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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VI - Os Festivais Nordestinos da Música Popular

 

 

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo VI

 

Os Festivais Nordestinos da Música Popular

A TV Ceará marcou presença em dois Festivais Nordestinos da Música Popular, realizados em Recife, que foram os primeiros a serem transmitidos em rede regional de televisão para o Norte e Nordeste.  

Pouco antes da final de um dos Festivais Nordestinos da Música Popular que o Conjunto Big Brasa participou, acompanhando entre outras, as músicas do cantor e compositor Ednardo Sousa (Pessoal do Ceará), dentre elas a linda canção Beira-Mar. Para tanto nós adquirimos por intermédio do tio João, em São Paulo, dois pedais de efeito para guitarra tipo “wah-wah” de marca nova. A idéia era usar um para a guitarra-solo e outro para o órgão.

A aquisição desses equipamentos foi um verdadeiro exemplo de uma logística perfeita, um show de competência. Tudo muito rápido, o pedido (encomenda) ao meu tio João Ribeiro, em São Paulo, a aquisição dos equipamentos, a remessa de São Paulo para Fortaleza e enfim a chegada dos pedais em tempo recorde. Fomos receber a encomenda no departamento de bagagens da VARIG, quase às 11 horas da noite. Deu tudo certo, os pedais wah-wah foram incorporados ao nosso instrumental e utilizados de acordo com os nossos arranjos. Vale dizer que as comunicações por volta de 1970 eram bem mais difíceis e demoradas. Nada existia como hoje, a exemplo de que podemos fotografar um equipamento de qualquer lugar do mundo, enviar uma ou várias fotos imediatamente e receber ou não autorização para comprar...

Nota de imprensa sobre o Festival

Sobre esse evento, realizado em dezembro de 1971, trecho de uma nota publicada por um jornal cearense:

- “Está seguindo na próxima sexta-feira para a capital pernambucana a equipe de compositores e intérpretes que apresentarão as composições selecionadas em Fortaleza para concorrer ao II Festival da Música Nordestina. Entre a turma de músicos cearenses destaca-se a participação do Conjunto Big Brasa, que defenderá as músicas Beira-Mar e Rua do Ouro, classificadas em primeiro e quarto lugares respectivamente”.

O Conjunto Big Brasa participou por duas vezes das finais dos Festivais Nordestinos da Música Popular, acompanhando o Ednardo, do Pessoal do Ceará. Os eventos foram televisionados para todo o Norte e Nordeste. A transmissão via EMBRATEL consistia novidade naquela época e motivo de repercussão na imprensa, visto que apenas eventos de grande vulto mereciam tal destaque. 

Participação em Recife

Na fotografia abaixo, que está em nosso acervo, aparecem o Ednardo em primeiro plano e por trás o nosso Conjunto Big Brasa e orquestra de Recife. Foi publicada em reportagem de três páginas 
na extinta-revista O Cruzeiro, sobre o Festival e à participação do Ednardo com a música Beira-Mar. O Big Brasa era composto de Severino Tavares (baterista), Adalberto Lima (tecladista), Edson Girão (guitarrista-base), João Ribeiro (guitarrista-solo) e Lucius Maia (contrabaixista.


A respeito desse Festival lembro alguns acontecimentos interessantes. Um deles ocorreu durante o ensaio geral, no Ginásio Coberto localizado no bairro Embiribeira (idêntico ao Paulo Sarasate, porém mais bem acabado, com alojamentos e restaurante, e com uma área externa maior). Foi assim: o Conjunto Big Brasa ao ensaiar com a orquestra de Recife, acompanhando Beira-Mar, do Ednardo, o maestro ficou muito entusiasmado com a música e o com nosso arranjo. Também entre os músicos da orquestra a opinião unânime era que aquela música tiraria o primeiro lugar. Mas como para ganhar em Recife não tinha jeito mesmo, ficamos apenas com um terceiro lugar e uma menção honrosa. Valeu, entretanto, a reportagem de três páginas na extinta Revista “O Cruzeiro”, sobre o Festival, transcrevendo com destaque e na íntegra a letra de Beira-Mar e publicando a foto do Ednardo, acompanhado pelo Big Brasa e pela orquestra de Recife, foto que mantemos até hoje como “relíquia”, no acervo do Big Brasa.

Um episódio digno de registro

Durante o intervalo da TV, quando nos preparávamos para entrar “no ar” com o Ednardo, o público do Ginásio, que estava completamente lotado, começou a nos vaiar intensamente. E tome vaia, mesmo porque eles vaiavam tudo que fosse do Ceará. Um cara da plateia tocava uma buzina duas vezes e depois vinha a vaia. Tudo isso no tempo de um intervalo da televisão. Estávamos todos muito nervosos, evidentemente. Mas por felicidade e presença de espírito, talvez, peguei o tom exato daquela buzina na guitarra e, com o “wah-wah”, após o cara tocá-la, reproduzi o som no palco com a guitarra a plena altura! O pessoal gostou, o negócio virou brincadeira, alguns aplaudiram e a vaia felizmente cessou. Foi ótimo para todos nós.

Falha por conta do Maestro

Por último faço questão de registrar aqui a verdadeira e inadmissível falha do maestro da orquestra pernambucana, que na hora de começar a apresentação do Ednardo, veio me perguntar o andamento da música para fazer a introdução, o mesmo que eu tinha feito para ele no ensaio da tarde. Então expliquei e cantei as primeiras notas da melodia, gesticulando o andamento correto da música. Pois bem: qual foi nossa surpresa quando esse maestro iniciou Beira-Mar com um andamento completamente acelerado. O nosso baterista (do Big Brasa) estava com a orquestra pernambucana. Foi uma luta nos segundos iniciais para tentar fazer o andamento retroceder o ritmo ao original, uma verdadeira briga entre a orquestra e o Conjunto. De propósito ou não isso certamente contribuiu muito para atrapalhar o Ednardo em sua interpretação. Este deslize do maestro pernambucano, de propósito ou não, prejudicou de forma significativa nosso desempenho naquela noite. Lembro muito que a Neide Maia, que estava com a equipe da TV Ceará, demonstrou sua revolta com tudo aquilo.

Encontro com o guitarrista Pepeu Gomes

Pouca gente sabe disso, a não ser aqueles que estavam comigo em uma tarde de ensaio no Ginásio Coberto, em Embiribeira, esperando para passar o som e ajustar as músicas. Ao chegar, com minha guitarra para afiná-la e fazer os últimos ajustes, encontrei com um guitarrista que estava tocando um pouco e exercitando seus “riffs”. Pois bem, era nada mais do que Pepeu Gomes. E eu soube depois, quando fui me despedir dele e nos apresentamos... Na hora observei um pouco, liguei minha guitarra e comecei também a fazer alguns solos. Deu certo e o duelo entre nós se estabeleceu de forma muito legal. Ao final de alguns minutos paramos e nos cumprimentamos. Eu disse que estava com a representação cearense naquele Festival. Ora, se eu estudava muito as técnicas do Jimi Hendrix e o Santana, que ainda são meus ídolos, foi muito bom tocar um pouco com este exímio guitarrista e gente boa. Aprendi mais um pouco, certamente, como acho que todo músico deve proceder.    

