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A importância da família em nossas vidas

PROJETO “FAMÍLIA RIBEIRO DA SILVA” -  A importância da família em nossas vidas Em primeiro lugar destaco uma constatação extremamente óbvia:...

domingo, 1 de setembro de 2019

Tempos de minha infância!

Há muitas recordações de minha infância que se mantêm de forma nítida, outras com traços menos fortes de memória, mas todas elas vívidas em nossa existência com marcas sempre presentes.

De São José dos Campos, São Paulo, minha cidade natal, eu recordo bem de nossa casa, a casa de minha avó e dos meus tios, da entrada grande, com muitas laranjeiras aos lados, do grande quintal, que ligava à casa de meu tio e de minha avó. Entretanto, lembro de poucos momentos em que nós brincávamos com colegas. Tudo era bastante diferente do que conhecemos aqui no Nordeste, a partir do clima, bastante frio. A maioria de nossos vizinhos era de origem estrangeira e, portanto, com outros costumes e cultura. Frequentei por alguns meses uma escola de Judô, de japoneses. Aprendi o básico, as maneiras de cair, alguns golpes de defesa etc. Gostava muito e não lembro o porquê da interrupção das aulas.

Convém falar sobre São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que é o município sede de empresas como a Embraer, a Panasonic, General Motors e diversos institutos como o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, dentre vários outros órgãos importantes para o Brasil. Da cidade lembramos vagamente da Igreja de São Dimas, a qual o meu pai ajudou em uma das reformas com monsenhor Ascânio Brandão e do seguinte detalhe: que naquela igreja ficou um dos sinos com os nomes de meus pais gravados, Alberto e Zisile. Como vistas da cidade recordo do Banhado, um vale muito bonito, local que podia ser apreciado de um dos pontos principais da cidade. Também os passeios que eventualmente o Tio Raimundo me levava, o Riacho Vidoca; lembro também que assisti a um show da cantora Celly Campello; do Bar Pequeno, na entrada da Vila Ema, que não sei se ainda existe. A empresa de ônibus de São José para São Paulo se chamava Pássaro Marrom. Em minha última visita à cidade, eu a encontrei muito diferente, extremamente mais desenvolvida e movimentada, continuando a ser uma das maiores cidades paulistas.

São José dos Campos oferecia muita segurança: aos oito anos eu estudava no Grupo Escolar Olímpio Catão, no centro da cidade e pegava o ônibus sozinho, da Vila Ema até a escola! De calças curtas, fardado, eu ficava na parada esperando o transporte, incomodado às vezes pelo frio em determinadas épocas. Mas os veículos eram novos, limpos e não havia praticamente perigos de segurança como hoje em dia. Ia para o colégio e voltava sem problemas. Em alguns dias, com colegas de quem não lembro os nomes, descia na Esplanada, que hoje é um bairro, mas que naquele tempo eram campos gramados apenas, nós chegamos facilmente a laçar dois cavalos e neles andar um pouco. Para que tenham uma ideia, a subida nos animais era feita do muro da casa de meu tio Raimundo. Tudo escondido, até que um dia o dono dos animais nos viu, tomou a cordinha que amarrava os dóceis cavalos e ainda de brinde (tomou) as almofadas de meu tio, que usávamos em lugar de uma cela, depois de me passar um carão...  

Comecei a ler cedo, aos quatro anos e pouco. A televisão, que os meus pais possuíam, era uma de 14 polegadas, gabinete metálico e vermelho. Minha mãe me contava que eu prestava bastante atenção aos “slides” das propagandas, que facilitaram muito a associação de palavras e a leitura. Aliás, tenho que agradecer os inúmeros livros que eu li, todos comprados pela mamãe, Zisile ou presenteados. Dentre eles Contos de Andersen, de Grimm, a coleção completa de Monteiro Lobato, outra coleção “Antes que aprendam na rua” além da famosa enciclopédia “Tesouro da Juventude”. Sobre os livros, com toda certeza foram eles que me favoreceram a passar em concursos importantes na minha vida profissional. Eu me habituei e sempre li muito, na infância e por toda a minha vida.

A música: também iniciei os estudos de acordeon com a saudosa Dona Ivone, isso já aos sete anos. Tocava as melodias no teclado (Rosa Maria foi a primeira música) e ela segurava o acordeon e fazia o acompanhamento  nos baixos. Depois ganhei um de oito baixos de minha mãe, a qual só viria a ser substituída por uma de 80 baixos anos depois! Assim, eu levava o primeiro acordeon para a casa de Dona Ivone, estudava a aula com ela e voltava para casa na rua, tocando a música aprendida!

Dos brinquedos, lembro que eu tinha praticamente tudo o que eu criança poderia desejar, como pequenos carros militares, ambulâncias, aviões, soldados, índios, fortes, postos de gasolina e outros. Eu os distribuía em meu quarto para brincar, quase sempre sozinho.  Tinha uma bola, luvas de goleiro, mas não tinha um time nem colegas para jogar. Tivemos sempre animais de estimação, o nome Babu permanece até os dias atuais para os gatos e Rajá para os cães.

Os principais primos que mais recordo são a Rita de Cássia, a Mônica, o João Ribeiro da Silva Sá e a Maria Lúcia. Além do querido Tio João Ribeiro da Silva Filho (meu padrinho) e da Tia Maria, esposa dele. Ambos os tios, Raimundo e João, eram também grandes amigos de meu pai e eu gostava muito deles. Na foto ao lado, em frente de nossa casa, estou com a prima Mônica, a Rita de Cássia, o meu irmão Getúlio e dois outros colegas que não lembro mais os nomes. 

Dentre os diversos primos militares de nossa família alguns deles passavam as folgas de estudo conosco, em nossa casa. Principalmente o Wagner Ribeiro e o João Ribeiro da Silva Júnior (In memoriam) que se formaram na Academia Militar das Agulhas Negras, a AMAN, localizada em Resende (RJ), que é o único estabelecimento de ensino superior que forma os oficiais combatentes de carreira das armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, do Quadro de Material Bélico e Serviço de Intendência do Exército Brasileiro. O Pedro Augusto da Silva Neto, também meu primo, morava em Lorena e nós chegamos a visitá-los algumas vezes. Lembro que ganhei um capacete do Exército de meu tio, Pedro José da Silva Neto, então Coronel. Como gostava muito de acessórios militares, afinidade que guardo até hoje, foi um presente que gostei muito! Fui à AMAN com meu pai e meus tios a algumas solenidades de entregas de espadim ou de espada aos cadetes e oficiais. Lembro muito dos desfiles e dos alojamentos que eles me levavam para conhecer. A organização era impecável, festas bonitas.  

