texto? Este pode ser o seu presente, o seu agora!
Há muito que aprender na vida, em todos os sentidos. Sabendo disso despertei meu interesse na Iluminação e tento na medida do possível, através da leitura e vivência, associar alguns conceitos, entender outros, que às vezes nos passam despercebidos em nossa existência. Somos criaturas imperfeitas e temos um curto espaço de tempo para a procura de uma boa convivência com nossos semelhantes e conosco mesmos.

Em primeiro lugar temos que saber que as pessoas de existências passadas eram semelhantes a nós e que não somos superiores a elas na Inteligência. Ou seja, os processos culturais e mentais, além das descobertas tecnológicas foram evoluindo ao longo do tempo. Deste modo se colocássemos uma pessoa da atualidade para viver no passado, há pelo menos três mil anos, sabemos que ela não conseguiria desenvolver nada da tecnologia que temos hoje em todas as áreas. Apenas poderia descrever o que hoje existe, o que acredito que seria recebido com muita incredulidade pelos povos antigos. Tudo foi evoluindo gradativamente, em sociedade. 

E o que é Iluminação? Pelo que percebi é um conceito de que é um estado mental ou de espírito que pode ser alcançado por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, independente de seu nível de conhecimento. Este estado é muito difícil de descrever, mas fácil de vivenciar, sendo que seus objetivos principais são melhorar o estado da saúde, reduzir o “stress”, ajudar a melhorar o relacionamento com as outras pessoas, fazer você encontrar sentido para a vida, dentre muitos outros.

Posso afirma que a Iluminação, como a Felicidade, não é um estado permanente na vida de cada pessoa. Por vezes temos estágios ou períodos em que ficamos mais “Iluminados”, assim como é a Felicidade. São ciclos, digamos, que podem fazer parte de nossa vida de tempos em tempos. Segundo Leo Gough, convém lembrar que a iluminação não pode realizar tarefas como: evitar a morte, curar doenças incuráveis, evitar perdas eventuais que as pessoas possam vir a ter. E nos desprendendo de práticas de meditação, oração e outras, podemos afirmar que a Iluminação se prende ao Aqui e Agora, sendo que Agora é o momento importante de sua vida, porque é o momento que você está! A Iluminação busca a sua vontade interior de identificar o Bem e o Mal, fazer suas escolhas morais e resolver tomar suas próprias decisões, de acordo com a sua própria consciência.

Saber com exatidão o valor da vida, de como devemos nos comportar com os semelhantes e ter uma noção de o quanto os seres humanos conhecem de sua existência, o que considero muito pouco. Não sabemos exatamente de onde viemos e nem para onde iremos depois desta meteórica passagem aqui pela terra. E aqui afirmo que não importa se a pessoa crê em Deus ou possui (ou não) crença em religiões ou divindades.

A música Começo Meio e Fim, do grupo Roupa Nova, define uma sequência para o Amor. Eu a utilizaria para descrever a vida humana, mesmo que não saibamos o que vem antes do Começo e o que virá após do Fim. A morte seria o fim? Muitos dos seres humanos têm a esperança da imortalidade, mas ninguém sabe, na realidade, o que se passará depois de nossa existência física. Assim, durante a vida em sua plenitude, devemos nos acostumar ao conceito desta partida, mesmo porque é inevitável. A morte figura como a maior certeza da Vida. Por mais rico, inteligente, importante ou poderoso que uma pessoa seja, em sua morte será equilibrada a todos.

Observar detalhes sobre a nossa existência é por demais importante! Avaliar os hábitos de vida e tudo aquilo que podemos mudar para melhor é uma questão de qualidade de vida. Quanto mais você se analisar, mais conhecerá de si mesmo e logicamente terá oportunidades maiores de obter benefícios com a Iluminação.

Você fica mais iluminado quando identifica um processo que o torna melhor em relação a si mesmo ou a outras pessoas. A iluminação trará certamente benefícios físicos e mentais para sua existência e interação com o mundo e com as pessoas. É importante assimilar a ideia que o ser humano não é a criatura mais importante do Universo, estando longe disso, por suas falhas e imperfeições. E que nós não somos as criaturas mais inteligentes do cosmos.      

É importante, independente de idade, gênero, raça, incorporar ao máximo os conceitos éticos, não para se regular fielmente às normas impostas por esta ou aquela instituição, mas sim dentro dos parâmetros do respeito ao próximo, ditados por nossa própria consciência.

O professor e monge Shunryu Suzuki (1904-1971) disse sobre a iluminação: “É um tipo de mistério que para as pessoas que não têm experiência de iluminação, a iluminação é algo maravilhoso. Mas se eles a alcançam, não é nada. E ainda não é nada. Você entende? Para uma mãe com filhos, suas crianças não são nada especiais. Então, se você continuar esta prática, mais e mais você irá adquirir algo nada especial, mas mesmo assim alguma coisa. Você pode dizer ‘natureza universal’ ou ‘iluminação’. Você pode chamá-lo por muitos nomes, mas para a pessoa que o possui, não é nada, e é algo”.

Esteja assim sempre de bem com o seu Agora, com o Presente; respeite o seu semelhante e tenha o especial cuidado de não se apegar às coisas materiais. E procure alcançar o dom de separar o que é do Bem e do Mal e força suficiente para fazer as escolhas acertadas. Conforme dizia o meu pai, Alberto Ribeiro, ao se referir a temas similares, “são estes pequenos acontecimentos que muitas e muitas vezes se transformam em grandes lições de vida. (...) Dou graças ao Grande Arquiteto do Universo, por me ter dado tempo suficiente para refletir sobre estas coisas e mente capaz de assimilar e transmitir para outras gerações essas grandes verdades.


João Ribeiro da Silva Neto