Bons momentos de lazer

Nas folgas, depois dos compromissos com ensaios, saíamos em grupo para conhecer os pontos principais de Recife. Quase tudo financiado pela TV Ceará ou Diários e Emissoras Associados do Ceará, da Rede Tupi. Conhecemos duas adegas muito bonitas e aconchegantes, que apresentavam shows noturnos. A Adega do Bocage e da Mouraria. Estivemos também na praia da Boa Viagem e em algumas boates da cidade.

Esta série continuará no Capítulo VII com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo o seguinte tópico:

- O programa Show do Mercantil

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo V - O início da participação do Conjunto Big Brasa na TV Ceará

  


Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo V

O início da participação do Conjunto Big Brasa na TV Ceará, Canal 2 

Por João Ribeiro da Silva Neto (Beiró)


O início da participação do Conjunto Big Brasa na TV Ceará, Canal 2

O Conjunto Big Brasa foi fundado em abril de 1967 e iniciou suas atividades tocando em restaurantes na Beira-Mar, para se promover, o que surtiu efeito. O  som das guitarras e as músicas eram novidade e chamavam a atenção. Com algum tempo estreou no Balneário Clube de Messejana e teve rápida ascensão e uma presença marcante e frequente na televisão cearense por quase sete anos, fator que influiu de forma significativa na divulgação do grupo em Fortaleza e de modo especial no interior cearense. As festas, pelos diversos clubes de Fortaleza e do interior do Estado eram constantes. O Big Brasa ainda realizou excursões pelos Estados do Piauí e Maranhão, das quais felizmente ainda temos muito material no acervo do grupo. 

A participação em programas na TV Ceará, Canal 2

A fotografia abaixo, do Conjunto Big Brasa, foi obtida em dependências da televisão no período em que o grupo esteve na TV Ceará. Da esquerda para a direita estão Severino Tavares (baterista), João Ribeiro (guitarrista-solo), Lucius Maia (contrabaixista e vocalista), Adalberto Pereira Lima (tecladista) e Edson Girão (guitarrista-base e vocalista). Desta imagem, naquele período foram feitas mil cópias para serem enviadas juntamente com as respostas às fãs de nosso grupo musical.   




O ingresso do Conjunto Big Brasa na televisão ocorreu em 1970 por ocasião de um Festival Nordestino da Música Popular, quando o Conjunto Big Brasa acompanhava o Ednardo, na música “Beira-Mar”, no Náutico Atlético Cearense, quando ele conseguiu o primeiro lugar! Na oportunidade o Conjunto Big Brasa estava bem estruturado e produzia arranjos musicais belíssimos nas músicas que executava. Na final desse festival a bela música do Ednardo tirou o primeiro lugar, merecidamente, fato amplamente noticiado através da imprensa local. Como sempre, em minha empolgação com a música, procurava escrever os arranjos, anotar as introduções e criar sempre o melhor dentro de nossas possibilidades musicais.

Detalhe: na referida apresentação no Náutico Atlético Cearense o Conjunto Big Brasa foi observado de perto pelo apresentador de TV e radialista Augusto Borges, que comandava naquela época o programa “Show do Mercantil”, levado ao ar aos sábados pela TV Ceará, Canal 2, antiga emissora de Rede Tupi de Televisão (cujo logotipo era um indiozinho). Este programa era patrocinado pelo Mercantil São José. Pois bem, o Augusto Borges ficou bem impressionado com o desempenho do Conjunto e nos convidou para participar de seu programa. Assim foi o início de nosso contato com a televisão, que nos proporcionou uma rápida ascensão, muita propaganda em razão dos programas serem transmitidos para todo o Ceará e chegar ainda a alguns estados do Nordeste, como o Piauí e consequentemente muito contratos.

Como a TV Ceará promoveu o Big Brasa

Em razão de um programa semanal, o Show do Mercantil, levado ao ar aos sábados e de outro programa, o Studio 2, este por sua vez apresentado diariamente, ao meio-dia até às 13 horas, o número de fãs do Conjunto cresceu repentinamente. 

O nosso grupo musical recebia cerca de cinquenta cartas por dia, de Fortaleza e de todo o interior cearense. Tentamos no início manter uma pessoa para responder na medida do possível, mas tudo não passou de uns seis meses. Não tivemos estrutura para isso. Ainda tenho inúmeras cartas de fãs, dirigidas a mim, guardadas no acervo do grupo. Neste período lembro que mandei fazer mil cópias de uma foto minha, junto ao caminhão de reportagens externas da TV Ceará, para atender aos pedidos das fãs do grupo.

Muitos contatos e um trabalho musical interessante

É importante mencionar que depois de iniciarmos no Show do Mercantil, apresentado pelo Augusto Borges, a entrada do Conjunto Big Brasa na TV Ceará nos proporcionou contato com dezenas de cantores da Jovem Guarda e outros gêneros vindos do Sul e Sudeste do País através do programa Show do Mercantil. Muitos foram os shows e ensaios realizados com praticamente todos do chamado Pessoal do Ceará.

A expressão ''Pessoal do Ceará'' batizou toda essa geração de artistas e intelectuais e constituiu um movimento de sucesso na música cearense, com artistas a exemplo de Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Téti, Jorge Mello e Belchior. Foram muitas apresentações na televisão com quase todos eles, valendo destacar os inúmeros shows com o Ednardo pelo Nordeste, a Inauguração do Ginásio Paulo Sarasate, com a presença do saudoso Belchior e muito mais! Nesta série vamos apresentar parte de acervo fotográfico do Conjunto Big Brasa, através de vários álbuns, com imagens do Big Brasa no Show do Mercantil e também no Studio 2.

Esta série continuará no Capítulo VI com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo o seguinte tópico:

- Os Festivais Nordestinos da Música Popular

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 – Capítulo IV - Minhas lembranças pessoais

 


                          Série: TV Ceará, Canal 2 – Capítulo IV

Minhas lembranças pessoais

Por João Ribeiro da Silva Neto (Beiró)

Os amigos da parte técnica

Continuando a falar sobre a TV Ceará Canal 2, neste capítulo os meus agradecimentos a toda a equipe técnica da televisão, que sempre nos acolheu de forma excelente, com muito carinho pelo Conjunto Big Brasa e auxílio em algumas emergências de equipamentos nossos, que passavam às vezes parte da semana na própria TV Ceará, em virtude dos programas diários como o Studio 2. Entre eles o Bernardo, o Spicy e o próprio Cabral, engenheiro da televisão. O ambiente entre todos nós que participávamos da televisão, verdadeiramente, era muito agradável, agitado, animado e alegre e que nos trouxe muitas amizades, por coincidências cinco adjetivos começados com a letra “a”.