Muita diferença de hábitos eu senti quando fui passar umas férias na cidade de Balsas, Maranhão, onde meu pai nasceu. Empolgava-me com todas as novidades, entre elas a “lamparina” (pois a energia elétrica era provida de uma usina que funcionava até as 22 horas apenas). As brincadeiras com bolinhas de gude, carrinhos e aviões feitos com buriti, andar de bicicleta e ter colegas para brincar. Eu ficava admirado também pela maneira com que eram vendidos os refrigerantes, todos em sacos com raspa de madeira dentro para não quebrar.

Após nossa mudança para Fortaleza, no final de 1960, no início estranhei um pouco. Primeiramente pelos ônibus, que eram aqueles antigos, com frentes de caminhão. E a maioria deles velhos e não tão limpos quanto os de São José. Nas ruas eu via as placas “Beba Tai” e também ficava admirado... Isto porque “Tai” em São José dos Campos era uma marca de água sanitária e eu pensava, como o pessoal pode beber Tai?

Moramos inicialmente em Fortaleza no Bairro de Fátima, em uma rua ao lado do Ginásio Nossa Senhora das Graças. Depois mudamos para um apartamento no final da Costa Barros, que ficava em um prédio em frente ao Arcebispado. Nossas brincadeiras eram por perto da Igreja da Sé, ao redor, a maioria de “xerife” e cowboys. Posteriormente outra mudança para a Rua Mário Mamede, bem perto da Igreja de Fátima, uma temporada muito boa. Estudei em vários colégios, por causa dos deslocamentos, entre eles o Santa Lúcia, o Castelo Branco, o Colégio Cearense (marista), o José Barcelos, esse mais adiante.

Mais tarde, já bem ambientado e gostando muito da mudança para Fortaleza, onde melhorei muito minha saúde por causa do excelente clima, passei a morar em Messejana, com todos os encantos daquela época, muita segurança, trânsito calmo, clima agradabilíssimo, colegas para brincar e até formar um time de futebol, com nossos amigos e vizinhos. Brincar de “cowboy” era muito legal. E depois, um pouco mais adiante, jogar botão com times de “capas de relógio”, nas quais colávamos as fotografias dos jogadores de nossos clubes (o meu sempre foi o Ceará Sporting Club, hoje o nosso “Vozão”). Os campeonatos eram realizados em nossas casas, especificamente nas residências do Pedro Sérgio e Zé Wellington, na do Luís Peixoto e em nossa própria casa. Dos times de botão para o futebol de salão, no Colégio Cearense (onde fui campeão em 1965) e nos campinhos perto de casa, com as camisetas compradas de marcas simples e pintadas com tinta a óleo...  Foi em Fortaleza que efetivamente tive os meus primeiros contatos efetivo com a comunidade, através da interação com colegas de infância e mais futuramente também com muitas pessoas, quando na juventude participei do Conjunto Musical Big Brasa.

Minha infância foi muito feliz e dela tirei alguma iluminação, sem dúvida, além dos registros significativos que possuo até hoje. Partindo do princípio de que a felicidade não é constante, mas sim ela nos chega de ciclos em ciclos, assim como tudo mais em nossa existência, fica a minha eterna gratidão aos meus pais, em primeiro lugar, pela formação e exemplos que me transmitiram e que foram e estão sendo por demais úteis na minha vida. Agradeço também a todos que delas participaram, de uma forma ou de outra, na certeza de que tudo valeu muito, inclusive recordar novamente e compartilhar com os amigos e amigas.

domingo, 25 de agosto de 2019

Sobre a Iluminação e a Vida


Está disposto a ler este texto? Este pode ser o seu presente, o seu agora!
Há muito que aprender na vida, em todos os sentidos. Sabendo disso despertei meu interesse na Iluminação e tento na medida do possível, através da leitura e vivência, associar alguns conceitos, entender outros, que às vezes nos passam despercebidos em nossa existência. Somos criaturas imperfeitas e temos um curto espaço de tempo para a procura de uma boa convivência com nossos semelhantes e conosco mesmos.

Em primeiro lugar temos que saber que as pessoas de existências passadas eram semelhantes a nós e que não somos superiores a elas na Inteligência. Ou seja, os processos culturais e mentais, além das descobertas tecnológicas foram evoluindo ao longo do tempo. Deste modo se colocássemos uma pessoa da atualidade para viver no passado, há pelo menos três mil anos, sabemos que ela não conseguiria desenvolver nada da tecnologia que temos hoje em todas as áreas. Apenas poderia descrever o que hoje existe, o que acredito que seria recebido com muita incredulidade pelos povos antigos. Tudo foi evoluindo gradativamente, em sociedade. 

E o que é Iluminação? Pelo que percebi é um conceito de que é um estado mental ou de espírito que pode ser alcançado por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, independente de seu nível de conhecimento. Este estado é muito difícil de descrever, mas fácil de vivenciar, sendo que seus objetivos principais são melhorar o estado da saúde, reduzir o “stress”, ajudar a melhorar o relacionamento com as outras pessoas, fazer você encontrar sentido para a vida, dentre muitos outros.

Posso afirma que a Iluminação, como a Felicidade, não é um estado permanente na vida de cada pessoa. Por vezes temos estágios ou períodos em que ficamos mais “Iluminados”, assim como é a Felicidade. São ciclos, digamos, que podem fazer parte de nossa vida de tempos em tempos. Segundo Leo Gough, convém lembrar que a iluminação não pode realizar tarefas como: evitar a morte, curar doenças incuráveis, evitar perdas eventuais que as pessoas possam vir a ter. E nos desprendendo de práticas de meditação, oração e outras, podemos afirmar que a Iluminação se prende ao Aqui e Agora, sendo que Agora é o momento importante de sua vida, porque é o momento que você está! A Iluminação busca a sua vontade interior de identificar o Bem e o Mal, fazer suas escolhas morais e resolver tomar suas próprias decisões, de acordo com a sua própria consciência.

Saber com exatidão o valor da vida, de como devemos nos comportar com os semelhantes e ter uma noção de o quanto os seres humanos conhecem de sua existência, o que considero muito pouco. Não sabemos exatamente de onde viemos e nem para onde iremos depois desta meteórica passagem aqui pela terra. E aqui afirmo que não importa se a pessoa crê em Deus ou possui (ou não) crença em religiões ou divindades.

A música Começo Meio e Fim, do grupo Roupa Nova, define uma sequência para o Amor. Eu a utilizaria para descrever a vida humana, mesmo que não saibamos o que vem antes do Começo e o que virá após do Fim. A morte seria o fim? Muitos dos seres humanos têm a esperança da imortalidade, mas ninguém sabe, na realidade, o que se passará depois de nossa existência física. Assim, durante a vida em sua plenitude, devemos nos acostumar ao conceito desta partida, mesmo porque é inevitável. A morte figura como a maior certeza da Vida. Por mais rico, inteligente, importante ou poderoso que uma pessoa seja, em sua morte será equilibrada a todos.

Observar detalhes sobre a nossa existência é por demais importante! Avaliar os hábitos de vida e tudo aquilo que podemos mudar para melhor é uma questão de qualidade de vida. Quanto mais você se analisar, mais conhecerá de si mesmo e logicamente terá oportunidades maiores de obter benefícios com a Iluminação.

Você fica mais iluminado quando identifica um processo que o torna melhor em relação a si mesmo ou a outras pessoas. A iluminação trará certamente benefícios físicos e mentais para sua existência e interação com o mundo e com as pessoas. É importante assimilar a ideia que o ser humano não é a criatura mais importante do Universo, estando longe disso, por suas falhas e imperfeições. E que nós não somos as criaturas mais inteligentes do cosmos.      

É importante, independente de idade, gênero, raça, incorporar ao máximo os conceitos éticos, não para se regular fielmente às normas impostas por esta ou aquela instituição, mas sim dentro dos parâmetros do respeito ao próximo, ditados por nossa própria consciência.

O professor e monge Shunryu Suzuki (1904-1971) disse sobre a iluminação: “É um tipo de mistério que para as pessoas que não têm experiência de iluminação, a iluminação é algo maravilhoso. Mas se eles a alcançam, não é nada. E ainda não é nada. Você entende? Para uma mãe com filhos, suas crianças não são nada especiais. Então, se você continuar esta prática, mais e mais você irá adquirir algo nada especial, mas mesmo assim alguma coisa. Você pode dizer ‘natureza universal’ ou ‘iluminação’. Você pode chamá-lo por muitos nomes, mas para a pessoa que o possui, não é nada, e é algo”.

Esteja assim sempre de bem com o seu Agora, com o Presente; respeite o seu semelhante e tenha o especial cuidado de não se apegar às coisas materiais. E procure alcançar o dom de separar o que é do Bem e do Mal e força suficiente para fazer as escolhas acertadas. Conforme dizia o meu pai, Alberto Ribeiro, ao se referir a temas similares, “são estes pequenos acontecimentos que muitas e muitas vezes se transformam em grandes lições de vida. (...) Dou graças ao Grande Arquiteto do Universo, por me ter dado tempo suficiente para refletir sobre estas coisas e mente capaz de assimilar e transmitir para outras gerações essas grandes verdades.


João Ribeiro da Silva Neto


domingo, 21 de julho de 2019

100 anos de meu avô Alberto Ribeiro da Silva – In Memoriam

(Mensagem de minha filha Cristiane para o avô, que completaria seu centenário no dia 25 de julho de 2019). Fotografia em Ubajara, de meu pai Alberto e minha mãe Zisile. Ambos nos deixaram fisicamente, mas sempre permanecerão permanecem em nossas mentes.  


Alberto Ribeiro e Zisile - In memoriam
“Vovô Alberto foi um homem incrível, difícil surgir alguém com tamanha simplicidade, inteligência, bondade e humor. Contava uma piada como ninguém e repetia o final pra gente rir tudo de novo! Caridoso em diversos sentidos, exemplo de pai e avô. Marido fiel e amoroso da nossa querida Vovó Zisile, um anjo doce que também já está em um maravilhoso lugarzinho no céu! Brinco muito vezes dizendo que foram online pro bom lugar!

Estar na presença dele era envolvente, sempre com suas histórias, piadas, fazendo palavras cruzadas com sua lupa de lado, que eu adorava brincar, admirador dos pássaros, ficava com seu binóculo na varanda, só observando o comedouro dos bichinhos no jardim que ele mandou fazer. Muitos de seus hobbies acabamos adotando em nossas vidas.

Gostava de mudanças, das mais simples às mais complicadas, mudava os móveis de lugar, inventava prateleiras, elevadores para objetos em roldanas.

Mudou-se de cidade por inúmeras vezes, algumas por necessidade e outras por sua própria vontade, mas sempre desapegado dos bens materiais, dava o que podia para os que conviviam com ele e quando chegava à nova cidade, parece que Deus fazia o seu dinheiro se multiplicar, pois conseguia montar uma nova casa acolhedora, mas sempre com muita simplicidade.

Estudioso em diversas áreas do conhecimento, foi um grande incentivador para a minha formatura em Direito.

Espirituoso em seu jeito de ser, conseguia com seu poder da mente se desligar dos problemas ao ter uma boa noite de sono e no outro dia, na maioria das vezes, acordava com a solução para os entraves do dia-a-dia.

Sempre com seu radinho de lado, pra escutar notícias e futebol e na serra com seu toca discos, fazia a trilha sonora de nossas férias e feriados.

Vovô, ainda comemos muita peta por aqui e “ainda tem mais”!  Kkkkk

Feliz aniversário de 100 anos! A festa vai ser boa por aí, com o filezinho da vovó Zisile e o bolo da Vovó Teresinha! Te amamos e sua lembrança está gravada em nossos corações!" 

Cristiane Lima e Silva Torres.

sábado, 20 de julho de 2019

O Centenário de meu pai, Alberto Ribeiro da Silva - In memoriam

A nossa homenagem e gratidão eterna!


Esta é uma homenagem prestada ao meu pai, Alberto Ribeiro da Silva, que no dia 25 de julho de 2019 completaria cem anos de vida. Ele nos deixou fisicamente há dezoito anos, no dia 5 de abril de 2001. Mas a sua presença é constante e firme e ignora as relações de tempo para mim e para muitas pessoas que o admitam. Seus exemplos ficaram e suas marcas positivas de costumes também. Seus conceitos, sempre verdadeiros, foram bem disseminados entre nós, os filhos, suas noras, os netos e netas, parentes, amigos e amigas. Suas lembranças continuam na memória de todos aqueles que fazem parte da grande família Conjunto Big Brasa, que ele tanto prestigiou e nos encaminhou enquanto éramos menores de idade.

Presença firme, na certeza de que tudo deve estar justo e perfeito

Já se passaram dezoito anos que o papai nos deixou. Lembro dele quase todos os dias, muitas vezes em situações que passávamos juntos, tendo em vista que nosso diálogo era muito aberto e franco. O Papai era meu AMIGO. E ele tem estado presente o tempo inteiro em minha mente e na lembrança de todos de nossa família. A Aliete, minha mulher, o teve como seu pai e posteriormente dedicou muito amor à mamãe, Zisile, até sua partida. Assim todos nós - Aliete, Alberto Neto e Cristiane - lembramos tudo o que ele fazia e as lições espetaculares de vida que nos deixou. Estou feliz por ter publicado os escritos dele na internet. Certamente estaria muito satisfeito, pois era avançado e gostava de todas as inovações tecnológicas, chegando ao ponto de prever muita coisa do que ocorre hoje em dia. Na foto ao lado meus pais, que não mais estão fisicamente conosco. 