Ainda na área técnica enfatizo o meu agradecimento mais uma vez a todos os técnicos, na pessoa do engenheiro Cabral, o chefe da engenharia da televisão, com seus auxiliares como o Bernardo, Tantico e “Spicy”, pelas inúmeras vezes que nos auxiliaram em reparos em amplificadores e cabos (às vezes uma simples solda), quando os defeitos ocorriam nas emergências. Eu mesmo levava o que tinha para ser consertado para a sala de oficina técnica que ficava no segundo andar do prédio (ver planta baixa).

Os diretores de imagem (suítes)

Entre relatos de minhas lembranças, menciono carinhosamente e com muita saudade pessoas com quais tinha contatos frequentes, ligadas à parte técnica. E dentre elas estão o suíte Aderson Maia (Dedeco), uma pessoa espetacular, bondosa e que gostava muito de nossa atuação como guitarrista do Big Brasa, brincando comigo sempre que nos encontrávamos nos corredores da televisão. O Dedeco, como muitos o chamavam, quando cruzava comigo nos bastidores sorria muito e gesticulava como se estivesse fazendo os solos em uma guitarra, que ele gostava muito. Na linguagem de TV, ele “cortava” o programa Show do Mercantil, ou seja, operava como suíte (Diretor de imagens). Também lembro a figura do Gonzalez (também suíte, mas de outro programa que trabalhávamos, o Studio 2. O Sebastião Belmino foi uma das pessoas que se destacou na TV Ceará, por ter passado por vários estágios em diferentes funções, como Assistente de Estúdio, Câmera até chegar à condição de Diretor de Imagens. Em conversa com o Belmino sobre a planta baixa que desenhei, para relembrarmos a TV Ceará, Canal 2, ele me reportou que  teve bons, como Daniel Menezes e o próprio Aderson Maia. Belmino se destacaria também, mas à frente, como diretor de imagens na TVE e como apresentador e comentarista esportivo na televisão e no rádio cearense, com muito sucesso.

Observando o desenho da planta baixa que fiz, do prédio da TV Ceará, o amigo Belmino me tirou uma curiosidade.  Eu nunca estive na sala técnica de Direção de Imagens, mesmo porque sempre estava do outro lado, tocando... E eu só enxergava essa sala quando estava no Estúdio grande, que dava para avistar um vidro ao alto (no segundo andar), onde ficavam os equipamentos. Mas explicou o Belmino que da mesa de corte (suíte), à esquerda tinha um vidro grande onde de via o estúdio grande (A), onde o Conjunto Big Brasa fazia o programa Studio 2 e eram feitos também alguns comerciais. Mais antigamente as telenovelas ao vivo. Pois bem, neste estúdio ficavam duas câmeras com torre de lentes. Câmeras um e dois. Em frente à técnica tinha a cabine de locução, também isolada por um vidro. Vizinho tinha o estúdio (B) onde eram feitos os comerciais ao vivo também com vidro. Uma câmera que tinha zoom, a câmeras três. Depois os comerciais passaram para o estúdio (A). A câmera três foi também pra lá. Auditório era tudo como estúdio (C). O auditório não tinha visão do suíte, o que em meu entendimento poderia dificultar um pouco. Os suítes só tinham a visão das imagens através dos previews das câmeras.

Futuramente, quando passei a trabalhar na TVE – Televisão Educativa do Ceará, fiz muitos programas tendo o Belmino como suíte e eu como Sonoplasta, assim como o nosso Daniel Menezes, que além de tudo era também radioamador, como eu. 

Perdoem-me por não conseguir lembrar o nome completo de todos os muitos amigos que fizemos naquela emissora, de praticamente todos os setores.

Os operadores de câmeras

Recordo muito os câmeras-men Fred e William (chamado de “irmão” por todos) e o Zé Lenir. Este trio de câmeras fazia quase sempre o programa Studio 2, no qual o Big Brasa se apresentava diariamente. O Irmão e o Fred faziam sempre os programas Show do Mercantil. Outro dos câmeras-men chamava-se Peixoto. Lembro que esteve presente até durante a recepção de meu casamento, em 1973, na Igreja de Fátima, realizada depois em nossa casa, com uma boa turma da TV Ceará. 

Do “Irmão” tenho lembranças espetaculares das muitas vezes que ele estava me mostrando, no Estúdio A da TV, durante o programa “Studio 2” (foto acima), quando ficava, sempre sorrindo, me “perseguindo” com a câmera, mostrando os solos de minha guitarra,  com a câmera praticamente colada à guitarra, mas, também, com o objetivo de destacar minha aliança de forma bem acentuada, para que nossas fãs do interior do Estado a vissem. Ele sorria muito e eu ficava, com a câmera dele muito aproximada, tentando afastá-lo e empurrando o tripé da câmera com os pés. Todos os momentos de intensas e agradáveis lembranças para mim. Este programa Studio 2 era diário.

Operação de áudio

Nos programas Show do Mercantil era realizada pelo conhecido Mauro Coutinho, que atuou nas diferentes emissoras de rádio e estúdios no Ceará. A cabine de áudio ficava ao lado do palco, no auditório do Canal 2. E víamos o Mauro e os equipamentos em sua cabine durante o programa.

Vocês sabem o que são sinais de tempo, no rádio?

São aqueles sons que você ouve e que antecedem a marcação do tempo pelos locutores nas partidas de futebol. Funcionam assim até hoje. O operador de áudio interrompe a locução ou solta por cima o sinal de tempo para que o locutor possa informar: são “tantos minutos do primeiro tempo e o placar está...”. E assim estes sinais de tempo eram repetidos até que os ouvintes ficassem com reflexo condicionado ao som... O Mauro Coutinho, entusiasmado, me pediu algumas vezes para que eu gravasse com a guitarra e distorção vários pequenos “riffs”, para que ele escolhesse sinais de tempo. E gravamos vários, somente com guitarra e distorção. Ele escolheu um deles, que passou anos no ar na Ceará Rádio Clube. E toda vez que eu o ouvia ficava feliz. Até hoje estou em pleno anonimato quanto a isso, mas o prazer era grande de ter o seu solo no ar em todas as transmissões esportivas de futebol.