Ficou conhecido posteriormente como o Mestre Alberto, um orientador espiritual, amante de rock, em especial das canções dos Beatles e dos Rolling Stones, as quais o acompanharam sempre. Gostava muito de acompanhar as tecnologias e constantemente fornecia ideias para inovações no grupo musical Big Brasa, como o emprego de telões, que não existiam na época, mas representativos com “slides” com os nomes das músicas.

Formou-se em Contabilidade e exerceu sua profissão sempre com todo o esmero, nos locais que trabalhou, desde Teresina, com passagem em São José dos Campos, em São Paulo, e depois em Fortaleza, cidade que prestou serviços para empresas de grande porte e depois para a Televisão Educativa do Ceará (TVE). Sempre com muita dedicação ao trabalho e à família, foco central de sua vida. Foi casado cinquenta e seis anos com minha mãe, a Dona Zisile. Tenho extrema gratidão aos dois, pelo incentivo que me deram na Música desde criança e as excelentes orientações de vida deles recebida. Não tinha apegos a bens materiais de qualquer natureza. Gostava muito da simplicidade e procurava se iluminar com os conhecimentos que acreditava serem necessários ao aprimoramento de nosso espírito.

Em Messejana, entre suas atribuições de trabalho na área contábil, foi o apoiador inconteste do Conjunto Musical Big Brasa, que fez sucesso em Fortaleza, Ceará e em outros Estados nos Anos 60, juntamente com sua esposa Zisile. Em sua parte social, foi sócio do Náutico Atlético Cearense, logo que chegamos a Fortaleza e depois sócio proprietário do Balneário Clube de Messejana, que também chegou a integrar a diretoria do Clube, época que lutou contra diversos preconceitos existentes, tais como entrada de jogador de futebol no clube, dentre outros. No Balneário ajudou a elaborar seus Estatutos e contribuiu muito com idéias inovadoras e promoções de festas inesquecíveis, ao som do Conjunto Big Brasa. Todos que tiveram o prazer de conhecê-lo ainda hoje guardam boas lembranças na memória.

Como ele próprio escreveu em um de seus livros, que foi por mim publicado em um blog na internet:

“Meu nome é Alberto Ribeiro da Silva, filho de João Ribeiro da Silva e de Maria Ribeiro da Silva. Nasci na cidade de Balsas, Estado do Maranhão, no dia 25 de julho de 1919. Posso afirmar com toda convicção que tive uma infância bastante feliz. Os meus pais me deram tudo que uma criança pudesse desejar naquele tempo, residindo numa cidade do alto sertão maranhense, cuja ligação, com os meios que se diziam civilizados, era feita através do maravilhoso e lendário Rio Balsas, do qual muito terei que falar nestas notas, visto que está sempre ligado ao coração de todo balsense”.

Uma carta simbólica

Tenho que escrever e registrar também que, após seu falecimento eu escrevi para ele uma carta, no dia 19 de abril de 2001, como se ele pudesse ter lido: 

“Carta ao meu pai Alberto Ribeiro
Ao meu querido pai Alberto

Papai: gostaria que o senhor pudesse ter concluído mais outro livro, conforme era sua pretensão. Do jeito que nós combinamos, todos os textos que o senhor me entregou foram digitados e estava à espera de mais material. Infelizmente não foi possível, mas tudo bem, o que temos é suficiente. Minha saudade agora é enorme e mais uma vez chorei. Não fique triste. Fiquei feliz quando sonhei com o senhor quando, pelo telefone, lhe perguntava notícias e o senhor respondia que “estava tudo bem”, que não tinha acontecido nada, que eu ficasse calmo, pois o senhor estava tranquilo. Saiba que o senhor está agora muito mais presente do que em qualquer dia esteve em nossas vidas. Os seus exemplos de vida sempre serão inesquecíveis para todos nós.

A propósito, estou ainda aprendendo, a cada dia, a pensar e agir que nem o senhor me ensinou durante toda a nossa convivência, onde sempre prevaleceu o diálogo franco e leal de ambas as partes.

(...) Pai: resolvi imprimir todos os artigos em ordem alfabética, pois não pude ter a sua ajuda para decidir como seria o próximo livro seu, os capítulos, a sequência, enfim tudo. Em alguns desses trechos, a exemplo do que aconteceu comigo quando eu os li tive certeza de que seu espírito iluminado brilhou intensamente, deixando aflorar verdades absolutas sobre a vida e outros tantos aspectos que envolveram o seu sentimento de homem correto como o senhor sempre foi. Logo que puder vou gravar no computador, para nossos familiares e amigos mais íntimos, um CD contendo o seu livro, fotografias suas e de toda a nossa família, do Sítio Cristália (em homenagem à Cristiane e Natália, suas netas) e do Sítio Nevada, em Ubajara, Ceará, e nele incluirei também as músicas que o senhor mais gostava. O Alberto Neto, a Cristiane e a Aliete me ajudarão nesta tarefa.

Gostaria muito de poder também, qualquer dia desses, estar ao seu lado, alcançar as graças de Deus que o senhor conseguiu por seus méritos e procedimentos aqui nesta passagem na terra. Eu sei que isso vai ser difícil... Não se preocupe que vamos tomar conta da mamãe direitinho, certo?

Um grande abraço do seu filho que muito o estima. Até qualquer hora e contaremos todos sempre com sua ajuda.
Não esqueça que “continuamos”... , lembra?” (*)

(*) Esta referência “continuamos” é porque ele, ainda quando eu era muito novo, antes de dormir, ainda em São José dos Campos, ouvíamos um programa de rádio e ao desligar ele virava para mim e dizia:
- “Continuamos” (amigos). E eu respondia: “Continuamos”. E até hoje isso está valendo.
Alberto Ribeiro da Silva escreveu dois livros (Meu Depoimento e Uma Lição de Vida) os quais estão transcritos em um blog que fiz em sua homenagem no seguinte link:  http://albertoribeirodasilva.blogspot.com/

É importante transcrever os textos abaixo, sobre o Mestre Alberto, como ele era conhecido, que foram escritos por Luiz Antônio Alencar, músico do Conjunto Big Brasa e hoje jornalista e a carta a mim enviada pelo amigo Lucius Maia Araújo, hoje auditor federal aposentado e
ex-integrante do Big Brasa, logo após sua partida. 

Depoimento de Luiz Antonio Alencar

Alberto Ribeiro da Silva era, e ainda é uma lição de vida em todos os aspectos. Em tudo que ele fazia e falava tinha um ensinamento embutido, e isso fez com que a gente que ainda hoje faz parte da família Big Brasa (estados de espíritos são entidades que se eternizam) tenha retido lições e posicionamentos diante da vida que ainda hoje em dia norteiam a nossa vida pessoal e profissional.

Particularmente, seu exemplo de vitalidade, entusiasmo, amor e fé, me marcaram até hoje, com a grande máxima de que a juventude se mantém através desses atributos que o Mestre Alberto tinha de sobra. Acreditar no ser humano e amar acima de tudo era o mote do Mestre Alberto. Mesmo com toda a sua sabedoria e prudência, ele sempre deixava o coração falar bem alto, e como falava!

O Conjunto Musical Big Brasa foi um momento marcante na vida de seus participantes e das pessoas que o conheceram, o Mestre Alberto foi o momento marcante e definitivo na vida do Conjunto Big Brasa.  Era uma banda, ou conjunto, como a gente chamava na época, que fazia sucesso no Ceará e em outros estados através de apresentações da televisão, mesmo incipiente e preto e branco na época, mas não menos mágica.

O Mestre Alberto regia mentalmente a banda, uma espécie de maestro atuando em outras esferas da mente e do espírito. Quando passeava pelos clubes em que a gente tocava, simples, tranquilo e despojado e com a humildade das grandes almas, de repente como se tocado por um raio invisível, se transfigurava quando executávamos uma música que o agradava. A banda toda junta não conseguia condensar tanta energia. Era a famosa ágape, que é como os gregos chamavam aquele amor por tudo e por todos que faz arder os seres iluminados.

O Conjunto Big Brasa por conta dele, e das experiências que ele a própria banda em si proporcionaram, se tornou uma grande escola, e o Mestre Alberto sempre será um supremo representante da raça humana, um homem que muito fez, muito construiu, totalmente desprovido do manto de chumbo da vaidade que esmaga a essência de tudo que há de mais belo na alma humana. O Mestre Alberto estava e ainda está acima dessas coisas todas, como filósofo nato e roqueiro honorário e de alma.

Encerrando, eu particularmente prefiro mascarar a triste realidade da partida do Mestre Alberto para outro oriente, achando que ele está mesmo é “no Balsas”, como ele chamava, muito bem obrigado e ouvindo as músicas que o Big Brasa tocava.

“É isso aí, mestre”, como ele falava.

Em outra oportunidade o Luiz Antonio, ao comentar sobre o livro “O Big Bra­sa e Minha Vida Musi­cal – Anos Dourados”, que escrevi, comentou  sua experiência pessoal como músico de música pop dos Anos 60, mas abrange tam­bém uma época consi­derada exuberante na história local e do mun­do, principalmente na área musical. Disse ele, em um extenso artigo que foi publicado na imprensa local, com o subtítulo carinhoso “Um coroa muito avançado”: (...) “O mais curioso é a participação de um senhor de cinquenta anos, o contador Al­berto Ribeiro da Silva, no projeto que envolvia adolescentes e suas tra­vessuras, o que dá um choque de gerações tão comum nos Anos 60”.

Carta de nosso amigo Lucius Maia

“MESTRE ALBERTO ESTÁ VIVO

Caro amigo “Beiró” (João Ribeiro)

Não sei o que te dizer. Mas sinto necessidade de falar o que, de coração, for surgindo dos meus sentimentos. Dá para imaginar, bem sei o que você está sentindo nesse momento e também toda a sua família.

Fiquei muito triste em receber a notícia. O Mestre Alberto, além de seu pai, além de ser o seu grande exemplo de caráter, de bondade e tudo o mais, era e é, realmente, uma pessoa muitíssimo especial. Dessas que, sabemos bem, estão cada vez mais raras de serem encontradas. Nunca me deparei com alguém que, a propósito do Sr. Alberto, não fizesse questão de, sempre, adicionar algum tipo de comentário especial.

Além disso, ele significava, para muitos dos seus amigos – e eu entre eles, um pouco de pai, durante aqueles anos maravilhosos que tivemos a sorte de conviver tão próximos. E isso fica pra sempre. Lembrar dele era como lembrar-se de uma pessoa realmente especial, creia. O tempo que leva para que isso aconteça não é assim muito imediato, pois a percepção gradual e real do significado da perda da presença física é muito, muito difícil.

É um vazio e mal-estar tão grande que a gente pensa que nunca vai se conformar. Mas pessoas como você, e eu, acho, temos uma base emocional e racional bastante elaborada (olha aí a presença deles de novo...) para entendermos o que existe de realmente natural nessas situações. Somos maiores dos que elas e, pela naturalidade do que representam, depois de certo tempo incorporam-se tranqüilamente em nossa aceitação verdadeira. Não há como ver tudo isso de maneira não natural - é tão simples quanto isso, mesmo que posso parecer presunçoso simplificar (no bom sentido) acontecimento tão complexo de nossas vidas.

Quando ainda estão entre nós a gente não costuma perceber o total da importância e felicidade que isso representa  porque simplesmente está tudo bem, tudo normal, ele está ali à disposição, do lado, por perto, presente... E nada mais natural do que seja  assim mesmo.

Quando partem, a sensação motivada pelo carinho e o amor que continuamos a sentir os traz de volta à mente muitas vezes mais do que era antes - eles ficam muito mais presentes, vivos, e os vemos em quase tudo com que nos deparamos no nosso dia-a-dia. A coisa mais comum que me acontece é sempre imaginar o meu papai, nas mais diferentes situações, quanto ao que diria ou faria se por aqui ainda estivesse.

(...) João Ribeiro e família: espero que vocês alcancem o sentimento de resignação que realmente está implícito em algo, infelizmente, tão natural nas nossas vidas. O mistério é muito grande...

Da lembrança que tenho do Mestre Alberto, imagino que ele não gostaria mesmo de ser motivo de sofrimento continuado por parte das pessoas que ele mais amou na vida. O Mestre Alberto considerava que a vida havia sido muito boa para ele. E a vida foi boa para ele principalmente porque ele teve vocês, filhos, netos, esposa, amigos, que ele amava e, sempre, se dava o que tinha de melhor e recebeu também muito em troca. Receba meus sinceros sentimentos, junto com Dona Zisile, Getúlio, Aliete, seus filhos, sobrinhos, primos e demais parentes.

Grande abraço fraterno,
Lucius Maia
     Em 06 de abril de 2001


Textos extraídos do Blog de Alberto Ribeiro da Silva
LIÇÃO DE VIDA

Quando eu era jovem, sempre gostei de proclamar que o maior pavor que tinha era a morte. A lembrança que um dia, mais cedo ou mais tarde eu teria que partir para a grande viagem, era para mim um grande tormento.

Por muitos e muitos anos alimentei esse pensamento, até que um dia, em conversa com uma tia que residia em Balsas, e aqui faço questão de registrar o seu nome: Tia Ritinha, ela tirou da minha mente essa tremenda tolice.

Dizia ela, com a sabedoria e bondade que Deus lhe deu:

- Pois Alberto, abandone de uma vez esse medo que lhe atormenta. Estou completando 75 anos e jamais ouvi falar de uma pessoa que estando determinada para morrer, não morreu porque estava com medo.