O gosto por fotografia e filmagens

Durante os programas Studio 2, como nós ficávamos de sobreaviso para entrar a qualquer momento para nossas apresentações (três ou quatro músicas, a depender do dia), eu gostava de ficar com alguma câmera e mostrava imagens, sempre com o consentimento de algum deles, quase sempre o Zé Lenir. Pedia para que os operadores me deixassem trabalhar um pouquinho com elas durante os programas. Isso acontecia mais com a câmera 3, que me parece era a que mais folgava. Em uma das vezes um fotógrafo da Televisão, que não lembro o nome, me fotografou com a câmera. Tudo normal. Anos depois encontrei esta foto na internet e fiquei até feliz por recuperar aquela lembrança. Esta imagem minha com a câmera está entre os artigos do site Fortaleza Nobre, entre as matérias sobre a TV Ceara.

O ambiente na TV Ceará, Canal 2

Bom relembrar para vocês que o ambiente na TV Ceará, pelo que ficou em minha memória, sempre foi muito bom. Passávamos nos corredores, entrávamos no estúdio principal, onde era produzido o Studio 2, as entrevistas e o Big Brasa se apresentava sempre diariamente. 

Vale repetir o conceito externado no princípio, de que o ambiente entre todos nós que participávamos da televisão, verdadeiramente, era muito agradável, agitado, animado e alegre e que nos trouxe muitas amizades, por coincidências cinco adjetivos começados com a letra “a”.

O programa do Colombo Sá

Depois, trafegando às quartas-feiras, antes ou depois da seleção de calouros, eu entrava um pouco no estúdio da Ceará Rádio Clube (acenava pelo visor para o Colombo Sá, apresentador do programa “Clube dos Tetéus”, pedindo para entrar no estúdio e ele acenava, consentindo). Meu interesse pelas operações técnicas de televisão e rádio, como tudo de eletrônico, sempre falava mais alto. A operação de áudio, que eu sempre gostei, ficava ao lado da cabine onde o Colombo Sá apresentava o programa (todo o estúdio, logicamente, possuía isolamento acústico. Ficava observando e aprendendo um pouco, atentamente aos detalhes gerais, da mesa de som etc. Nem imaginava que anos depois utilizaria aquele aprendizado como sonoplasta na TV Educativa do Ceará, onde trabalhei por cinco anos.

Ivan Prudêncio

Da mesma forma ocorria com o Ivan Prudêncio, discotecário da Ceará Rádio Clube. Sempre muito cuidadoso com o seu material, foi muito gentil conosco e emprestava eventualmente disco com sucessos para que nós do Big Brasa gravássemos as músicas para ensaiá-las e acrescentá-las ao repertório de nosso Conjunto. E depois da utilização, com muito cuidado, eu sempre os devolvia prontamente. Conforme o Sebastião Belmino, o Ivan Prudêncio era o melhor sonoplasta da época das produções de telenovelas, na TV Ceará.

O restaurante “Jerbô”

Quase todos nós da televisão, do programa, músicos, artistas e outros participantes frequentávamos o Jerbô Lanches, que ficava na Avenida Antônio Sales, quase esquina com a TV Ceará.

Sempre antes dos programas diários ou depois deles, ou mesmo aos finais do Show do Mercantil aos sábados, depois do ensaio-geral das sextas-feiras eu e nosso pessoal do Big Brasa nós íamos até o Jerbô. Fiz uma vez uma prova de honestidade com o gentil proprietário, Sr. Jerbô, para ter crédito com eles caso um dia fosse necessário. Disse propositalmente para ele, o proprietário, Sr. Jerbô, que desejava fazer um lanche, mas tinha esquecido a carteira, explicando que era do Conjunto Big Brasa que tocava ali na TV Ceará. E ele olhou para mim e disse, calmamente: “Claro que sim, rapaz, faça seu lanche à vontade”. E assim o fiz. Lanchei e no dia seguinte o procurei para fazer o pagamento e agradecer a gentileza dele.

Fotografias do acervo do Conjunto Big Brasa

Ao final desta série selecionarei muitas imagens do acervo do Conjunto Big Brasa as quais serão postadas em um álbum, que será compartilhado com todos vocês.  

Na sequência o Capítulo V com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo os seguintes tópicos:

- O início da participação do Conjunto Big Brasa na TV Ceará

- Muitos contatos e um trabalho musical interessante

 

(*) Nota: créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, o (Beiró), Músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo III - Breve histórico da TV Ceará

                            

Série: TV Ceará, Canal 2 - Capítulo III

Por João Ribeiro da Silva Neto (Beiró)


Breve histórico da TV Ceará

TV Ceará Canal 2, dos Diários Associados foi fundada em 26 de novembro de 1960, sendo a primeira emissora de televisão do Ceará e uma das primeiras do Nordeste. Após vinte anos de existência e produção de inúmeros programas, lamentavelmente foi extinta em 1980. Um período que deixou muitas saudades e lembranças para todos e que revelou inúmeros artistas cearenses, inclusive para a cena nacional. 

De minha parte também foi uma época marcante, pois em minha vida musical participei de dois programas da emissora, como músico do Conjunto Musical Big Brasa e também produtor musical. Pude conhecer muitas pessoas do meio artístico e fiz muitos amigos. E compartilho tudo com vocês para juntos recordarmos estes bons tempos.

Com uma programação variada a TV Ceará Canal 2 revelou diversos talentos através do teleteatro, novelas, jornalismo e programas locais, como o Show do Mercantil e o Studio 2, dos quais participamos por quase sete anos, com o nosso saudoso Conjunto Musical Big Brasa. Na fotografia ao lado, em frente ao prédio da TV Ceará, estão os seguinte componentes do Big Brasa: Lucius Maia, e por trás do bonito carro, Adalberto Lima, João Ribeiro e Severino Tavares. Há alguns locais com muitas informações sobre a Televisão Ceará, como o site Fortaleza Nobre, de nossa grande amiga Leila Nobre. Também um pouco da história na Wikipédia.

Nesta série, entretanto, gostaria de transmitir para vocês informações e impressões de minhas próprias vivências, pelos corredores, estúdios, programas da TV Ceará, contatos com praticamente todas as equipes de produção e técnica, motivo deste documento. Fatos talvez interessantes para muitos e um toque na memória de outros que também estiveram comigo nesta jornada.   

Muitas lembranças da TV Ceará, Canal 2

Tempos marcantes em minha memória, de quando trabalhei na TV Ceará Canal 2 com o nosso Conjunto Musical Big Brasa! Ao idealizar esta série, nos diversos capítulos o leitor verá fragmentos do acervo do Conjunto Big Brasa, assim como tudo aquilo dos programas de televisão que participamos, e também alguns trechos de meus três livros sobre o Conjunto Big Brasa e a minha Vida Musical (1999 e 2017), com destaque para as participações nos programas de televisão, além de incluir também algumas imagens encontradas na Internet e outras pertencentes ao acervo Big Brasa.