Neste mundo não se deve temer nada que faz parte da ordem natural das coisas. A partir daquele abençoado momento, passei a encarar tudo com mais realismo, passei a ver o mundo de outra forma, certo de que não se deve temer um acontecimento que é inevitável, que vem definitivamente para todas as classes, não é privilégio de ninguém.
São estes pequenos acontecimentos que muitas e muitas vezes se transformam em grandes lições de vida. São pessoas como a minha tia Ritinha, que não tinha grandes estudos, jamais cursou uma faculdade, a não ser a escola da vida, mas assim mesmo conseguia transmitir sábios conselhos, como este que acabo de relatar e que muito me tem servido.

Dou graças ao Grande Arquiteto do Universo, por me ter dado tempo suficiente para refletir sobre estas coisas e mente capaz de assimilar e transmitir para outras gerações essas grandes verdades. Obrigado Tia Ritinha, que Deus a tenha em um bom lugar.


O FIM DA VIDA

Extraído do livro de meu pai Alberto Neto


A vida das pessoas eu percebo,
É como se fora um grande “pau de sebo”
Sobe, desce, escorrega e cai,
Tenta de novo, mas vencer não vai.

Eu também sonhei, tive visões,
Desejei subir, chegar ao pico,
No fim da vida verifico
Que tudo não passou de sonhos, ilusões.

Resta-me agora lutar até o fim,
Pra conseguir do bom Deus
Um lugarzinho junto aos seus.

E se não for pedir demais,
Peço também uma vaguinha
Para a Zisile, que também quer paz.

Eu tenho quase toda certeza,
Que soneto isto não é,
Falta rima e beleza,
Não tem cabeça nem pé.

Fica aí pra quem vier
Mangar de mim se quiser.
Fiz o que veio na mente
Meu amigo não esquente. 



Alberto Ribeiro da Silva

sexta-feira, 12 de julho de 2019

A família mudou?


Vários questionamentos invadem minha percepção de vida hoje em dia. Dentre eles inicio com um passado em minha própria família, com todas as excelentes recordações de momentos distintos que nos trouxeram momentos de felicidade e de boa convivência.

Como as relações entre mim e meus pais influenciaram nossas vidas? E depois entre mim e meus filhos? Da melhor forma!

Os exemplos recebidos foram sempre fundamentais e daquilo que pude aprender tenho certeza de que muita coisa consegui passar adiante para meus filhos. E pelo resultado obtido até hoje me considero bem sucedido neste aspecto.

Com pequenas reuniões entre o núcleo familiar, quando nós reuníamos as crianças à mesa, eu procurava transmitir a necessidade do estudo e da dedicação para que eles pudessem ter mais facilidade ao lidar com a própria vida. E deu certo. Tenho uma satisfação e prazer de externar que nunca foi preciso “mandar” um filho ou filha estudar! Eles aprenderam o Caminho, mais ou menos equivalente ao “DO” quando se fala em Karatê.

Lembro que quando os meus filhos eram crianças e depois em sua adolescência e juventude, nós tivemos uma convivência espetacular, feliz e sadia. Estávamos juntos com algum esporte, com jogos educativos (como o Máster), com música e brincadeiras do tipo “stop”, dominó, bingo entre outras. Todos sentados à mesa, independente das idades. Parecíamos colegas e amigos. Em várias oportunidades estivemos presentes em três gerações, com meu pai também participando alegremente daquelas sessões de perguntas e respostas, que propiciavam a todos algum conhecimento geral e muita animação. As disputas eram muito boas!

Paralelamente houve a época que dediquei um tempo de aprendizado para algumas mágicas infantis e em nosso sítio na serra preparava sessões de mágica para a meninada. Assim tivemos várias tardes com muita atenção da garotada no “mágico”, que com truques simples conseguia inclusive arrancar alguns aplausos da plateia. 

Observo que em um tempo anterior nós conseguíamos diversão com pouca coisa! Sem internet as ideias iam longe, as brincadeiras de mímica para adivinhar nomes de filmes se tornavam muito engraçadas.

Retornando ao campo estritamente familiar, agregando-se os amigos e amigas mais próximos, tínhamos excelentes diálogos entre avós e netos ou netas, pais e filho ou filha, primos e colegas. As relações sem dúvida tinham mais calor humano.

A solidão do mundo digital

Não havia a simples frieza de hoje quando observamos grupos de jovens ou de adultos, cada um sintonizado com sua rede social predileta e ingerindo incessantemente uma carga de informações praticamente inútil. O que em muitos casos é considerado pela medicina como um vício moderno, na expressão da palavra, com todos os malefícios que apresenta, principalmente no distanciamento das relações pessoais. Quantas vezes casais trocam mensagens pelo Whatsapp, mesmo estando a poucos metros um do outro? Eu mesmo já fiz isso, sabe? Apesar de reconhecer o erro.

E assim a família mudou! Os hábitos mudaram. Passamos a nos importar, muitas vezes até mesmo que “contagiados” como se fosse por um vírus, via-de-regra, quando estamos, por exemplo, olhando uma rede social simplesmente porque o nosso parceiro também está fazendo aquilo. Os costumes mudaram muito, também. A leitura perdeu muito o seu valor para as pessoas. Tudo parece mais acelerado no Trem da Vida. Ninguém tem tempo para nada, não se consegue raciocinar sobre o que foi escrito em um texto, apenas as imagens coloridas brilham e espalham seu colorido por nosso cérebro, nos propiciando a falsa noção de felicidade, de encantamento.

Hoje em dia vivemos em um clima de sobressalto, por ocorrências de assaltos, tentativas de golpes e toda a sorte de maldade espalhada infelizmente em uma parte das pessoas. Dificuldades burocráticas nos perseguem no dia a dia e não há tendência aparente de melhorias.

A sociedade moderna convive com incontáveis problemas, mas depende de nós encontrarmos os benefícios trazidos pelas tecnologias diversas e deles aproveitar o máximo. Nas redes sociais aprendi a apreciar muitos amigos e amigas, através de seus comportamentos, comentários, educação, respeito e tolerância. Da mesma maneira passei a exercer o direito legítimo de evitar pessoas desagradáveis ou conteúdos inexpressivos. 

A família mudou, os hábitos e os costumes mudaram, e nós também mudamos! Estamos todos mais experientes e portanto, teoricamente capazes de melhorar nossos espíritos para o lado do bem e da espiritualidade. 

Sinto muita falta de uma comunidade, de amigos, de colegas, de pessoas com as mesmas afinidades, da tranquilidade dos passeios na praia com as crianças, das possibilidades de caminhadas ao ar livre sem a preocupação com a segurança.   


domingo, 16 de junho de 2019

Faltam a ideologia do Bem e a da Cidadania no Brasil

O direito à manifestação do pensamento é livre. Pois bem, começo por dizer que eu nunca gostei de política partidária, principalmente quando encontramos dezenas de letrinhas representativas de aglomerados políticos que se encontram em lados diferentes, com ideologias distintas, mas com poucos interessados realmente no bem comum. Pergunte aos brasileiros em geral apenas o significado de algumas siglas de partidos políticos para ver se eles conhecem. Nem o nome eles vão reconhecer. Muito menos as propostas de cada partido e menos ainda, se verdadeiramente os políticos as seguem à risca.