Em minhas lembranças estão os nomes de pessoas que ficaram firmemente marcados, dos quais relaciono alguns ilustres, como o da própria Ayla Maria, Neide Maia (que foi uma gentil admiradora de todos que integravam o Conjunto Big Brasa), Karla Peixoto, Emiliano Queiroz, Antônio Mendes (Toinho), Emiliano Queiroz, Ary Sherlock, o Aderson Maia (“Dedeco”, na época diretor de imagens) João Ramos, Marizete Batista, o apresentador Augusto Borges, dentre outros.

Esta série continuará no Capítulo IV com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo os seguintes tópicos:

Os amigos da parte técnica

- Os diretores de imagem e os operadores de câmeras


(*) Nota: esta série tem os créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto (Beiró), músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense. 



sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 Minhas lembranças pessoais. Capítulo II


Meu primeiro contato com a TV Ceará, Canal 2!

Quando cheguei a Fortaleza, procedente de minha cidade natal São José dos Campos, em São Paulo, meus pais moraram inicialmente no Bairro de Fátima, perto do Colégio Nossa Senhora das Graças. Pouco tempo depois nos mudamos para o bairro 13 de Maio, na Rua Mário Mamede, por trás da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Avenida 13 de Maio. Em outro período dos primeiros anos moramos perto da Igreja da Sé, em um edifício de apartamentos frente ao antigo Arcebispado.

O passeio para conhecer a televisão do Ceará!

No ano de 1962, com dez anos de idade, lembro que meus pais me levaram para conhecer a televisão, na Aldeota, em Fortaleza – A TV Ceará, Canal 2, da extinta Rede Tupi de Televisão. Os traços de memória desta época se mantiveram, por serem marcantes. Lembro que estive na entrada da TV Ceará  (ver no rascunho da planta baixa por mim desenhada) e lá me mostraram uma grande artista local, que estava saindo (era a brilhante cantora Ayla Maria, que mais tarde, quando jovem, eu viria a acompanhá-la inúmeras vezes com o nosso saudoso Conjunto Big Brasa e também outras vezes pessoalmente, com o violão, no Teatro José de Alencar e em outros locais de apresentação. Vale dizer que poucas residências possuíam televisores e que a tecnologia foi se expandindo gradualmente.   

Fiquei encantado com aquele passeio e por ter conhecido a televisão de Fortaleza, lógico que apenas na parte da frente e entrada da emissora, passeio demais interessante para mim.  A entrada já era pela Avenida Antônio Sales. Logo na chegada a visão da torre de transmissão, com 108 metros, muito imponente. Achei o prédio da TV Ceará muito bonito e lembro bem que possuía um jardim e uma bela iluminação. No final apresento novamente um rascunho da planta baixa da TV Ceará, para fornecer melhores detalhes sobre o prédio, do qual falaremos muito nos outros capítulos. 

Desta visita ressalto que tive a sorte de ter conhecido uma das principais cantoras do Ceará, a Ayla Maria.

Em São José dos Campos nós já possuíamos televisão desde 1956, sendo que em 1959 visitei e apareci como figurante em um programa infantil em São Paulo, Capital, convidado pelo meu saudoso tio e xará João Ribeiro da Silva Filho (o Tio João, que futuramente seria o embaixador do Big Brasa em São Paulo, nos ajudando na aquisição de equipamentos). Tio João trabalhava naquela época nos estúdios Vera Cruz. E agora, após tantos anos, estamos rememorando algumas lembranças com todos vocês.

Esta série continuará no Capítulo III com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará, contendo os seguintes tópicos:

- Muitas lembranças da TV Ceará, Canal 2

- Breve histórico da TV Ceará

(*) Nota: esta série tem os créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, o (Beiró), Músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.




quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Série: TV Ceará, Canal 2 - Minhas lembranças pessoais! Capítulo I

               


CAPÍTULO I

O tempo passou, mas as lembranças ficaram!

Os registros da época sobre a TV Ceará Canal 2 são escassos, porque não se tem mais conhecimento de vídeos ou filmes do período, ainda mais por em seu princípio não existia a tecnologia do vídeotape. Sabedor disso eu, João Ribeiro, senti a necessidade de compartilhar com todos vocês os momentos e traços de memória de minha vivência nos anos que participei naquela emissora de televisão com o Conjunto Musical Big Brasa. E assim, depois de algum planejamento para organizar as lembranças iniciamos esta série, que compartilho com todos vocês.   

Como era o prédio da TV Ceará, você sabe?

Após muitas buscas na Internet na tentativa de conseguir uma planta baixa do prédio, nada encontrei a respeito. Seria necessária uma planta baixa das instalações da TV Ceará para ilustrar os fatos!

Projetei então um simples rascunho da planta baixa do prédio onde funcionou a TV Ceará e a Ceará Rádio Clube, na intenção de fornecer uma ideia bem acentuada de como era o prédio, as instalações, os estúdios, o auditório etc. Esta planta baixa será utilizada em outras publicações, para melhor ilustrar os detalhes.
(figura abaixo).



No decorrer desta série procurei relembrar o pessoal que convivemos, nos diversos aspectos e nossas experiências musicais à frente de dois programas da TV Ceará (Show do Mercantil e Studio 2). Aqueles que participaram da televisão certamente vão reviver muitas passagens interessantes, ao passo que os que não conheceram podem ter uma ideia muito precisa de como tudo acontecia na TV Ceará Canal 2. 


Aqueles que participaram da televisão certamente vão reviver muitas passagens interessantes, ao passo que os que não conheceram podem ter uma ideia muito precisa de como tudo acontecia na TV Ceará Canal 2.

Da TV Ceará Canal 2 nós ainda temos em acervo fotográfico de nosso Conjunto Big Brasa na torre da televisão, imponente, com seus 108 metros de altura, a qual após o encerramento das atividades da emissora foi desmontada e retirada. Temos conhecimento que a maior parte dos registros da TV Ceará, quando foi extinta, foi perdida, o que é lamentável. Um acervo que poderia ter sido preservado para o bem da cultura cearense. Em quase todos aqueles anos iniciais não havia ainda as gravações em videotape. E quando chegaram as primeiras máquinas de VT as fitas para gravação eram poucas e os programas gravados eram apagados em gravações posteriores. E assim se perdeu quase tudo mesmo, infelizmente. Mas nesta série de artigos muita coisa valiosa para a nossa cultura musical será apresentada, como uma contribuição para as lembranças da TV Ceará, Canal 2.

Esta série continuará com mais fatos e memórias interessantes sobre a TV Ceará. 

(*) Nota: esta série tem os créditos autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, o (Beiró), Músico instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor, produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda, discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense. As obras foram lançadas respectivamente em 1999 e em 2017, quando o grupo completou cinquenta anos de fundação. Em 2020 gravou o Álbum Momentos, com suas canções autorais inéditas, para registro de amigos e de familiares.  


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Onde encontrar Deus?


Uma eterna procura da humanidade para o Significado e sobre Onde poderíamos encontrar Deus desde as eras mais remotas da existência do homem na Terra, sob múltiplas perspectivas. O significado de Deus (ou dos deuses) para os egípcios, por exemplo, poderão ser totalmente refutados por nós em tempos atuais. Entendo que a representação de múltiplos deuses para eles se resumia ao próprio e natural desconhecimento sobre o assunto. E prefiro enxergar o óbvio: que esse conjunto de deuses representaria para todos eles um único Deus.

Com referência à chegada de Jesus Cristo ao nosso convívio existem incontáveis textos escritos por religiosos, teólogos, sacerdotes e outros estudiosos do tema, buscando uma explicação difícil, em primeira análise, mas ao mesmo tempo fácil ao observarmos outros fatores e pontos de visão. Sabe-se que as traduções dos textos sagrados foram muitas, as diferenças entre as linguagens e as diferentes interpretações ao longo dos séculos, podem nos confundir analiticamente sobre alguns conteúdos.

Sobre minhas crenças, fui criado em uma família católica e quando novo procurava seguir os ritos e os procedimentos a mim transmitidos de forma muito fiel. Ao passar dos tempos as necessidades de maiores conhecimentos foram aparecendo e ao lado delas, uma busca incessante sobre os entendimentos sobre Deus. Após algum tempo deixei algumas práticas do catolicismo e passei a procurar respostas para uma série de questionamentos sobre a nossa vida, de onde viemos, para onde iremos e como seria este nosso Deus. É importante frisar que nunca cessei minha fé em Deus e nem minhas orações diárias.

Saindo da juventude li integralmente um livro intitulado Deus, de mais ou menos 500 páginas, com perguntas, respostas, associações diversas sobre como seria Deus. Foi como uma navegação exploratória por um terreno muito especial e desconhecido. E como resultado eu cheguei a uma conclusão própria ainda mais simples, ao final daquela extensa leitura: o homem não pode explicar o que é Deus. Não tem condições de penetrar nos mistérios divinos. Por outro lado, ao longo da vida procurei conhecer também a literatura básica sobre o Espiritismo, do qual gostei de muitos conceitos, que assimilei em parte até hoje.

Em princípio, ainda na juventude, adotei uma linha de oração na qual eu mesmo procurava estabelecer uma figura para Deus, de acordo com os assuntos temas de minhas orações. Se o tema fosse bem sério, por exemplo, visualizava Deus como um senhor bem vivido, como um avô celestial, talvez, no sentido de que Ele me aconselhasse. Por outro lado se os temas de minhas orações eram mais modernos ou joviais eu percebia a figura de Deus como um amigo incondicional e toda a conversa dirigida a Ele era em linguagem e tom igual ao da minha idade naquele instante. Este processo funcionou até quando percebi e assimilei que Deus não possui aparência, não é físico e como um Ser espiritual está presente em todos os locais onde estivermos. Assim, Deus não tem idade, raça, sexo, cor, tamanho, idade e nenhum dos atributos que podem ser utilizados para se usar em nós mesmos, os seres humanos.

Há que se diferenciar de forma bastante clara que Deus independe das religiões, indistintamente, que foram criadas e organizadas pelos homens, com todos os acertos, mas também com todas as suas imperfeições. Mesmo admitindo a inspiração divina para os diferentes escritos sagrados devemos ao mesmo tempo, em meu entendimento, analisar e admitir as inúmeras possibilidades de contradições, motivadas pelo tempo, a falta de documentação, traduções, os interesses de cada período etc.

Jesus Cristo

Uma figura nitidamente emblemática para quase todos nós é a de Jesus Cristo, uma pessoa que teve uma vida admirável, justificada pelo fato de que até hoje, cerca de mais de dois mil anos após sua passagem terrena ainda O tenhamos como uma referência exemplar. Cercado pela arrogância, ignorância, inveja de muitos sacerdotes e governantes que existiam em Sua época, Jesus enfrentou adversidades enormes e após uma vida dedicada ao próximo e ao preparo de seus seguidores, foi crucificado cruelmente pelos homens. Tenho Jesus Cristo como um emissário divino que veio até nós para tentar nos salvar e que deixou sua clara mensagem de como conseguir paz e serenidade em nossa vida terrena e futuramente na vida eterna. Sinto externar meu pensamento de que se Jesus Cristo se apresentasse novamente nos momentos atuais, as dificuldades poderiam ser ainda maiores, as acusações seriam as mesmas e a humanidade não o aceitaria novamente. Somos uma raça ainda pouco desenvolvida espiritualmente para empregar os ensinamentos e leis divinos, que em sua totalidade apontam para o respeito do próximo, de nossos semelhantes.

Mas, voltando a Deus, representado aqui pela palavra de Jesus Cristo, cada vez mais fico convicto que Ele está em nossos corações, em nossa mente. Como Ele próprio nos deu o livre arbítrio, podemos ou não aceitá-Lo. Dentro das deficiências humanas o trato com nossos semelhantes está muito a desejar melhorias e aperfeiçoamentos de toda ordem. O orgulho, a inveja, a intolerância, a discriminação, o julgamento, a ira, são alguns dos nossos piores defeitos.

Caso você esteja em frente a uma casa, fechada e não tocar a campainha, não bater palmas e nem chamar o nome de quem deseja falar, dificilmente será ouvido! Portanto, Deus se faz presente em nossas vidas a partir do momento em que O invocamos e a Ele pedimos auxílio. Certamente Deus nos ouvirá nestes momentos. Uma questão sobre a ter um pedido atendido ou não em determinado assunto, foge ao nosso entendimento e se mistura ao livre arbítrio e a outros fatores que também não estão sob nossa compreensão.

Deus, assim, é completo, é tudo! Deus nos perdoa, nos orienta, acalma nos momentos mais difíceis e nos dá forças para uma vida plena. E Jesus Cristo é um ser de Luz, que nos trouxe vários ensinamentos e procedimentos de vida que podem nos ajudar a alcançar a paz e a serenidade em nossa vida na terra e também em nossa futura vida. Basta perseverarmos, errando, corrigindo nossos erros, perdoando o nosso próximo e praticando o bem. E o principal: devemos estar sempre preparados para a nossa Grande Viagem, pois o último mistério para a raça humana é o fim de nossa vida terrena e a Passagem para a eternidade.