A política partidária não poderia ser uma profissão, ou seja, uma pessoa se quisesse ser útil ao seu país, à sua nação, se elegeria apenas por um período e depois de sua missão retornaria à sua profissão de origem. Ao se perpetuar nos cargos, pelo que facilmente todos podem observar, existe uma decaída de rendimento e a entrada no campo dos favorecimentos pessoais, das benesses e das artimanhas de todo tipo para conseguir dinheiro, influência e poder.  

Mas como a inexistência de representatividade é impossível em uma democracia, a meu ver o ideal seria termos dois partidos apenas. Nesses dois blocos se alojariam todos aqueles que desejam efetivamente servir ao país. O norte seria este mesmo: servir à Pátria, para o bem do povo. Utopia? Nem tanto, porque há países assim no mundo. Estão mais educados, em um nível de civilização mais avançado e em uma cultura favorável aos bons princípios, à moral e à ética. Não haverá saída para a política partidária sem uma expressiva reforma de tudo.

No Brasil o que ocorre é um número excessivo de políticos, em todos os níveis (federal, estadual e municipal), com as consequências danosas para o erário público. Os impostos que a União arrecada da população é que também serve para pagar todos os altos salários, as benesses, mordomias e a grande farra nacional no que diz respeito à falta de amor à pátria e falta também de compromisso, a começar pelo próprio trabalho que são pagos para executar e não o fazem como deveriam.

Uma Reforma Política de peso seria necessária, mas feita por quem? Pelos que estão eleitos? Não mudariam nada e estaríamos correndo o risco até de ver a situação piorada. Em nosso Congresso Nacional uma lenga-lenga sem fim. Para se aprovar qualquer coisa há inúmeras comissões, lutas internas para aparecer, faltas ao trabalho, pautas boicotadas por agremiações partidárias e um sem número de dificuldades que pouco a pouco vão enfraquecendo qualquer tentativa voltada para o bem.  

E assim continua o Brasil tentando se recuperar e os inúmeros partidos políticos lutando por suas ideologias, esquecendo o principal. Estamos à beira do precipício e se medidas acertadas não forem tomadas em curto prazo a crise existente se alastrará.

Uma esperança no campo da moral e da ética foram as operações anticorrupção, conduzidas pela Polícia Federal e Ministério Público, que descobriram um fio da meada e por ele chegaram a incontáveis casos de desvios, de recebimento de propinas, lavagem de dinheiro por parte de maus gestores, maus políticos, empresários, doleiros etc. E que mesmo assim, independente do número de pessoas condenadas, presas, investigadas, as medidas propostas para este combate continuam encontrando resistência forte de muitos maus políticos.

Faltam em última análise, boa vontade e espírito de cidadania por parte da maioria dos políticos. Neste instante, enquanto o governo federal se esforça para colocar o país nos trilhos, com todos os entraves e o legado de gestões anteriores, grupos se unem para tentar deter o combate à corrupção, impedir os avanços em todas as áreas, sem pensar um segundo sequer nos males que seus atos podem deixar para as futuras gerações.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Profissionalismo, simplicidade e autenticidade


Três importantes palavras, cada uma com um significado profundo e capaz de definir talvez uma existência completa de maneira exemplar e digna. 

Profissionalismo: o aprendizado básico, a educação familiar e todo o estudo que fazemos para a vida nos trazem um conceito ideal do profissionalismo, com todas as suas características. Temos assim um indivíduo pronto para as atividades laborais de qualquer natureza exercendo os pontos chaves de uma profissão. Assim, a ética, o respeito ao próximo e um caráter bem formado são alguns dos pilares de um bom profissional.

Simplicidade: palavra muito importante cujo sentido é utilizado por todos aqueles seres iluminados, sábios, mestres, a simplicidade faz toda a diferença no trato com as pessoas, as tornando mais benquistas por todos e despindo toda e qualquer camada de orgulho que eventualmente possa nos alcançar. O ato de ser simples, como alguns podem imaginar, não significa desleixo nos afazeres e sim, muito ao contrário, uma preocupação instintiva de ligar-se ao próximo de maneira não afetada, com linguagem acessível à todas as pessoas. Por exemplo, quando temos um jurista falando com um leigo no assunto as explicações logicamente devem ser de fácil entendimento. Do mesmo modo, quando um músico vai se expressar sobre harmonia, para quem não é profissional, não deve usar termos complexos e sim explicar em palavras e terminologia de fácil entendimento.   

Autenticidade: a par destas duas palavras muito importantes, como o profissionalismo e a simplicidade, aparece outra que no meu modo de pensar tem um valor muito alto, que é autenticidade. Além de seus outros significados, a autenticidade ainda pode se referir ao comportamento ou atitude de alguém. Neste caso, esta palavra representa um comportamento tido como exemplar, onde a pessoa demonstra ser “autêntica”, verdadeira, sincera, pertinente e honesta com os demais e normalmente significa que é digno de confiança e dono de um bom caráter. Mas para mim, ser autêntico é refletir a sua mente com o objeto, se fossemos falar em lógica, espelhando sempre a sua verdade para o próximo.  

Forma-se como acima comentado um verdadeiro trio de ouro que deve ser transmitido para todos e usado por quem deseja na vida maior iluminação ou aperfeiçoamento!  

Razão e emoção: até onde devemos agir?


Há muitas dúvidas que nos surgem durante a vida no que diz respeito ao uso da razão e da emoção em nossos procedimentos, planos, atitudes. O assunto pode se tornar empolgante para aqueles que voltam o pensamento para sua vida, quer pessoal ou funcional. As respostas sobre como agir com a razão ou simplesmente seguir nossa emoção podem ser difíceis, porque cada caso é um caso, segundo o que sempre ouvimos. Mas gostaria de esclarecer um detalhe sobre a razão e a emoção, simplesmente incluindo a palavra equilíbrio. Este, por sua vez não tão fácil de achar, mas que deve ser perseguido de todas as formas, exercitado e praticado sempre que possível.

Os planejamentos de vida devem ser precedidos e acompanhados de uma análise desprovida de emoção? Seriam feitos de uma maneira mais fria, racional. Aí é que está o “x” da questão: isto seria possível? Como todo planejamento é flexível e dinâmico, a emoção pode permear algumas hipóteses levantadas! O processo servirá para dar o equilíbrio às ações humanas, portanto não totalmente racional a ponto de ser levado apenas pela razão. Pensar nas consequências dos atos tomados simplesmente pela razão pode ajudar bastante na busca de maiores acertos!