Uma das frases atribuídas no Evangelho de João a Jesus Cristo é: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, que dentre as inúmeras interpretações que foram escritas, me permito participar, com o entendimento de que as “muitas moradas” a que se refere Jesus Cristo significam os diversos e diferentes níveis que poderemos estar em nossa futura vida espiritual, tudo de acordo com o que foi preparado por nós mesmos em nossa rápida passagem pela terra.


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Marcas indeléveis para a humanidade

O ano de 2020 se tornou inteiramente atípico e que jamais será esquecido pela humanidade. Inicialmente com muitas e boas expectativas para os brasileiros, começou logo com o Carnaval, festa popular e com larga propaganda no mundo, logicamente com todos os excessos e a loucura desenfreada de muitas pessoas, que fogem de tudo o que diz respeito ao bom-senso. Mas a triste surpresa chegaria pouco mais adiante com as notícias de um novo vírus, que em pouco tempo se alastrou por todo o planeta. E repentinamente foi nos chegando uma enorme transformação, o medo do desconhecido, a insegurança de todos e a mudança de hábitos que presenciamos e vivemos até os dias atuais, com a declarada pandemia que ainda persiste, mesmo passados sete meses. Uma doença rápida que se propaga de forma rápida e dizima as pessoas sem parar.   

Que somos nós na humanidade?

Para a ciência, pesquisadores, médicos, um combate inesperado e sem preparo específico nenhum. Não se conhecia o inimigo. Uma luta inicial completamente desigual, como se um exército enfrentasse um adversário invisível, mas extremamente destruidor. Milhares de baixas em quase todos os países, cenas que jamais pensaria assistir. E dia após dia as batalhas se sucederam com cada vez mais derrotas que a humanidade sofreu. E aqui cabe uma pequena reflexão sobre nossa existência, no sentido da fraqueza extrema de nossa vida terrestre, as limitações do ser humano ante um inimigo muito pequeno, invisível a nossos olhos, mas que impiedosamente prossegue ceifando milhares de vidas.

Enquanto bilhões foram gastos em todo o mundo para que o homem descubra se existe água em Marte ou pesquisando imagens de longínquas galáxias ou mesmo desenvolvendo projetos armamentistas sob o argumento de suas defesas contra a própria espécie, o homem continua sem conhecer o seu próprio cérebro, não consegue descobrir a cura para o câncer, pouco conhece o que existe em nossos mares. Isto para se falar o mínimo sobre os supérfluos que usamos em nossas vidas. As tecnologias tiveram um avanço enorme, mas de nada valeu ainda para esta guerra contra o novo vírus. Enquanto milhões de turistas viajavam pelo planeta com extrema facilidade e rapidez, agora contribuíram para que o vírus tivesse uma propagação absurdamente rápida e fatal.

Milhões de baixas

Pelo mundo inteiro os noticiários estampam, dia a dia, a quantidade de baixas sofridas pelos seres humanos de todas as localidades, independe de condição social, raça, sexo, tendo agredido mais os idosos naturalmente por suas maiores fragilidades decorrentes da vida. São incontáveis baixas que tivemos e aqui vai o nosso pesar por essas pessoas e pelo sofrimento de suas famílias. Ainda estamos diante de um quadro inesperado e assustador, do qual aprendemos um pouco para a continuação deste combate desigual.

Uma parte da população atravessou momentos de isolamento, tendo que ficar em casa para não se encontrar com o inimigo, com roupas, mas sem poder usá-las, com carros, mas sem poder sair de casa. Isto no melhor cenário porque outra parte de nossas sociedades, particularmente as de menor condição social, tiveram seus empregos suprimidos e sua situação agravada em razão da pobreza. Além das baixas vale dizer que as mudanças sofridas por milhões de pessoas aprisionadas, com o temor da morte e do contágio, trouxeram traumas que levarem muitos à depressão, além de todas as outras maléficas consequências. 

Prejuízos para todas as áreas

A Saúde, em primeiro lugar, pelas dificuldades em enfrentar o inimigo; a Economia com sua queda em todos os países, a Educação com as novas experiências sobre a continuidade do tele-ensino. Estes são alguns dos aspectos que mencionamos, sabendo que as consequências do problema levarão muitos anos sendo estudadas.

A luta travada pelos gestores mundiais e pelos cientistas para reorganizarem os seus combatentes, em visível estado de derrotas constantes, se alastrou. O mundo nunca mais será o mesmo. Pelo lado dos profissionais da saúde, nossos soldados da linha de frente, as dificuldades ainda estão sendo enormes, por não conhecer o inimigo mortal e nem possuir armas eficazes para um efetivo combate. E assim as baixas ocorreram em número incalculável.

A ciência corre atrás do enorme prejuízo. Esperamos agora mais armas, como as vacinas, para o enfrentamento dessa doença. Todas as nações mais desenvolvidas estão trabalhando para encontrarem uma saída para o problema.

Uma marca indelével para a humanidade

Sem dúvida, uma crise de saúde mundial que jamais será esquecida. E que forçosamente trouxe mudanças para todos nós.

E uma conclusão, apesar de óbvia, se robusteceu: nossa vida é muito frágil! E por isso mesmo temos que rever alguns de nossos conceitos em relação a nós mesmos e no tratamento de nossos semelhantes, para que possamos evoluir um pouco nesta nossa célere passagem aqui pela Terra.

João Ribeiro da Silva Neto

 

sábado, 16 de maio de 2020

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza - Ceará



Sobre a origem histórica da Igreja de Fátima vale mencionar as Aparições de Nossa Senhora de Fátima, que ocorreram em 1917 quando Lúcia dos Santos e os seus primos Francisco e Jacinta Marto, popularmente chamados de "Os Três Pastorinhos", afirmaram ter presenciado seis aparições de Nossa Senhora no lugar da Cova da Iria, na cidade de Fátima, em Portugal.
 
Em Fortaleza, Ceará, como homenagem a Nossa Senhora foi construída a linda Igreja de Fátima, localizada na Avenida 13 de Maio, um marco representativo e também uma referência a Nossa Senhora de Fátima. Este texto não tem nenhuma pretensão história e simplesmente narrar minhas ligações com a Igreja de Fátima e compartilhar com os amigos e familiares. 
 
Minha chegada a Fortaleza
 
Logo que cheguei de São José dos Campos, São Paulo, onde nasci, moramos inicialmente em uma casa que ficava em uma rua lateral ao Colégio Nossa Senhora das Graças, por indicação de minha saudosa tia Irmã Margarida, que hoje não mais está entre nós fisicamente. Tia Freira, como eu a chamava, era pertencente à Ordem Cordimariana. O Colégio teve a sua origem no Benfica, com a denominação inicial de Ginásio Americano. Em 1950 as Religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria assumiram a direção e em 11 de fevereiro de 1958, transferiram-se para o bairro de Fátima, a fim de atender as necessidades da infância e da juventude de um bairro (Bairro de Fátima) que nascia sob as bênçãos da Virgem de Fátima.