A emoção pode se tornar um tanto perigosa quando estamos habituados ou temos uma tendência natural de agir apenas pelo seu domínio. Um percentual de erros certamente iria aparecer em estatísticas de tomadas de decisões, quando impulsionadas apenas por fatores emocionais. Então, você pode perguntar como fazer? Acredito que se a carga emocional for demasiada para qualquer tipo de ação, atitude, proposta, ideia ou condição, haverá muitas possibilidades de uma tomada de decisão enganosa. O ideal é estabelecer um limite de tempo necessário para que princípios racionais possam entrar no processo e assim estabelecer o equilíbrio. Outro procedimento da razão seria o indivíduo, a pessoa, tentar responder aos resultados prováveis de suas ações, antes de tomá-las. Um excelente método que exigirá de cada pessoa um gradual aprimoramento. Mas tento forçar, às vezes para meu próprio entendimento, que a razão tem que estar sempre disponível ao lado de nossos pensamentos e ideias, para que um lampejo emocional errado não prevaleça. Se bem que até os conceitos do que é certo e errado podem variar em determinadas circunstâncias, locais ou culturas. Mas a consciência é outro aspecto que ajuda muito na tomada de decisões.  

Pense que nós somos seres humanos falíveis. E podemos acertar ou errar por excessos ou também por omissões. E que tudo isso faz parte de uma máquina física comandada por um espírito, com toda a sua estrutura e formação.

A natureza humana nos proporcionou a consciência, que por sua vez pode nos ajudar muito no estabelecimento dos limites, com a devida responsabilidade.

Seja feliz e continue na busca do seu aprimoramento da razão e da emoção! 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Qual seria a decisão acertada?


Existem vários momentos de nossas vidas, em todas as suas etapas, que temos que decidir, fazer escolhas. Algumas opções por companhias, pelo estudo, carreira a seguir, pelo modo de vida e por aí seguem de forma variada. Algumas delas são bem simples, outras nem tanto. E há aquelas que eu classifico como “sinucas de bico” (para quem não conhece são as jogadas na sinuca onde a pessoa em qualquer opção que escolher dificilmente acertará).

Nesta situação você vislumbra um horizonte ideal, com todas as possibilidades de uma significativa melhora, mas ao mesmo tempo observa que suas chances são diminutas. É a vida que nos apresenta algumas possibilidades, mas ao mesmo tempo mostra todos os entraves para a realização do que seria teoricamente um sonho. 

Conheço algumas condições a nós impostas eventualmente, quando fazemos uma busca incessante de nosso passado e nos sentimos alegres. E quando, por alguma boa lembrança podemos ficar também um pouco tristes e saudosos. O Presente (que é uma dádiva diária que se chama Vida) é alicerçado por tudo isso. E todas as condicionantes de nossa impactante viagem nos impulsionam para o Futuro, incerto para todos. Funciona o presente, assim, como um eterno e crescente alicerce para o dia seguinte, o mês seguinte etc. Falta abordar um tema muito complexo para esta análise. E a ansiedade que sentimos é fruto de quê? Com toda certeza surge pela expectativa do futuro, que é incerto em muitas circunstâncias.

Apenas a título de exemplo: quando uma família quer adotar uma criança e se sente impedida, dificultada pela demora nos trâmites legais, pelas filas de adoção, mesmo com seu desejo incessante, o que se há de fazer? Esperar e lutar pelo seu objetivo. A regra também se aplica a muitas situações de relacionamentos no dia a dia. Assim é possível concluir que a espera tem seu lado angustiante, mas a esperança de um futuro melhor, em tudo aquilo que você tenha reais chances de alcançar, que atenda a todos os seus anseios, inclusive com a possibilidade da expansão de seu amor pelo próximo, pode valer à pena!

A vida é cheia de escolhas, já li e ouvi esta frase várias vezes! Então decida, porque se você quiser mudar de direção em outros momentos, é para isso que existem várias estradas. Assuma o seu posicionamento de acordo com as chances que lhe são apresentadas. A vida é boa e merece ser aproveitada em seu maior potencial.

terça-feira, 28 de maio de 2019

As dificuldades dos jovens no mercado de trabalho

Sabemos que os indicadores que medem os níveis de emprego no país estão muito abaixo do desejado por todos. Os postos de trabalho, que representam os empregos, as vagas no mercado de trabalho, não estão sendo criados na mesma proporção que a demanda, ficam longe disso e até estão sendo cortados em muitos setores. O resultado é que as pressões e dificuldades para conseguir um emprego no Brasil são muito grandes. Em especial o problema é evidenciado quando se trata dos jovens, conforme a abordagem seguinte, simples, mas necessária para o entendimento do problema. 

Imaginem uma empresa no Brasil de qualquer porte, para efeito de raciocínio. Muitas delas estão com dificuldades para continuar subsistindo. Algumas pessoas tentam empreender e fazem tentativas, as mais variadas. A contratação de pessoal é dificultada, do lado empresarial, empreendedor, em primeiro lugar pelo custo excessivo de encargos trabalhistas na atual conjuntura. E dentre outros fatores, há que se mencionar a falta de profissionais qualificados para algumas áreas técnicas específicas. 

Mas para os jovens que buscam o primeiro emprego, além de enorme concorrência que existe, uma das maiores dificuldades é a experiência exigida por muitos contratantes. Ora, se a pessoa vai à procura de um primeiro emprego é lógico que não tenha essa experiência. E então, o que fazer? Entra na história a importância da formação profissional e depois disso ou paralelamente, a participação do candidato em estágios direcionados, nos quais poderá adquirir a experiência exigida por seus futuros empregos. 

Os problemas do emprego e mão de obra existentes no país somente vão ter solução com o crescimento pleno e contínuo da economia, o que acarretará sem sombra de dúvida maiores investimentos em todos os setores e mais confiança por parte dos empregadores. 

E para os jovens ficam as disputas, com cada vez mais concorrentes, pelas poucas vagas existentes. A segurança no emprego ainda é tida por boa parte através da busca pela aprovação em concursos públicos e pela estabilidade. Vale destacar que os salários para os mais jovens, em virtude deste quadro de situação do desemprego, sempre estão em patamares inferiores ao mínimo desejável. 

Em última análise, que poderia se estender por muitas páginas, o sistema educacional no Brasil não está adequado às suas necessidades. Ou seja, existe uma ideia, há tempos, que um profissional de sucesso tem que ser necessariamente formado, ou seja, ter uma faculdade. E milhões de jovens recebem esta qualificação universitária, um diploma, e começa a enfrentar o mercado de trabalho existente. O preparo técnico é praticamente desprezado ou inexistente na razão certa de sua necessidade. Assim ficamos com um problema social muito sério, que apenas começará a ser resolvido com uma retomada firme da economia do país.