Pela proximidade de nossa residência e pelo fato de a minha “Tia Freira” (Irmã
Margarida) ser professora eu frequentava muito o Colégio Nossa Senhora das Graças, sendo alvo de atenção das alunas e outras irmãs que pediam para que eu pronunciasse a palavra “Fortaleza”, dissesse o nome “vermelho”, tudo para curtirem as diferenças do som da letra “R” no sotaque paulista. Lembro que cada irmã tinha um chamado especial, como um código, que era acionado pela recepção através do toque de um sino. Com esse código, cada irmã podia ser localizada facilmente e se dirigir até a Secretaria. Uma boa, inteligente e simples forma de comunicação, quando nos reportamos ao ano de 1962. Posteriormente nos mudamos para um apartamento quase ao lado da Catedral da Sé, em frente ao Arcebispado. Minha Tia Freira chegou a me levar para um retiro, não lembro exatamente em que ano, durante um período de carnaval. Fui então passar dois dias com as freiras e alunas do Colégio Nossa Senhora das Graças. Lembro que na localização foram instaladas camas de campanha de lona, cedidas pelo Exército, instituição amiga, pelo fato de ela própria, Irmã Margarida, tinha um irmão Cel. do Exército, em Lorena e muitos outros familiares militares. E passei esse tempo, com uma máscara de zorro e com um revólver de brinquedo (foto).
 
E mais adiante nova mudança, desta vez para a Rua Mário Mamede, por trás da Igreja de Fátima. Era uma vila de casas e tinha bons amigos para brincar, como o Carlos Henrique e o Mourão (que atualmente é médico em Fortaleza), mas que nunca mais tive contato. Chegamos a morar também em um apartamento no final de Costa Barros, bem em frente ao Arcebispado e muito próximo da Catedral da Sé. 
 
Pois bem, pela proximidade da Igreja de Fátima, a minha “Tia Freira” logo me colocou para fazer o catecismo. Era o saudoso Padre Gerardo que nos ensinava as orações e nos preparava para a primeira comunhão, que fiz lá mesmo (fotografia, em nossa casa na Mário Mamede).
 
Em um dia 13 de Maio, salvo engano o do ano de 1962, ela fazia parte da equipe que organizava a procissão, saindo da Igreja do Coração de Jesus, no centro de Fortaleza, até a Igreja de Fátima. Eu participei dessa procissão, a pedido da Tia Freira, em uma camionete aberta, não lembro mais o tipo, paramentado simbolicamente de anjo.
 
Na Igreja de Fátima existiam meus colegas vizinhos que ajudavam as missas e que eram coroinhas. Eles me chamaram para eu participar e eu aceitei. Tinha que aprender as respostas em Latim. A disputa por quem ajudava mais missas era grande. Minha batina de coroinha era a menor, de número 1 (toda vermelha, com uma parte branca por cima, mas não sei mais os nomes das vestimentas).
 
Peripécias e artes de criança
 
Apesar de muito concentrado nas atividades, nós por vezes pedíamos para comer as hóstias que ainda não tinham sido consagradas! Imaginem...
 
E em uma das novenas, na Igreja de Fátima, bem em frente ao altar, naquele retângulo enorme, eu ficava em pé, balançando o turíbulo: “O turíbulo é utilizado principalmente nas missas solenes. É um objeto que queima o incenso com a simbologia de que nossas orações subam aos céus, assim como a fumaça do turíbulo, que também sobe aos céus”, explica o Missionário Redentorista,
Fr. Murilo Di Carvalho.

Na preparação do turíbulo, como eu tinha uns doze anos e minha altura não ser adequada para fazer o giro completo pelo ar, a fim de aquecer mais a brasa para que o incenso saísse muita fumaça, eu ficava na porta de trás da sacristia, aproveitando a parte superior e deixando o turíbulo balançar na altura do primeiro degrau da descida, até que conseguisse fazer um “360”, ou seja, girar inteiramente. Esta “operação 360” não era necessária, é claro. Tudo dava certo naquele local. Mas então, na hora “H”, da novena, com o Padre Gerardo celebrando a missa, eu fui tentado a fazer o tal 360 bem atrás do altar. Girei várias vezes até achar que daria certo. E tentei! Fracasso total... O turíbulo rodou, mas na descida bateu um pouco no chão e virou, esparramando toda a brasa. O Padre Gerardo virou, com o barulho, e deve ter pensado na arte que eu tinha feito. Resultado: tive que juntar as brasas rapidamente com as mãos e continuar como nada tivesse acontecido. Acidente de percurso.

 
Primeira Eucaristia e Casamento
 
Foi o local em que fiz minha primeira Comunhão, participei como "anjo" de uma procissão e no futuro viria a me casar. Toquei muitos casamentos como músico profissional e levado por minha tia Maria de Lourdes, quando tinha 11 anos de idade. Nesta belíssima Igreja de Fátima, após alguns anos morando em Messejana, e já tocando guitarra com o nosso Conjunto Musical Big Brasa eu voltei para o meu casamento, no ano de 1973, com o então Monsenhor Gerardo! A solenidade foi filmada pela TV Ceará Canal 2, integralmente e teve partes exibidas durante o programa do Augusto Borges, Show do Mercantil, do qual eu era produtor musical e também músico, com o nosso Conjunto Big Brasa.

 
Nesta oportunidade escolho para homenagear, in memoriam, o Monsenhor Gerardo e minha querida Tia Freira, Irmã Margarida (Maria de Lourdes Brandão).
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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Música Energia, do álbum Momentos

A música Energia faz parte do álbum Momentos, que transforma um sonho em realidade, pois apresenta minhas composições selecionadas e inéditas. Destina-se a registros dos amigos, parentes e familiares. Os meus agradecimentos para todos aqueles que participaram de minha vida musical.





Direção musical, arranjos e instrumentos
João Ribeiro da Silva Neto "Beiró", (guitarra e teclados, com timbres e sonoridades de acordeon, violão, flauta, cordas e metais)
Gravação, Mixagem e masterização e (efeitos especiais, violão e contrabaixo) Jeovar Maia  
 * Kássia Lopes (assistente de gravação)
 * Jeovar Maia, produtor, mixagem e masterização.
 * Vídeo - João Ribeiro Gravação - Estúdio Big Brasa
Distribuição - Proaudio Studio
Fortaleza, Ceará - 2020